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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CORRUPÇÃO

É intuitivo que a corrupção é algo extremamente negativo. Diferentemente de muitos assuntos no campo das ciências sociais que surpreendem pelas inesperadas conseqüências, com a corrupção não existe tal engano. Todos sabem que se trata, enfim, de algo péssimo para se ter por perto.

O que não se sabe na maioria das vezes é o tamanho do dano. Não é só em termos financeiros que a corrupção causa prejuízo, nem tão somente no aspecto moral. Ela traz também devastação na área da inovação. Países com maiores falhas no controle da corrupção investem menos em pesquisa e desenvolvimento, possuem maior fuga de cérebros e inovam menos.
É o que aponta estudo da pesquisadora romena e professora de democracia na Hertie School of Governance em Berlim - Alemanha, Alina Mungiu-Pippidi, publicado na revista Nature.

"Inovação é chave para a prosperidade. Mas a corrupção é inimiga da inovação. Se empresas e indivíduos aspiram ser criativos, e se as sociedades a que pertencem querem fazer o melhor uso desta qualidade, competição e trabalho duro precisam ser mais valorizados do que conexões e indicações pessoais. Minhas análises mostram que a governança necessária para produzir tais sociedades virtuosas são mais raras do que se imagina". Relata Aina. 

Países ranqueados abaixo do primeiro terço na escala de controle de corrupção do Worldwide Government Indicators terão pouca inovação. Das 114 democracias, apenas 35 estão acima daquela linha. Na união européia Romenia, Bulgaria, Grecia e Itália são os piores, onde os países nórdicos seguidos por Holanda, Reino Unido e Alemanha apresentam as melhores marcas de controle da corrupção. Fora da Europa se destacam Austrália, Canadá e Nova Zelandia. Estados Unidos é o país mais populoso entre os que apresentam boas políticas de governança e controle desta praga.

É impressionante a correlação entre inovação e corrupção. Veja no gráfico abaixo.



Para quem quiser ler na íntegra o excelente artigo. o link se encontra aqui.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

ANALFABETISMO FINANCEIRO EM PAÍSES DESENVOLVIDOS

Leia as questões abaixo e ache as respostas:

1) Suponha que você tenha depositado $ 100 numa conta que remunere 2% ao ano (desconsidere efeito de impostos ou taxas de administração, apenas o rendimento).
Depois de 5 anos, quanto você acha que terá na conta se você deixar o dinheiro lá rendendo ?
a) mais de $102
b) exatamente $ 102
c) não sabe ou recusa-se a responder

2) Imagine que a taxa de juros dos seus rendimentos na poupança tenha sido de 1% e que a inflação no mesmo período foi de 2%. Com o valor final que sobrou você conseguirá, no geral?
a) Comprar mais do que antes
b) Comprar menos do que antes
c) não sabe ou recusa-se a responder

3) Você acha que a seguinte a afirmação esta correta ou falsa:
Comprar ações de uma única empresa geralmente provê resultados mais seguros do que a compra de uma cota de um fundo de ações.
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Pois bem, estas perguntas foram feitas em alguns países, veja abaixo o percentual de quem acertou as 3 questões.

EUA - 30,2%
Holanda - 44,8%
Alemanha - 53,1%
Japão - 27%
Austrália - 42,7%
Nova Zelandia - 24%
Suiça - 50,1%
Itália - 24,9%
Suécia - 21,4%
França - 30,9%
Russia - 3,7%
Romenia - 3,8%

Trata-se de países com ótimas estruturas de ensino, que vão bem nos testes internacionais de educação,mas que em relação a conceitos básicos de finanças a deficiência é absurda.

Isto levanta duas questões. Quem tem instituições fortes, saudáveis e responsáveis aplicam boas políticas econômicas independentemente se a população em geral tem ou não poder de entendimento e de argumentar sobre o tema, caso contrário seria de se esperar que as contas públicas seriam caóticas e que os políticos tenderiam ao populismo. 
A outra questão é que se para países com este nível de desenvolvimento e educação o resultado foi deplorável, como seria em nações com histórico de ensino abaixo da crítica como a nossa? Talvez nem ler as perguntas eles saberiam.

Para quem quiser ler o paper e se aprofundar mais no assunto, ele está aqui.

as respostas certas, caso você esteja se perguntando de que lado da taxa de analfabetismo financeiro você se encontra são:
a, b e F


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A TROCA

Enquanto os homens habitarem a terra existirão as trocas. Quando os primeiros europeus chegaram às Américas no século XV eles não falavam a mesma língua dos indígenas que por aqui moravam, nem usavam a mesma moeda (ou qualquer tipo de moeda), sequer sabiam um da existência do outro, não tinham certeza se iriam tornar a se encontrar novamente, possuíam crenças, cultura e códigos legais totalmente diferentes. Mas como é que conseguiram então estabelecer algum tipo de relacionamento amistoso e proveitoso ? 

A resposta é uma atividade inata ao ser humano: A troca. Uma atividade que além de gradativamente proporcionar a construção de uma confiança mútua, é efetuada voluntariamente e de forma a produzir uma sensação aos agentes envolvidos de satisfação à posteriori. Após a troca cada um vai pro seu lado entendendo estar numa situação melhor do que a anterior. 

Ao se aperfeiçoar os mecanismos de troca, cada vez mais pessoas puderam se juntar à festa, ainda que você não tivesse inicialmente algo que coincidisse com o que a sua contraparte imediata demandasse, o desenvolvimento dos mercados e dos meios de troca - moedas - possibilitaram que o produto do seu trabalho encontrasse outros interessados. A partir desta configuração uma revolução na economia se iniciava, pois o homem não mais precisava produzir tudo para a sua subsistência, poderia se concentrar  naquilo que ele tinha mais aptidão, da melhor forma e na maior quantidade possível.

Nunca se sabe exatamente de onde, como e quem surgirá com um novo produto ou um aperfeiçoamento de um produto já existente (ainda que o nosso BNDES ache que tenha o poder de clarividência) , sabe-se apenas que, quando a inovação acontece, haverá gente disposta a pagar por ela. Isto transforma a vida das pessoas, melhora o bem estar e é o responsável pelo desenvolvimento exponencial especialmente experimentado desde a revolução industrial.

É imperioso, portanto, para o bem estar e promoção do desenvolvimento de uma nação que não haja fricções prejudiciais à realização das trocas. Os impostos, ainda que saibamos em alguma medida ser necessário para custear o Estado, é um dos principais inibidores. Por exemplo: Suponha que você deseja comprar um computador para seu filho de 10 anos. Você avalia que R$1.000,00 é o valor máximo que vale a pena dispor para proporcionar ao seu filho este agrado. O dono da loja também concorda com o valor, ele consegue pagar todos os custos e despesas do produto e remunerar o seu próprio trabalho (lucro) vendendo o computador pelos R$ 1.000,00.

Agora considere que o governo aumente o valor do IPI em 15%, levando o preço do computador para R$1.150,00.  Neste patamar você não enxerga a mesma utilidade, desistindo da compra e impedindo que a troca ocorra, frustrando as duas partes e em última análise destruindo riqueza. É simples assim.

