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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A HIPÓTESE DA INCOMPETÊNCIA COMO EXPLICAÇÃO DO DESEMPENHO MEDÍOCRE DA ECONOMIA BRASILEIRA



O renomado macroeconomista brasileiro José Alexandre Scheinkman, professor de Princeton, afirmou em recente entrevista para a Folha (clique aqui) que a incompetência e a ideologia do governo explicam as ações (e omissões) equivocadas que vem provocando verdadeiros estragos na economia do país.


Erros de diagnósticos feitos pelo governo quando da crise de 2008 acarretaram a administração de remédios errados. Ali diferentemente das economias atingidas diretamente pela crise, não tínhamos restrição de demanda e risco de deflação, além disso com as taxas de juros internacionais atingindo patamares negativos, continuamos recebendo grandes volumes de capital externo. Diante deste cenário o relaxamento da política monetária é que deveria ser o carro chefe. "Ocorre que a reação da política econômica brasileira foi a de se comportar como a crise ameaçasse deixar o Brasil numa situação semelhante à dos países centrais...Como se houvesse o risco de uma situação de estagnação keynesiana, o Brasil reagiu a crise com uma política fiscal agressiva de aumento dos gastos públicos, principalmente através dos gastos correntes do governo". É o que afirma André Lara Resende num capítulo de nome sugestivo A oportunidade perdida: o equívoco da resposta à crise do seu paper "A Armadilha Brasileira".


Numa decomposição do PIB do último mandato de FHC e dos dois mandatos presidenciais de Lula, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa mostram que a diferença do maior crescimento apresentado no governo petista é quase que inteiramente explicado pela PTF - produtividade total dos fatores (capital, capacidade total instalada e trabalho são praticamente idênticas). O importante a se realçar é que este indicador é geralmente impactado por reformas feitas em períodos anteriores defasados no tempo (outros estudos mostram por exemplo que foram as reformas do PAEG introduzidos no governo Castelo Branco que levaram ao milagre econômico), ou seja, foram basicamente as reformas na área de crédito, serviços e  de cunho fiscais feitas na época de FHC que provocaram a melhoria institucional  e maior crescimento nos 8 anos de Lula. (leia o paper aqui)

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As constantes desonerações tributárias para agradar setores com poder vocal relevante também produziram seus estragos. Além das distorções de preços e de incentivos perversos (fica o mau exemplo para quem ainda não foi pedir agrado ao governo que vale a pena fazer pressão à gastar com inovação por exemplo) no longo prazo o populismo tributário sem a correlata diminuição dos gastos tem efeito de expansão fiscal, produzindo pressão inflacionária e necessidade de mais aperto monetário no futuro. Um artigo interessante dobre o assunto escrito pelo economista Fabio Kanczuk pode ser lida aqui.

As políticas protecionistas também são outra marca forte da equipe econômica. Exigências de conteúdo nacionais, aumento de alíquotas de importação e imposição de barreiras não tarifárias são lançadas a todo momento. O resultado é um pais com o menor índice de importação (relativo ao PIB) do planeta e uma estrutura industrial cada vez menos integrada às cadeias de excelência internacional. Edmar Bacha relata alguns exemplos e suas pérfidas conseqüências para o país aqui e aqui e aqui.


Poderíamos discorrer aqui sobre diversos outros temas onde o governo atuou de forma lastimável, evidenciando que a hipótese da incompetência da equipe econômica é a que mais se aproxima do diagnóstico correto quando se avalia as causas do pífio desempenho brasileiro, especialmente do período Mantega em diante. Maquiagem das contas públicas, controle dos preços da gasolina, leniência com a inflação e escolha de campeões nacionais via BNDES são alguns dos exemplos mais flagrantes.


O resultado da barbeiragem aparece de forma cada vez mais acentuada nos diversos indicadores de conjuntura. Resta saber agora se o indicador político mais importante, as urnas, também se manifestará de forma negativa e derradeira para reprovar os atuais condutores desta forma de se fazer economia. É o velho desenvolvimentismo pairando novamente aqui na terra brasilis.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

DILMA FAZ FORÇA PARA NÃO SE REELEGER

Pelo visto a economia neste primeiro mandato da era Dilma será mesmo um horror.