Outros exemplos de vilões que distorcem a relação preço-valor interrompendo as trocas no mercado são a inflação, as barreiras alfandegárias, o controle de preços, os subsídios, o controle do câmbio, o salário mínimo, a política de cotas, a exigência de conteúdo nacional, entre outros.

O Estado deveria atuar como provedor de segurança, garantidor das regras do jogo (insitituições) e não como uma terceira parte a se intrometer na troca. Uma espécie de parasita seqüestrador de riqueza alheia. Quanto mais trocas, maior o bem-estar. É assim desde o início dos tempos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

IGUAIS NA MEDIOCRIDADE

Suponha que você faça parte de um grupo de corredores que resolveu formar uma equipe para treinar e correr juntos a São Silvestre. O time é formado por 10 pessoas e ao longo do período preparatório logo nota-se que, como a genética sempre é teimosa, a diferença entre o mais veloz e o mais lento esta na cada dos 20 minutos. O melhor corredor da turma faz o percurso em 80 minutos e o último em 100 minutos.

No nosso exemplo os corredores resolveram que fariam toda prova em conjunto, do que logicamente se induz que o tempo de todo o time será ditado pelo mais lento, ou seja 100 minutos. Supondo que os tempo obtidos caso cada um desse o melhor de si fosse: 80, 82, 85, 88, 90, 96, 97, 98 e 100, a média de performance seria de 90 minutos. Portanto 10 minutos melhor do que a decisão pela igualdade gerou.

Esse pequeno experimento teórico ilustra muito bem o que ocorre no Brasil desde a redemocratização a partir da segunda década dos anos 1980.

Sempre houve grupos de interesses que buscaram ao longo da história brasileira obter vantagens do Estado, entretanto éramos uma sociedade elitista, onde o grosso da população não tinha consciência da farra e nem representação política para buscar seu quinhão.

Isso mudou a partir do fim da ditadura. A pedra angular que marca o início dessa nova era é a Constituição de 1988, também conhecida como a "Constituição Cidadã. Educação, saúde, segurança, transporte, alimentação, moradia e o voto passaram a ser universais e direito de cada trabalhador. "Todo o poder emana do povo ...." // "...garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,..."// " salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo,.."

Não se discute a boa intenção dos arquitetos da nossa carta magna, mas como diz o velho ditado: De boas intenções o inferno esta cheio. Algumas das maiores atrocidades da história humana foram cometidas em nome das boas intenções, a priori. 

Na prática criou-se ambiente similar ao do nosso exemplo do grupo de corredores. Em nome da igualdade, a performance econômica do país e consequentemente o nível e qualidade do nosso produto passou a ser pautado por aquilo que o menos capaz consegue entregar.

A proteção a nossa industria, obstruiu o investidor e o consumidor de ter acesso ao estado da arte produzido no exterior. As escolas públicas, independente do nível de ensino que entrega, tem acesso aos mesmos recursos. Uma imensa renda é sugada da sociedade, através de tributos, e repassada sob a forma de assistencialismo, acostumando mal o assistido e diminuindo verba de investimentos que estaria, em última instância, gerando empregos para termos menos pessoas precisando de assistência.

A natureza nos fez diferentes. É na diversidade que mora os incentivos a inovação e a ambição do progresso. A pobreza absoluta deve ser combatida, mas o combate da pobreza dos que estão em idade para trabalhar mas não trabalham, dos que podem pagar por sua educação mas não pagam, dos que podem ter boa saúde mas não querem, dos que podem pagar por uma entrada inteira mas pagam meia, dos que podem administrar seu dinheiro de forma racional mas não o fazem, está condenando a todos a mediocridade.
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

MANSUETO ALMEIDA, ANDRÉ LARA RESENDE E MEUS COMENTÁRIOS

Um dos meus economistas favoritos, Mansueto Almeida do IPEA fez em seu Blog uma crítica bem interessante e construtiva àcerca do artigo do André Lara Resende - O mal estar contemporâneo - publicada no Valor econômico de sábado (06/07).

Sem pedir permissão ao Mansueto vou colar aqui na íntegra o excelente post dele publicado no blog no dia 07/07. Por favor vejam meus comentários acerca de dois pontos abordados por ele no Post, a saber: A viabilidade de fazer, num curto espaço de tempo, o povo compreender a necessidade de alterar o atual pacto social que governa o país (universalismo assistencialista) e sobre a crítica ao consumismo atacado pelo Lara Resende em seus últimos artigos.


O debate econômico no país da meia-entrada

Ao contrário do que costumo fazer, hoje vou escrever para sugerir, enfaticamente, que vocês visitem o site do sociólogo, Simon Schwartzman, e leiam o que Samuel Pessoa (economistas do IBRE-FGV) e colunista da Folha escreveu sobre o artigo do economista André Lara Resende que foi publicado na sexta-feira no Valor Econômico. Vou colocar o link no final deste post, mas antes faço algumas observações.
Primeiro, todos sabemos que André Lara Resende é um economista brilhante que junto com Pérsio Arida , Edmar Bacha, Francisco Lopes, Gustavo Franco entre outros foi uma das cabeças por trás da concepção do Plano Real. No entanto, confesso que concordo com todos as críticas que Samuel escreveu no pequeno texto no blog do Simon Schwartzman.
Segundo, a discordância de Samuel em relação ao artigo do Lara Resende concentra-se em três pontos: (i) Lara Rezende acredita que o Nacional Desenvolvimentismo era um projeto que combinava uma rede de proteção social com a industrialização forçada. Da mesma forma que Samuel, não concordo com essa interpretação e existe até uma literatura nova que se chama “O Novo Estado Desenvolvimentista” que mostra bem a diferença entre um modelo que prioriza industrialização forçada (que foi o nosso velho estado desenvolvimentista) versus outro no qual a politica industrial e de promoção setorial competem por recursos com politica social – tem três bons textos sobre isso: dois do Peter Evans e outro do David Trubek. O nosso modelo dos anos 70 não foi ativo em politica social. 
(ii) Samuel discorda da ideia que a maior parte do que o Estado arrecada de nossa elevada carga tributária se transforma em aumento do consumo do governo – ineficiência da máquina pública. É como se o Estado fosse uma grande máquina inchada e que para reduzirmos o gasto público precisaríamos, apenas, de um fabuloso gestor privado. Isso é pura ficção. O Brasil gasta muito com transferências e consegue-se explicar quase todo o aumento do gasto público desde 1990 olhando apenas para as contas públicas ligadas as transferências (previdência e gastos sociais com LOAS, Bolsa Família, seguro desemprego e abono salarial).
É nesse segundo ponto que aparece o “problema da meia-entrada” que Samuel explica e que vem sendo popularizada em um texto do Marcos Lisboa e Zeina Latif. O Estado, no Brasil, gasta muito porque fizemos opção por várias “meias-entradas”, mesmo que essas decisões (como bem lembra meu amigo e ex-presidente do IPEA Fernando Rezende) estejam sujeitas a problemas de assimetria de informação e atuação de grupos organizados (aqui que entra o problema de ação coletiva da Mancur Olson). Nas palavras de Samuel: “a própria sociedade, e não um estamento apartado da sociedade, que se beneficia das meias entradas”.
Concordo com isso. Não foi uma elite dominante que ainda sofre influência do Estado Português colonial que decidiu sobre “nossas jabuticabas”. Infelizmente fomos “nós” com todas os vícios e imperfeições de nosso processo político e a atuação de grupos de pressão. Por isso que Samuel fala, e concordo com ele, que uma forma de tentar corrigir o problema do excesso de “meias-entradas” é deixando claro o custo das políticas: se as pessoas tomam consciência do link entre o que pagam de impostos e como o dinheiro é aplicado isso pode começar um interessante debate que poderia levar a uma reforma tributária e fiscal.
(iii) Por fim, o último ponto que Samuel discorda é que André Lara Resende  associa os movimentos das ruas às necessidades de moderar a demanda por crescimento econômico em função das limitações de recursos naturais do planeta. Lara Resende tem essa ideia fixa que o mundo se aproxima de um limite ao consumo e, assim, precisamos aprender a viver com menos e priorizar qualidade de vida e não mais o crescimento. Acho uma tese interessante, mas tenho uma imensa dificuldade de concordar com essa ideia e não vi ninguém nas ruas defendendo essa tese.
Querer melhor qualidade de vida não significa reconhecer as limitações de recursos naturais do nosso planeta. Na verdade, nós brasileiros adoramos gastar, algo que o próprio Lara Resende reconhece na sua entrevista hoje à jornalista Alexa Salomão, no Estado de São Paulo, quando fala de nossa “estrutural insuficiência de poupança”. – clique aqui para ler a matéria do Estadão.
Já falei muito. Clique aqui e vá ao Blog do Simon Schwartzman para ver a discordância do economista Samuel Pessoa do texto escrito por André Lara Resende e publicado no Valor Econômico (texto do valor aqui). Boa leitura porque esse é um excelente debate, independentemente de você concordar com um ou com o outro.