Vamos começar pelo PIB. O economista do IPEA Mansueto de Almeida publicou este gráfico em seu Blog:


Crescimento do PIB por mandato presidencial – 1995-2014*
conjuntura02
OBS: Crescimento real projetado para o PIB em 2013 e 2014 de, respectivamente, 2,5% e 3,3%.
Em 4 anos, Dilma conseguirá crescer, na média, o mesmo que os 8 de FHC. Ocorre que FHC vinha de um Brasil destroçado pela inflação, enfrentou crises de dívida aqui e lá fora (México, Rússia, Asia) e em sua época o Brasil não gozava do status de país em desenvolvimento, queridinho dos investidores, nem tampouco de uma oposição omissa, como hoje usufrui o PT.
O gráfico abaixo mostra trajetória do superávit primário do Setor Público, nota-se que a turma do Mantega também vem detonando com este importante indicador. Vale ressaltar que desde a implantação em 2000 pelo governo FHC da Lei de Responsabilidade Fiscal, nunca tivemos números tão fracos.



Por último a inflação:
Não vamos nem mencionar a era FHC, já que foi ele como ministro da Fazenda que em 1994 implantou o Plano Real, que deu fim ao apocalipse da carestia. Seu governo foi uma espécie de plano estratégico de consolidação para a cicatrizarão das feridas provocadas por tanto tempo de hiperinflação e dos planos tresloucados para debelá-la. Na era Lula a inflação foi de 5,7% na média. Dilma nestes mais de 2 anos de governo apresenta uma média de 6,2%.
EPÍLOGO:
As contas externas vem se deteriorando com o saldo da balança projetando valores abaixo de U$10 bilhões (pior marca em 12 anos). Investimento anêmico e produção industrial pífio são mais alguns dos péssimos resultados trazidos pela turma do Mantega.
A última súbida da Selic em 0,5%, superando as expectativas do mercado, parece demonstrar que finalmente Mantega perde o poder supremo de condução da economia Dilminiana, em favor do pessoal mais técnico do BC.
A oposição, fosse ela mais agressiva e incisiva, acionava as trombetas pelos 4 cantos do país, denunciando a incompetência e esgotamento do modelo petista. Dados para provar é o que não faltam. Espero apenas que a popularidade da ex-guerrilheira se torne mais coerente com a realidade dos números da economia. Afinal de contas o povo, como dizem os populistas, entendem mais através do bolso...

domingo, 14 de abril de 2013

SÓ FALTOU KARL MARX...


Retirada da Isto é Dinheiro.

Todos os homens da presidenta

Com o preço do tomate nas alturas e a inflação temporariamente fora da meta, Dilma Rousseff reúne seus conselheiros econômicos para debater o assunto. Cabe ao BC não sucumbir às pressões do mercado de elevar os juros

A convite da presidenta Dilma Rousseff, três pesos-pesados da economia, além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, participaram de um almoço no Palácio da Alvorada, na segunda-feira 8. A inflação, que voltara a ser assunto no País inteiro, foi um dos temas debatidos pelo heterogêneo trio de economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Delfim Netto e Yoshiaki Nakano, todos conselheiros da anfitriã. Logo na entrada do cardápio, o tomate-vilão-da-inflação estava literalmente à espera dos convidados, na bandeja. Ao contrário do que faria uma dona de casa comum, a cozinha presidencial não substituiu o tomate, cujo preço subiu 122,13% nos últimos 12 meses. 
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Pesos-pesados: Delfim, Belluzzo e Nakano (no banco da frente) deixam o Palácio da Alvorada
após almoço com Dilma Rousseff e Guido Mantega

quinta-feira, 7 de março de 2013

ATÉ NO JORNAL NACIONAL, MANTEGA !!!

Hoje assistindo ao Jornal Nacional, escuto nosso dileto ministro da Fazenda, Guido "pibinho" Mantega dizer que os serviços públicos são eficientes e que a bandeira desse governo é baixar a carga tributária como o fez em várias ocasiões ao longo de 2012.

O ministro já foi chamado atenção pela presidente Dilma para "maneirar" em suas declarações públicas - antes já havia dito que o aumento da gasolina e do diesel não incomodava ninguém e que projeções de bancos de investimento que apontavam crescimento de 1% no começo do ano passado só poderiam ser piada.

A carga tributária encerrou 2012 com um recorde histórico de 36,3% do PIB. O Governo licita portos, aeroportos e rodovias reconhecendo que não tem como gerenciá-los e nem dinheiro para modernizá-los, entrega lucro e produção decadentes na Petrobrás e esculhamba com o setor energético do país para vir no Jornal Nacional dizer que diminuiu imposto e que os serviços por ele prestado são eficientes ?? Depois vai reclamar que a imprensa, em especial a internacional, está pedindo sua cabeça...

Na mesma edição do telejornal é apresentada reportagem dando conta que apenas 10,3% dos jovens concluem o ensino médio sabendo matemática (dados de 2011), Português é um pouquinho melhor, 29%. Sendo que 2009 este números eram 11% e 29%, respectivamente. PIORAMOS. Ou seja, num país que quer estar entre as 5 maiores economias do mundo, 90% dos seus futuros profissionais que estão às portas do ensino superior sequer conseguem interpretar um gráfico ou fatorar um polinômio.

Ministro! Isto chama-se deficiência, e qualquer tentativa de desmentir ou negar esta realidade é o primeiro passo para continuar onde estamos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PETROBRÁS OU PETROMONSTRO ?

Roberto Campos costumava chamar a Petrobrás de petrossauro, tal era o estado de ineficiência e atraso que se encontrava a empresa sob a gestão do poder público nas décadas de 70 e 80.

Hoje chamá-la de dinossauro seria elogioso. Para descrevê-la com mais precisão talvez devêssemos imaginar um mostro de 7 cabeças (mas todas elas sem cérebro), 6 patas, 2 rabos, cego e surdo. É a petromonstro.

Em 3 anos a empresa perdeu 46,5% de valor de mercado, as ações despencam mês após mês, com investidores estrangeiros se desfazendo das ações da petroleira. No segundo trimestre deste ano ela apresentou o primeiro prejuízo desde 1999 no valor de R$1,3 bilhões de reais. Este ano ela perdeu o posto para a AMBEV de maior empresa do país, em valor de mercado. Na américa latina ela saiu de primeira para terceira, ficando também abaixo da colombiana ecopetrol.

Desde 2010 a petromonstro esta com a produção estagnada, as plataformas da bacia de campos perderam mais de 22% de eficiência produtiva. Para se ter uma pequena noção do descalabro que uma gestão petista pode fazer, vamos pegar o exemplo da construção da refinaria de Abreu Lima em Pernambuco. A obra era para ser concluída em 2010, passou para 2014 e os custos inicialmente previstos em U$2,3 bilhões foram aumentados para U$ 20,1 bilhões (uma explosão de gasto 10 vezes maior). No Rio de Janeiro, máquinas importadas pela estatal para construção da refinaria do comperj estão paradas desde 2011 no porto porque até o momento não se sabe como transportá-la até o destino. Esta obra por sinal já esta U$ 10 bilhões acima do orçamento original.

Nesta segunda será apresentado os resultados aos acionistas referentes a 2012. Analistas esperam que o lucro tenha encolhido aproximadamente 40%, a dívida deverá estar por volta de 3 vezes superior a capacidade de geração de caixa e em quase 33% do patrimônio líquido, lembrando que se este indicador superar 35% a estatal perderá seu grau de investimento (investment grade). A agência de classificação de risco MOODY'S já inclusive colocou-a sob perspectiva negativa. Caso isso venha a ocorrer, a petromonstro passará a pagar um custo maior para se financiar no mercado.

Em qualquer lugar do planeta uma empresa para dar lucro deve vender a um preço maior do que ela compra. Pois é, a Petromonstro parece não pertencer a este mundo. Com a produção em queda e o consumo em alta (com o governo baixando o IPI de automóveis, abrindo a porteira do crédito ao consumidor e segurando o preço da gasolina, não poderia ocorrer outra coisa) a estatal tem que importar cada vez mais combustível, só que ela compra por um preço e vende por outro mais baixo, resultado: Só este ano calculá-se o déficit neste tipo de operação em aproximadamente U$ 20 bilhões. (populismo puro) Agora perceba a lógica bizarra desta prática: A Petrobrás que deveria dar pulos de alegria quando o preço do petróleo aumentasse - afinal de contas o maior ativo dela se torna mais valioso - fica na verdade mais triste pois quando isso acontece o prejuízo dela piora. Outro detalhe, as constantes medidas do governo para valorizar o dólar (desvalorizar o cambio) também encarece as importações para a estatal (é o Mantega dando um tiro no próprio pé).

Esta semana foi autorizado pelo governo que a Petrobras aumente o preço da gasolina em 6,6% e o óleo diesel em 5,4% quando analistas calculam que deveria ser, caso ela seguisse a lógica livre de mercado, de pelo menos 15%. O governo determinará que a partir de maio o alcool adicionado a gasolina seja aumentado de 20% para 25%.  O governo também quer que o gás importado pelo estatal seja direcionado para as termeletricas que estão suprindo a deficiência energética por conta da falta de chuvas que comprometeram a geração das hidrelétricas. Notou o quando de "governo" mencionei só nesse parágrafo ? A petromonstro não dá uma piscada sem a benção dele. Ora porque será que a AMBEV, de capital privado, passou nossa querida estatal ? (PRIVATIZE JÁ !!!)