Agora aqui a explanação dos meus contrapontos.

Mansueto, se o ser humano já apresenta vieses comprovados que dificultam o entendimento das consequências não intencionais de políticas públicas (o livro do Kahneman, Thinking Fast and Slow, trata com maestria o tema) e, no caso brasileiro, ainda padece de ínfimas ferramentas cognitivas (temos mais de 70% de analfabetos funcionais, infelizmente é um fato), como vamos esperar que deste mesmo povo venha a compreensão e pressão esperada para fazer as reformas que você e o Samuel descrevem ?
A verdade é que temos grupos de interesse com poder de vocalização que obstrui qualquer avanço rápido em termos de adoção das pautas corretas. Minha avaliação é que o amadurecimento institucional para isto só virá (e se vier, isto não é uma certeza) na mesma velocidade que andarem a nossa educação.
Com relação à crítica do consumismo preconizado pelo Lara Resende. Uma análise mais detida, lendo o livro dele “Os Limites do Possivel” dá para entender (e concordar com o ponto dele). Vou tentar resumir aqui meu entendimento àcerca dos argumentos dele: (1) A ciência econômica não pode ter como “drive” o formalismo matemático per si, para isto o cientista social precisa sempre que possível beber de outras fontes. (2) Diante do exposto, ter tão somente o crescimento do PIB como Norte é “too narrow”. Evidências empíricas já demostram que a partir de determinado nível de renda (àquele que supre as necessidades primárias e secundárias) o aumento da felicidade só ocorre através da diminuição das desigualdades. (3) O equilíbrio está a meio caminho entre poupadores contumazes (Alemães e Chineses) e gastadores tresloucados (Gregos e Americanos), caso contrário viveremos de crises em crises e a função do economista é oferecer remédios para estes desequilíbrios. (4) A transferência de renda intergeracional também refletida nas dívidas gigantescas dos países gastadores não é sustentável. Diante do exposto é que a questão da austeridade, como barreira ao consumo irrefreável (leia-se consumismo) vem à tona na tese colocada pelo André. Sugiro a leitura do livro dele e caso não comungue desta mesma interpretação, ficarei contente em receber seu e-mail.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A VERDADE NUA E CRUA

A Constituição de 1988, pode ser bonitinha, bem escrita, símbolo da redemocratização e coisa e tal, mas no frigir dos ovos trata-se de uma utopia.

Os constituintes gostariam de transformar o Brasil no verdadeiro país das maravilhas onde a saúde, a educação, o transporte, a aposentadoria por tempo de serviço ou invalidez e toda rede de segurança para os desempregados fossem universais. 

Só que para ser universal o país ou tinha que ter uma população bem menor, ou mais dinheiro, ou prover os tais serviços do jeito que fosse possível, traduzindo: Mal e porcamente.

O pior é que teve gente que acreditou que esta fábula fosse possível. Talvez num breve período que coincidiu com o mandato do presidente Lula (exatamente, o barbudo tirou o bilhete premiado) onde nossas commodities minerais e agrícolas (vejam gráficos abaixo) tiveram valorizações superiores a 250% no mercado internacional proporcionando dinheiro farto para bolsas famílias, alargamento do crédito, equacionamento de dívida externa e até acumulo de reservas, criou-se a esperança de que poderíamos ser sim, uma Noruega dos trópicos.

Mas nada é para sempre. A economia capitalista é cíclica e o tempo de vacas gordas uma hora acaba. Nessa hora, como diz Warren Buffet é que a maré baixa e aparecem quem estava nadando nú. Pois bem e agora ? Agora temos que fazer nossas escolhas.

Como diz o economista Samuel Pessoa, está na hora de rever o contrato social. Certamente o Estado não tem como prover para uma massa de quase 200 milhões de pessoas saúde, educação, transporte, previdência e segurança de graça. E ainda ser dono da Petrobrás, da Eletrobrás, da Caixa Econômica, etc,...

O Estado vai ter que privatizar, diminuir ministérios, igualar  100% o regime previdenciário do setor público ao do setor privado, investir em infra-estrutura, diminuir burocracia, desregulamenar o setor de saúde, atrair mão-de-obra qualificada do exterior (No Brasil o número de médicos formados estrangeiros é de 1,5%, nos EUA é de 25%, na Inglaterra 34%), e principalmente fazer uma reforma política bem feita e ampla. Não dá pro cidadão votar no Tiririca e eleger mais 4 deputados de roldão, quê isso ? 

Nosso sistema político está esquizofrênico. Os políticos não têm ideologia, não têm bandeira, não fiscalizam nada, não são punidos, votam os próprios salários, empregam amigos, amantes e familiares, superfaturam obras de forma descarada e exagerada (só para a Copa das Confederações a previsão de gastos iniciais já estourou em mais de 100%. É a mais cara da história). Criam partidos como criassem empresas de faixada e trocam de legendas como trocassem de cueca.

Avançamos muito pouco quando poderíamos ter avançado muito. Precisamos de um choque de realidade para não cairmos na armadilha do "Desta vez é diferente ". 
Gráfico 1 – Índice de preço das commodities agrícolas - 1990-2014* (índice 2005=100)
GRAF2
Gráfico 2 – Índice de preço das commodities minerais - 1990-2014* (índice 2005=100)
GRAF3
fonte: Blog do Mansueto Almeida.

domingo, 21 de abril de 2013

CHINA, TIC-TAC-TIC-TAC,..

Para quem gosta de usar a China como exemplo de como o Estado pode ser ativamente benéfico para a economia, aí vão algumas notícias pouco auspiciosas:

1) A verdade é que a China iniciou sua trajetória de crescimento fantástico quando introduziu regras de capitalismo de mercado e retirou o Estado da equação, não o contrário. A famosa frase de Deng Xiaoping de que não importava a cor do gato desde que ele comesse o rato marca o início da experiência por volta de 1978. Entre aquele ano e 2004 a participação do emprego estatal caiu de 53% para 13% do setor não agrícola.

2) Em que pese o progresso tecnológico e os bons resultados em educação fruto de eficientes investimentos, a China ainda desfruta de uma imensa cratera de produtividade que, embora bem menor, ainda existe quando comparado com os países em estágio mais avançado de desenvolvimento. Mas, as frutas  maduras ao alcance das mãos estão ficando cada vez mais escassas e novos saltos no produto per capita exigirão uma renovação da abordagem até então usada. Copiar/Piratear produtos, contar com um exército de mão-de-obra ociosa, barata e passiva, assim como gozar da vista grossa da comunidade internacional para as políticas econômicas que visam criar competitividade artificialmente não serão mais facilmente toleradas;

3) A corrupção que permeia toda a estrutura de governo faz parecer o mensalão gorjeta de garçom. Semanalmente pipocam na mídia episódios horrendos envolvendo alto dirigentes do partido participando de extravagâncias nababescas com o dinheiro público - como o filho de um membro do politburo morto em acidente quando dirigia sua ferrari de U$300 mil dólares ou quando do assassinato  de megaempresário britânico pela esposa de outro figurão do partido (Bo Xilai). Aqui a frase de lord Acton cabe como uma luva: "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente".

4) As finanças chinesas não são muito claras, principalmente quando se trata do registro de empréstimos  para empresas e pessoas em geral. A qualidade destes empréstimos é lastimável com taxas de inadimplência dignas de subprime. As torneiras do dinheiro farto foram abertas quando estourou a crise financeira de 2008 e estima-se que diversas bolhas foram formadas na esteira do afrouxamento capitaneado pelo Estado. Um imenso setor financeiro que opera à sombra das estatísticas oficiais periga a estourar a qualquer momento com risco quase certo de contaminar as contas do Estado.

5) O setor imobiliário Chinês convive com anomalias próprias de um capitalismo "torto". Quando os preços não seguem a lógica dos fundamentos de mercado, os agentes ficam desorientados, aumentando oferta quando não existe demanda e investindo em ativos cuja taxa de retorno é negativa. Este é o retrato dos pesados investimentos em infra-estrutura em geral e no mercado imobiliário em particular. Fotos de pontes imensas desertas, apartamentos luxuosos vazios e trens circulando sem uma única alma são assustadoras e correm pela rede para quem quiser ver.

6) A demografia chinesa é outro grande problema.  A população envelhece e a política de um filho só, assim como o assassinato de milhares de recém-nascidos, assim que eram identificadas como do sexo feminino, praticados durante anos, provocou sérios desequilíbrios na reposição populacional. Pressões no setor de saúde, no mercado de trabalho e em serviços voltados para os mais velhos farão com que o Estado tenha que destinar verbas cada vez mais pesadas para estas áreas.

A diminuição do crescimento chinês já é uma realidade e a tendência por tudo que se viu aqui é de que o ajuste se intensifique. Hoje o pib per-capita chinês é 17% do americano. Considerando que em 1980 mal chegava a 2%, o crescimento entre 1980 e 2010 foi impressionante. Todo este monumental processo deveu-se basicamente à diminuição das distorções existentes na alocação de recursos em um país que se encontrava, à la Cuba, mergulhada em uma economia socialista ineficientíssima. Conforme já passificado na literatura de desenvolvimento econômico, trata-se de um caso clássico de "catch up". Para seguir em diante, a inovação, as instituições que permitem o processo de destruição criadora e o conseqüente aprofundamento do capitalismo de mercado livre deverão se fazer muito mais presentes. Do contrário cairão na famosa armadilha da renda média.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

FRASES QUE ODEIO

Nós seres humanos somos criativos para tudo, inclusive para cunhar frases de efeito. Vamos dar uma olhada em algumas usadas no dia a dia supostamente para explicar os motivos de uma derrota, as razões para abandonar uma luta, as desculpas por não ter conseguido uma vitória ou o porquê de determinado insucesso.

Qual é a quê você mais detesta ?

  1. Aqui sempre foi assim.
  2. Eu fiz apenas o que me mandaram fazer.
  3. As coisas são do jeito que são.
  4. Não adianta nem tentar.
  5. Isso é impossível.
  6. Ninguém conseguiu, por que você acha que contigo vai ser diferente ?
  7. Já era.
  8. Foi pura falta de sorte.
  9. Ninguém podia imaginar.
  10. Eu te avisei.
  11. Pelo menos você participou.
  12. Hoje não era o seu dia.
  13. Deixa pra lá, esquece.
Thomas Hobbes escreveu que a humanidade possui uma inclinação natural, perpétua e incansável de desejar o poder, o status, sentimentos estes que só cessam com a morte. Quando compramos aquele carro que estávamos há tempo espreitando, começamos a aspirar uma nova casa, depois um celular mais moderno, uma viagem para Paris, um novo emprego e assim por diante, num ciclo infindável de desejo, ambição e insatisfação com o status quo.

Ao contrário do que provavelmente o padre ou o pastor da sua igreja ira dizer, assim como os moralistas da família ou aquele livro de auto-ajuda, não há nada de errado com esta insaciabilidade. Sem ela não iríamos adquirir conhecimento e a força de vontade necessárias para superar as adversidades colocadas no caminho da nossa espécie desde os primórdios até os dias de hoje. A sobrevivência assim com a melhoria contínua da qualidade de vida dependem deste ciclo ininterrupto de ambição e desejo.

Se de uma hora para outra a humanidade se contentasse com o que já tem seria o início do fim.

Dito isto de forma mais geral, precisamos no entanto avaliar o caso individualmente. Mesmo que você seja o Bill Gates certamente haverá desejos que não poderão ser alcançados. Seja num relacionamento amoroso, numa partida de tênis ou numa oportunidade de negócio, a frustração pelo fracasso se fará presente algumas vezes.

O professor de filosofia e ciência social, Robert E. Goodin, ressalta em seu recente livro On Settling, a importância de se ajustar a problemas não resolvidos até para continuar lutando por novos outros problemas. Algo como esquecer ou deixar "guardado" aquela venda que você perdeu para um concorrente, por exemplo, para conseguir concentrar o foco e as forças na reforma do apartamento. De acordo com o Goodin, para se lutar arduamente por um objetivo você antes têm que se livrar daqueles outros que eventualmente você não teve sucesso.

Este comportamento deve ser praticado para que o fantasma do problema não resolvido não te assombre quando você precisa de entusiasmo e confiança para a nova luta. É como se um ente querido que desapareceu e que não pode ser declarado como morto. Enquanto a notícia definitiva não vem todos os seus planos e instintos estão "aprisionados" e não se voltam para os novos desafios.