Esta semana esta sendo veiculado na imprensa que a Petrobrás tem atrasado o pagamento de diversos fornecedores. As licitações da estatal estão paradas desde 2008. Os mais de U$120 bilhões levantados junto ao mercado em 2010 já foram gastos seguindo plano ditado pelo Governo. Ela só pode comprar equipamentos nacionais ou que não contenham mais de 40% de conteúdo estrangeiro. A presidente da empresa Graça Foster afirmou que as metas de investimento e rentabilidade desenhadas sob a presidência de seu antecessor, Sergio Gabrieli, não se basearam na realidade. 

Diante de todo este cenário de horror, o que os funcionários da estatal fazem ? hora-extra ? esforço de contenção de gastos ? Campanha de sugestões e idéias de inovação para reanimar o resultado da empresa ? Não. Agendam greve. Com a finalidade de mudar os parâmetros do pagamento do bônus (PPL). Por que será ? Por que a empresa não aproveita e faz um PDV para enxugar custos de mão-de-obra ? Simples, porquê é uma empresa pública e seus funcionários não podem ser mandados embora. Ora porque será mesmo que a AMBEV, de capital privado, passou nossa querida estatal ?

A petrobras se tornou uma empresa que não segue a lógica universal do mercado, da economia. Ela  é mais um instrumento de palanque e de marketing para o PT do que uma empresa que investe em inovação e tecnologia. Ela é lugar para políticagem e políticos, para nepotismo e  para o populismo... Enquanto isso nossos diletos representantes no congresso nacional se degladiam para  estabelecer com quem vai ficar os roylaties do Pré-Sal.  


sábado, 5 de janeiro de 2013

SUPERÁVIT PRIMÁRIO MAQUIADO E UM ANO PARA ESQUECER

Para fechar o ano com chave de ouro, nossos condutores da economia no planalto de Brasília, avacalharam com a contabilidade pública para maquiar  o principal indicador de solvência do país, o Superávit Primário.

Uma sucessão de descalabros foram cometidos no intento de melhorar o tal índice. No último dia do ano o governo foi buscar 12,4 bilhões de reais do fundo soberano (81% do seu montante), 4,7 bilhões da Caixa Econômica Federal, sob a forma de antecipação de dividendos e mais 2,3 bilhões do BNDES também sob a forma de antecipação de dividendos. Para "legitimar" as operações, diversas portarias foram editadas separadamente e publicadas no dia 3/01/2013 com data retroativa. Parece até com aquele adolescente moleque que quer esconder algo e apronta as trapalhadas escondido dos olhos paternos.

No melhor estilo Cristina Kirchner, a presidenta argentina que manipula descaradamente os índices de inflação do país, a equipe econômica brasileira lança mão de uma contabilidade criativa (para dizer o mínimo) a fim de alcançar os 139,8 bilhões de reais da meta do superávit. Lembrando que para atingir o objetivo o governo já havia abatido deste valor 32 bilhões usados no PAC, medida polêmica que já havia sido alvo de críticas de todos os lados.

A forma como foram sacados o valor do fundo soberano foi ainda mais espúria. Dos cerca de R$15 bilhões que o fundo tinha em carteira, R$9 bilhões eram em ações da Petrobrás (aliás este fundo soberano é uma piada de tão péssimo gosto que merece ser assunto de um outro post neste blog). Pois bem se o governo fosse a mercado para vender as ações, iria provocar uma baixa no valor de mercado da petroleira, então vendeu para o BNDES que quitou as operações com título públicos. Estes foram transformados em dinheiro pelo tesouro e contabilizados como caixa para compor o superávit. 

Já o dinheiro que veio da Caixa Econômica também percorreu caminhos nada convencionais, pois foi feito com carimbo de "antecipação de dividendos", sendo que até setembro a caixa registrou lucro de 4,1 bilhões e pagou valor recorde  de 7,7 bilhões de dividendos ao Governo. Para não permitir que o banco público ficasse em desacordo com as normas de exigência mínima de capital e paralisasse as operações de empréstimo, o Governo antecipou um aporte de capital de R$5,4 bilhões programado para 2013. O mais esdrúxulo é que parte desta capitalização foi feita com ações detidas pelo BNDESpar - braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - e repassadas ao Tesouro.