Não se trata de admissão de incapacidade ou derrota, apenas uma recalibragem de esforço ao fim do qual o antigo problema poderá ser retomado. Fazendo uma analogia simples, é como numa prova de vestibular, quando você se depara com uma questão que não consegue resolver. A melhor coisa a fazer é partir com tudo para as próxima questões e ao final voltar para tentar a solução do problema ignorado. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O PROTECIONISMO E O MERCOSUL CONDENAM O BRASIL A MEDIOCRIDADE.

O Mercosul reúne sob uma mesma união aduaneira, Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela. Qualquer acordo comercial com um país fora do bloco deve passar pelo crivo de todos os 5 integrantes. Agora me diga, qual a chance de sair do papel qualquer acordo relevante com uma nação que tenha representatividade em termos de volume de comércio internacional, estando o Brasil lado a lado com a Argentina de Cristina e a Venezuela de Chaves ? Eu lhes digo: A chance é zero !! Aliás, já que o Mercosul é um bloco muito mais ideológico do que comercial, podemos sim talvez tentar acordos com Cuba e a Coreia do Norte quem sabe...

Atualmente temos 3 acordos assinados - Palestina, Israel e Egito - e enquanto isso Chile, Colombia e México (outros países latinos que possuem base produtiva semelhante a nossa) celebram acordos com Europa, EUA, Oceania, Coréia do Sul, Japão e assim por diante. Os EUA iniciou negociações com a União Européia para assinar tratados de livre comercio entre eles. O detalhe é que os americanos são nossos concorrentes em produtos agrícolas no mercado internacional, no caso então do acordo europeu-americano sair perderemos mercado para a soja e milho deles.

Os EUA fazem parte do NAFTA que engloba o Canadá e o México numa zona de livre comércio, diferentemente do Mercosul, tal arranjo permite que seus membros negociem isoladamente acordos mundo afora.

A literatura econômica é farta na produção de textos que descrevem o quanto o comércio é benéfico para o desenvolvimento de uma sociedade. Hoje quase que a totalidade dos produtos vendidos em um Shopping Center por exemplo é o resultado do trabalho de trabalhadores de diversos países, seja de uma costureira no Paquistão a um agricultor no Vietnã, seja de um engenheiro na Alemanha a um advogado no Brasil, seja de um designer francês a um químico americano, enfim todos eles provavelmente contribuíram para que a camisa que você comprou para dar no aniversário do seu filho se tornasse uma realidade.

O modelo de desenvolvimento observado geralmente segue um roteiro similar. O país protege sua indústria nascente, provendo-a com subsídios financeiros, acesso garantido a insumos baratos, barreiras contra a concorrência externa, investimento em pesquisa, "vista grossa" contra quebras de patentes e pirataria dos produtos que ela deseja desenvolver internamente. Até que com o tempo a empresa nacional adquire musculatura corporativa e capacidade de inovação que permite-a concorrer no mercado global. Deste momento em diante o protecionismo praticado pelo país em questão vai dando paulatinamente lugar a uma maior abertura ao comércio internacional. Este modelo foi executado pela Holanda no século XVI, Inglaterra nos séculos XVII e XVIII, EUA no século XIX, Japão e Coréia no século XX e China nos dias de hoje.

O Brasil tentou algo parecido por aqui no que se convencionou chamar de industrialização por substituição de importação (ISI) que perdurou de meados da década de 50 até finais dos anos 80. Entretanto o nosso empresariado, assim como as instituições governamentais não se prepararam como deveria e a abertura do país aos fluxos internacionais de comércio não aconteceu. Continuamos, à despeito da derrubada de barreiras tarifárias e não tarifárias ocorridas de forma irregular desde o governo Sarney, sendo um país muito fechado. (levando-se em conta o volume de importação com relação ao PIB somos o mais fechado entre as nações da OMC).

A educação de qualidade, a infra-estrutura eficiente, o ambiente de negócios desburocratizado e ágil, o arcabouço tributário simples e barato e o acesso a financiamentos de longo prazo amplo não se desenvolveram a contento neste período da ISI.

Pesquisas empíricas comprovam que mesmo quando uma abertura comercial ocorre de forma unilateral ela é mais benéfica do que permanecer fechado ao comércio internacional. O acesso a produtos de tecnologia superior e a preços comparativamente mais baratos permite aumentar a produtividade do mercado  doméstico, controlar a inflação e melhorar o bem estar do consumidor.

O Brasil precisa urgentemente se inserir nas correntes internacionais de comércio. No ano passado foram impostas barreiras à importação de aço, 100 produtos tiveram o imposto de importação aumentados e pra quê ? O que isto trouxe de desenvolvimento aos setores agraciados ? O que isto gerou de emprego e de inovação ? Não podemos cair mais uma vez na armadilha de achar que aqui as coisas são diferentes. De que os livros de economia e os estudos empíricos não servem no nosso caso. Esta postura já nos trouxe a década perdida, a hiper-inflação e as crises da dívida externa, além de um ambiente de negócios repleto de grupos mais focados em fazer loby do que investir em Pesquisa e Desenvolvimento.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A IDIOTICE POR TRÁS DA IDÉIA DO CONSUMISMO

Alertas sobre o apocalipse gerado pelo excesso de consumo se espalham por todo o mundo, economistas, antropólogos, políticos, sociólogos, biólogos, geógrafos, meteorologistas, astrólogos, e toda sorte de especialistas que fazem seus prognósticos pessimistas sobre o futuro basicamente adotando sempre uma premissa: Caso brasileiros, chineses, indianos e todos os outros países ditos em desenvolvimento consumir no mesmo padrão do americano médio vamos precisar de 5,6,7 ou até mesmo oito planetas.

Vamos combinar uma coisa: Isto é um tremenda idiotice e não passa de um alarmismo de quinta categoria que não resiste a 10 minutos de reflexão séria. A idéia toda começa com a velha condenação do materialismo, a tal crítica de que o ser humano cada vez mais se acha feliz pelo que têm e não pelo que é. Pura babaquice ideológica! A bíblia já pregava a chegada do apocalipse como uma espécie de punição ao luxo, ao excesso de desejos puramente materiais.

Pois bem, a ambição, a vontade de se diferenciar dos demais pelos ornamentos, de ter atributos materiais exclusivos é um traço evolutivo, há mais de 200 mil anos atrás aquele que tinha a caverna mais aconchegante, por assim dizer, e que conseguia as melhores caças levava a fêmea mais desejada para procriar e ser feliz. Os espécimes que tinham esta característica se mostraram mais aptos à sobrevivência e foram os que prevaleceram. Hoje somos filhos deste pessoal e temos impresso em nosso DNA este atributo.

Este traço é que levou a humanidade a inventar, produzir, prosperar. O fogo, a lança, o arco e flecha, a roda, a agricultura, a pólvora, o papel, a arma de fogo, as caravelas, a máquina a vapor, a eletricidade, o trem, o telégrafo, o automóvel, o telefone, a linha de produção, o avião, o microondas, a pizza, o futebol, o computador, a internet, o i-phone e todos as outras milhões de invenções, descobertas, inovações foram conseqüência desta busca incessante pela distinção, pela riqueza, pelo poder de ter cada vez mais meios de comprar tempo livre para se dedicar ao prazer.

Prosperidade é tempo livre. Hoje o homem moderno não precisa fazer suas próprias roupas, buscar e filtrar sua própria água, caçar e matar para ter comida, cortar lenha para se aquecer, andar armado para não ser morto, escrever cartas para enviar notícias a familiares distantes, ordenhar vacas para ter leite. Todo o tempo que nossos ancestrais gastavam para desempenhar tais tarefas não lhes proporcionavam muito tempo livre para ver um filme, ler um livro, namorar ou ficar mesmo sem fazer nada, apenas pensando na vida.

O terrorismo que se faz apregoando a escassez do planeta para atender ao desejo infinito do ser humano não leva em consideração a inventividade e adaptabilidade deste mesmo ser humano. O economista nascido no século XVIII, Thomas Malthus, alertava para a impossibilidade de se produzir comida no mesmo ritmo de crescimento que a taxa de natalidade. Para ele a comida crescia numa progressão aritmética enquanto que a população em progressão geométrica. Embora toda a perspicácia do argumento Malthiusiano, o desenvolvimento e inovação na indústria de alimentos foram tão grandes que hoje não só já ultrapassamos os 7 bilhões de habitantes deste lindo planeta como ainda nos damos o "prazer" de desperdiçar aproximadamente 47% dos alimentos produzidos. (conforme estudo recente da BBC).

No Brasil temos mais de 40 milhões de recém chegados a classe média ávidos por poder desfrutar de seu primeiro carro, sua primeira viagem ao exterior, seu primeiro micro-ondas, sua primeira televisão de LED, seu primeiro tablet, e isto, senhoras e senhores, é o quê precisamos cada vez mais e não menos. É o consumo que dispara o investimento, que traz emprego, que traz renda e que traz mais consumo, num ciclo virtuoso de riqueza. E a riqueza traz sim felicidade, porque ela proporciona educação de qualidade, saúde, roupas, carro, acesso ao lazer, a cultura, faz bem para auto-estima e acima de tudo, permite ao indivíduo a querer cada vez mais e sonhar cada vez mais alto. Isto é o combustível do progresso. É o filme que já tiveram protagonistas como os EUA, a Inglaterra, o Japão, a Alemanhã, a Suiça, e por aí vai.

Não existe tal coisa de consumismo tresloucado que levará ao fim do mundo. A falha está na premissa de que a produção não se adequaria a maior demanda levando a uma espécie de superutilização dos recursos naturais, o que provocaria a extinção de animais, árvores, ar puro, rios e etc,... Ora quando o oléo de baleia começava a dar sinais de escassez no século retrasado, seu preço aumentou informando aos interessados que alguma coisa precisava ser feita, surgiu então  o petróleo como substituto e o querosene passou a ser utilizado na iluminação em substituição ao óleo do mamífero marinho. 

O mecanismo de mercado - preço determinado pelo equilibrio entre oferta e demanda - tratará de fornecer os incentivos necessários para provocar os ajustes que fará o Chinês tão rico quanto o americano a consumir um veículo elétrico ou utilizar um trem bala aconchegante ao invés de um SUV à diesel por exemplo. Ou um brasileiro a querer assistir a um jogo de futebol ao vivo comendo sanduíche de carne ao invés de assistir pela televisão 3D de LED-lítium comendo pipoca de micro-ondas e bebendo coca em lata. Sei lá quais serão as inovações que um novo Steve Jobs acabará fazendo para adequar os padrões de consumo às futuras restrições, só sei que o desejo do ser humano, assim como sua imaginação e capacidade de realização andam juntas e são infinitas. Graças a Deus.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O PESADO FARDO QUE O BRASILEIRO CARREGA

No livro "Teoria dos sentimentos morais" Adam Smith, o pai da economia, destilou argumentos perspicazes para ilustrar a natureza egocêntrica do ser humano e usar pela primeira vez o termo "mão invisível". No livro ele constrói diversos dos conceitos que  mais tarde utilizaria em sua obra máxima, fundadora da moderna ciência econômica, "A riqueza das Nações". Uma passagem marcante deste último ilustra como o mercado verdadeiramente funciona:
 "...O homem, entretanto, tem necessidade quase constante da ajuda dos semelhantes, e é inútil esperar esta ajuda simplesmente da benevolência alheia. Ele terá maior probabilidade de obter o que quer, se conseguir interessar a seu favor a auto-estima dos outros, mostrando-lhes que é vantajoso para eles fazer-lhe ou dar-lhe aquilo de que ele precisa. E isto o que faz toda pessoa que propõe um negócio a outra."
"...Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse..."

A análise fria e sistematizada, feita por Smith, do funcionamento do mercado, das instituições, do comportamento econômico e, em última instância, do que traz riqueza a uma nação inaugurou uma nova forma de investigação das engrenagens sociais. Com o objetivo de elucidar o resultado das interações entre os agentes econômicos, Smith lançou mão de modelos de análise que iam do micro para o macro, verificando como os fenômenos realmente ocorriam na vida real e não como deveriam ocorrer. Seu método veio fundamentar o método empírico de estudo no âmbito das ciências sociais. Era uma tentativa, portanto, de aplicar à economia o que na época Isaac Newton  fizera de forma revolucionária à física, descrevendo as leis que governavam a natureza na linguagem exata da matemática.

Esta tradição de análise inaugurada por Smith em 1776 é que é a responsável por todo o conhecimento amealhado pela ciência econômica até os dias de hoje. Através dela é que as boas políticas econômicas levadas a termo pelos Governos devem se basear, como por exemplo a compreensão já pacificada que  o mercado é o modo mais eficiente de dirimir os problemas da alocação eficiente dos recursos. Nada foi criado pelo homem que resolva esta questão de forma mais satisfatória, a maioria dos problemas nascem quando os governos tentam sanar as falhas (sim ele tem falhas) do mercado se intrometendo onde não é aconselhável, pois o custo gerado por esta invasão geralmente é maior que o mal que ele tentou evitar. (principalmente quando desembocam em regimes ditatorias altamente perniciosos à sociedade)

Podemos medir o grau de intromissão do Estado na economia por diversas métricas. Uma bem utilizada é o percentual de impostos sobre o PIB. O coeficiente ideal geralmente leva em conta o perfil demográfico do país e o seu nível de renda per capita. Para o Brasil por exemplo este indicador não deveria superar 25%, pois é, mas aqui a carga tributária chega a 38% do PIB. (13 pontos percentuais a mais do que máximo aconselhável).

Vamos fornecer outros números para diagnosticar o espaço ocupado pelo nosso Estado. 
  • Nos últimos 15 anos (segundo dados da FGV) o setor público absorveu 66,8% da riqueza produzida no país, restando para o setor privado 33,2%.
  • Existem 39 ministérios ou secretarias com status de ministério;
  • 22% da população economicamente ativa trabalha para o Governo (no Chile este número é de 10%)
  • Cargos nomeados (ou de confiança - aqueles ocupados sem concurso público) são da ordem de 600.000. Nos EUA por exemplo este número é de 2.000, França e Alemanha 500, na Inglaterra 100.
  • Conforme dados da Transparência Brasil gasta-se R$6,6 milhões por ano com cada deputado e R$ 33 milhões com cada senador. É o parlamento mais caro do mundo (e olha que estes números já devem ser maior porque o estudo pega como base o ano de 2007).
Qualquer dos parâmetros que descrevi dá uma noção assustadora da obesidade do nosso Estado. O problema fica ainda mais flagrante quando avaliamos o retorno em serviços que recebemos. Estradas esburacadas, filas imensas para se ter atendimento médico, educação esdrúxula, violência, ausência de saneamento básico, aeroportos sucateados, previdência social cara e deficitária, energia cara e um espetáculo diuturno de corrupção nos telejornais. Parece que tudo em que põe a sua mão (bem visível por sinal) o Estado brasileiro mais estraga do que conserta ou desenvolve. Como diz um renomado economista brasileiro. "É uma carga tributária sueca e uma qualidade de serviços nigerianos."







domingo, 9 de dezembro de 2012

EDUCAÇÃO BRASILEIRA - UM RETRATO DA DESGRAÇA

De todos os problemas urgentes que o Brasil precisa resolver para se tornar uma nação desenvolvida o mais importante disparado é sem dúvida a educação. Conforme realçado no excelente livro "Linhas de Falha" do economista Raghuram Rajan: 
"A educação desempenha um papel muito maior do que simplesmente melhorar a renda de um indivíduo e as suas perspectivas profissionais: ela tem um valor intrínseco, permitindo-nos fazer uso de nossas melhores capacidades. Além disso, as pesquisas demonstram que as pessoas de boa formação em geral cuidam melhor de sua própria saúde, são menos propensas a se envolver com atividades criminosas e têm maior tendência a participar de atividades cívicas e políticas. Adicionalmente, induzem seus filhos a fazer o mesmo, de modo que sua formação tem efeitos benéficos também sobre as gerações futuras."

Existe uma máxima que diz que aquilo que não é medido não é melhorado, portanto a primeira coisa a saber quando queremos avançar é conhecer de onde estamos partindo, no caso da educação no Brasil, estamos iniciando de uma posição bem retardatária, funda e apagada. Vamos então a alguns números que retratam o cenário de desgraça. (A maioria da estatísticas foram retiradas do magnífico livro "O quê o Brasil Quer Ser Quando Crescer" do economista Gustavo Ioschpe, que todo brasileiro deveria ser obrigado a ler, da coluna do economista Naércio Menezes Filho no Valor Econômico e em pesquisas de minha própria autoria em institutos estatísticos especializados)

De acordo com dados do INAF (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional) realizado pelo Instituto Paulo Montenegro, temos no Brasil 74% de analfabetos funcionais (isso mesmo não se assuste não é erro de digitação, 74%), pessoas que não tem capacidade de ler e interpretar um parágrafo de  jornal. Segundo o mesmo instituto 77% da população não consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação ou entender tabelas e gráficos. Dados da Unesco relatam que 31% de nossos alunos da primeira série do ensino fundamental são repetentes (para se ter uma idéia na China e na Russia esta taxas são de 1% e em países industrializados de 0%). Na segunda série mais 20%, ou seja, é possível que já nos primeiros dois anos mais da metade dos alunos já tenham repetido de ano.

O SAEB é um sistema de avaliação do ensino básico e mede a qualidade da educação da quarta, oitava e decima primeira séries. Na edição e 2003 apontou que 95% não tinha desempenho adequado em leitura e que desde 1995 os resultados médios só caem, tanto em Português quanto em Matemática. O PISA (programa internacional de avaliação de alunos) da OCDE avaliou jovens de 15 anos de 40 países e ficamos em último lugar em Matemática e 37º em leitura.

Em pesquisa recente realizada pelo Banco Mundial com escolas Públicas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais mostraram que apenas 62% do tempo de aula é efetivamente utilizado para o ensino (comparados a 85% nos países bem sucedidos da OCDE), o resto do tempo é gasto com chamada, atrasos, manter a classe em silêncio ou o professor está fora da sala. Em 2010, tínhamos cerca de 10% da população adulta com diploma de curso superior (no México é 15% , Chile 25% , Coréia 40%).

Em recém implantado exame pelo conselho regional de medicina de São Paulo para recém formados, 54% foram reprovados. Em direito, pela OAB, 84% e em contabilidade, pelo CRC, 60% dos contadores não passaram na prova.

Os dados mostram sistematicamente que nosso ensino é de péssima qualidade,  que gasta mal seus recursos (que ao contrário do senso comum recebe um bom volume de dinheiro, no mesmo nível de países campeões de ensino), que treina pouco e mal seus professores, que administra a performance sem premiar o mérito e desperdiça tempo com outras tarefas fora do propósito principal que é de ensinar.

Uma grande trava para se avançar na educação são os diagnósticos errados do problema, geralmente contaminados de conteúdo ideológico e interesses escusos: O professor ganha mal, as salas estão superlotadas, as escolas não dispõe de recursos suficientes, os pais não se envolvem, os professores sofrem violência em sala de aula. Tudo balela que não encontra base na realidade, os dados empíricos e a comparação com outros países apontam para outras  causas totalmente diversas.

O fato é que é possível melhorar muito com o que já temos. Premiar os bons professores e punir os maus, focar o ensino e as avaliações nas disciplinas básicas (ciências, matemática e leitura), passar mais tarefas de casas e corrigir os erros, montar aulas de recuperação e reforço para os potenciais repetentes, estimular a leitura, procurar demonstrar aos alunos a aplicabilidade prática do conteúdo ensinado, acabar com a praga da cola são algumas das recomendações que já produziram excelentes resultados em outros lugares e aqui mesmo no país.

O conhecimento fornece significado às coisas, desenvolve o senso crítico e capacita o ser humano a exercer sua liberdade em sua plenitude. O Brasil só será alguma coisa se começar a resolver este problema persistente e estrutural de nossa história.

FECHADO PARA O COMÉRCIO, FECHADO PARA O FUTURO

O Brasil é um país "ultramegasuper" fechado, seu coeficiente de importação (volume importado  sobre o PIB, tendo o ano de 2011 como referência) é o menor do mundo. (Pelo menos entre os países de que se tem dados disponíveis). É sabido que o país se industrializou utilizando o modelo de substituição de importações onde o governo protegia determinados setores, fechando seu mercado a concorrência estrangeira e fornecendo subsídios para que grupos internos desenvolvessem sua produção dentro do país. Ok, até que este expediente funcionou com algum sucesso até meados da década de 70, mas atualmente a história é bem outra.


É lamentável que após mais de 200 anos da teoria das vantagens comparativas, em que o economista inglês David Ricardo comprovou que a melhor forma de uma nação prover produtos de qualidade e baratos para seu povo é se especializando em determinadas atividades na qual possui uma vantagem, comparativa aos demais países concorrentes, e comercializando-as em troca daqueles bens produzidos, seguindo a mesma ótica, em países estrangeiros. 


Por aqui nossos governantes têm a pretensão de que sejamos auto-suficientes em tudo, de A a Z. Fica mais eficiente, portanto, ao empresário nacional ir chorar pro governo por um aumento do imposto de importação aqui, uma cota de importados ali, uma barreira sanitária mais acolá do que investir em inovação, modernizar a gestão ou criar alternativas que aumentem a qualidade de seus produtos e melhorem a sua competitividade.

Ao final desse jogo, em que o Governo se dispõe a ouvir e atender ao loby das empresas ineficientes e do empresário que recorre a esse expediente sempre que esta perdendo mercado à concorrência estrangeira, só temos um perdedor: O consumidor brasileiro. Ele vai pagar mais caro por um produto de pior qualidade. É um ciclo vicioso que impõe pressão sobre a inflação e amarras à produtividade.

É preciso visão estratégica e muito poder de oratória os políticos (sem falar em   desapego a ideologias e dogmas esquerdistas) para convencer as massas eleitorais de que no curto prazo haverá empresas quebrando e desemprego subindo no processo de abertura das barreiras protecionistas, mas ao final sairemos com maior capacidade competitiva, mais crescimento e um mercado consumidor mais exigente e bem atendido.

Em recente matéria a conceituada revista The Economist reporta o novo bom momento por que passa o México e com futuro ainda mais alvissareiro. Na última década o México se abriu para o comércio internacional fazendo mais de 44 acordos de livre comércio mundo afora, além de já ser parte do Nafta. (o bloco econômico composto pelo México, EUA e Canada). Amargou a concorrência chinesa que desde a entrada do país asiático na OMC tirou mercado da indústria mexicana e jogou o país, nos primeiros dez anos do século XXI, numa onda de crescimento fraco, média 1,6% (menos da metade do Brasil no mesmo período). 

Após o choque de competitividade a indústria mexicana passou pela famosa "destruição criativa" (termo cunhado pelo célebre economista austríaco Joseph Schumpeter para descrever o processo de inovação nas economias de mercado onde o novo e mais eficiente dá lugar ao velho e atrasado) e hoje produzir no México (quando você coloca custo de salário, logística e flutuação do cambio) passou a ser mais barato, para os norte americanos, do que na China, na India ou mesmo no Vietnã. O México passou pela forja dos guerreiros, saindo mais forte e mais competitivo para lutar na batalha contínua e cada vez mais árdua pelo mercado global. O país já forma anualmente mais engenheiros do na Alemanha. Honda, Nissan, Mazda, Audi e diversas outras empresas automobilísticas estão ampliando ou instalando parques fabris onde mais de 80% dos componente serão produzidos no interior das fronteiras mexicanas.

Agora o que é mais assustador. Já existem não pouco especialistas apontando o México como a maior economia da América Latina, destinada a tirar o Brasil deste posto nos tempos que virão. Este ano eles deverão crescer acima de 4%, enquanto aqui ficaremos no máximo em 1,5% e para os próximos o novo presidente eleito, Enrique Peña Nieto, espera alcançar taxas de crescimento superior a 6% até o fim de seu mandato. 

Enquanto isso vamos nos contentando em assistir na televisão o tempo todo comerciais das concessionárias trombeteando : Venham, venham, não percam a promoção deste último final de semana com IPI reduzido !!!  Pelo Amor de Deus ...


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PRODUTIVIDADE, PORQUE A BRASILEIRA É TÃO RASTEIRA ?

A grande pirâmide de Gizé, no Egito, considerada uma obra de engenharia soberba e a única das sete maravilhas originais que ainda sobrevive, foi erguida por volta de 2.550 a.c. e levou cerca de 20 anos para ser construída. Aproximadamente 100.000 homens trabalharam em sua construção. Compostas por 3 milhões de blocos de pedra, cada um pesando 2,5 toneladas a pirâmide era considerada a obra mais alta do mundo até a inauguração da Torre Eiffel em 1889. Podemos apenas tentar imaginar o imenso esforço desprendido por aqueles trabalhadores em condições terríveis de labuta onde a força bruta era o maior dos recursos.


O Burj Khalifa Bin Zayid, ou se você preferir em árabe, برج خليفة , é atualmente o arranha-céu mais alto do mundo. Construído em Dubai, possui 828m de altura (Gizé tinha originalmente 147m) e levou 5 anos e 4 meses para ser erguida. Foram cerca de 12 mil trabalhadores envolvidos no projeto. A torre possui 160 andares e tem duas vezes o tamanho do Empire State de Nova York. Seu exterior é coberto com cerca de 28 mil painéis de vidro. "Fomos atingidos por raios duas vezes, houve um grande terremoto no ano passado originado no Irã, e tivemos todos os tipos de vento atingindo o prédio durante a construção. Os resultados foram bons e eu cumprimento os arquitetos e profissionais que ajudaram a construí-lo."  Disse Mohamed Ali Alabbar, diretor da Emaar, empresa responsável pela construção. A título de curiosidade observe na figura abaixo a diferença em altura, numa escala apropriada, entre as principais construções do mundo.

O que explica tamanha diferença entre os recursos empregados (100 mil contra 12 mil trabalhadores) e o tempo de construção (20 contra 5 anos e  4 meses) nestas duas obras ? (Vamos desconsiderar o fato que na pirâmide não havia a preocupação de construir elevadores, estrutura de telefonia, internet e um sem número de ambientes internos para empresas.) Obviamente você pode  citar milhões de explicações (guindastes, tratores de última geração, mão de obra qualificada e bem paga, condições seguras de trabalho, tecnologia de ponta, materiais de construção pré-moldados, instrumentos de precisão, etc,...). Mas em economia colocamos tudo isso em uma só palavra: PRODUTIVIDADE.

Produtividade é o que importa, em última instância, como fator de competitividade e riqueza entre as nações. É o quanto os fatores de produção, trabalho e capital, entregam de PIB por unidade empregada. E o Brasil vai muito mal das pernas nesse quesito.

Para ficar apenas em 2 exemplos antes de apresentar os números de produtividade especificamente do trabalhador brasileiro, podemos mencionar o processo de apuração de impostos e o da eficiência dos nossos portos.

Pesquisa do Banco Mundial com 183 países revela que o Brasil é disparado o que mais leva tempo para se apurar os impostos a pagar. São 108 dias no ano, ou 2.600 horas homem. O segundo colocado para se ter uma idéia é a Bolivia que demora 45 dias ou 1080 horas. (não existe páreo para nós, praticamente somos de outro planeta) O 10º da lista é Camarões que leva 27 dias ou 653 horas. Não vou nem mencionar os EUA ou China, para não deprimir muito.

Num estudo conduzido pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil atingiu a honrosa 130º posição entre 142 países avaliados no quesito qualidade portuária. Diversos ítens foram avaliados, tais como tempo médio de espera para atracação (você já dever ter visto reportagem das filas de caminhoões em Paranagua esperando semanas para embarcar soja), Desperdício de cargas, movimentação de conteineres, entre outros.

De acordo com a instituição americana de pesquisa The Conference Board o brasileiro ocupa a 15º colocação na América Latina entre 17 países da região (estamos  a frente apenas de Bolivia e Equador). Em escala mundial ficamos em 75º de 122 países.

A explicação passa pela educação de má qualidade, excesso de burocracia, protecionismo, infra-estrutura caótica, baixo investimento, carga tributária escorchante, inchaço do setor de serviços e instituições frágeis ou ausentes. Além é claro do nosso velho e pesado Leviatã, super ativo e ineficiente na nossa economia.

Nas próximas publicações falaremos em detalhes destes problemas que emperram a produtividade do brasileiro, fazendo com que ele seja tão eficaz quanto aqueles trabalhadores egípcios que construíram a pirâmide em 2.550  anos a.c.


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