Pois bem; agora a caixa econômica federal é sócia de frigorífico, processadora de minério, fabricante de autopeças, empresa de calçados, refrigeradores, entre outras. Ao todo a injeção extra de dinheiro nos cofres do Tesouro somaram 19,4 bilhões de reais. Todo este vai e vem de títulos, ações e dinheiro foi executado no apagar das luzes de 2012, sem que ninguém do governo viesse a público explicar a engenharia.

O Superávit primário é um importante marco na história econômica recente brasileira, seu monitoramento para atingimento das metas estipuladas juntamente com o sistema de câmbio flutuante e  o regime de metas de inflação formam o famoso tripé que, em conjunto com a Lei de responsabilidade fiscal, foram tão importante na estabilização pela qual passou o Brasil no difícil caminho percorrido para mostrar aos investidores,  credores e público em geral que o plano Real tinha vindo para ficar, assim como a austeridade fiscal necessária para sua solidificação. Este legado tão arduamente conquistado levou o Brasil a ter suas finanças públicas respeitadas mundo afora a ponto de ser um dos principais destinos do investimento estrangeiro, de não ter qualquer problema para vender seus papéis de dívida em moeda nacional a custos módicos e de ter alcançado o importante grau de investimento.

Não se sabe exatamente a intenção de tais manobras contábeis, se era para esconder o péssimo desempenho fiscal (até novembro o Brasil não vinha sequer com 2% de superávit no acumulado de 12 meses) o tiro saiu pela culatra. O fato é que fechamos 2012 com um PIB de 1%, inflação de quase 6%, investimento e produção industrial em queda, câmbio que já deixou de ser flutuante há muito tempo e, mesmo com todo arsenal protecionista do governo, a balança comercial encolhendo 10 bilhões de reais em comparação a 2011. Enfim vamos ver até quando a popularidade nas alturas da presidenta Dilma vai persistir com esta administração pavorosa da nossa economia. Os resultados já estão aí para mostrar a (falta de) qualidade da atual gestão.



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FORA MANTEGA !!

A maior e mais prestigiada revista de economia do mundo - The Economist - fundada em 1843, lida por investidores, empresários e autoridades por todos os quatro cantos do planeta sugeriu a nossa dileta presidenta que trocasse o time que rege a economia em terra verde e amarela.


A sugestão veio logicamente com base em argumentação arguta, ácida e de certa forma cínica que já faz parte do DNA do periódico semanal inglês. As constantes opiniões super-otimistas do ministro e sua equipe, o ar arrogante e as reações pouco educadas às críticas recebidas, o excesso de políticas heterodoxas na condução da economia são algumas das falhas apontadas na reportagem que justificariam a demissão do comandante da pasta da fazenda, ministro Guido Mantega.

Sem entrar em querelas de cunho xenófobo ou discurso nacionalista de defesa à soberania brasileira, até porque seria ridículo e estéril enveredar por tal seara, precisamos analisar objetivamente a performance do ministro que esta tendo sua permanência contestada à luz dos resultados entregue versus o que foi prometido, diante da percepção dos agentes econômicos e da imprensa especializada qual deve ser o destino do nosso prezado Mantega ?

Temos que analisar, como em qualquer empresa de qualquer tamanho e de qualquer ramo de atividade, para que ele foi contratado e se tinha poderes suficientes para entregar o resultado pretendido.

Ficou claro, desde o início, que para o governo petista o foco é o crescimento, o investimento e a retomada do crescimento da "sofrida" indústria nacional. Ainda que para isso a inflação, o câmbio (outrora flutuante) e as metas de gastos fiquem em segundo plano. Permanecendo na questão de aferição do desempenho do nosso caro ministro, também é amplamente divulgado o imenso prestígio de que goza o referido dono do mais alto cargo da economia no Brasil. Ele encampou poder e influencia, quase que irrestrito, nas pastas da Fazenda, no Banco Central e até no Planejamento. Até porque sabe-se que o mesmo possui visão ideológica similar a da nossa presidenta no que tange ao funcionamento da economia - Nada melhor você dizer aquilo que seu chefe quer ouvir.

Bom então vamos agora a frieza dos números. O Brasil deve fechar o ano com um crescimento ao redor de 1% versus 4,5% que o Ministro declarou no inicio do ano. Com relação ao investimento o planejado até novembro era gastar 90,4 bilhões de reais sendo que o efetivado foi de 39,7 bilhões (nem nota 5 atingiu neste quesito). Já a produção industrial recuou 2,9% nos primeiros 10 meses do ano.

Como se vê nosso avaliado não se saiu bem nas provas, com o agravante que países vizinhos aqui do Brasil irão crescer a taxas superiores a 4%, pra piorar,  o nosso país terminará o ano ainda com uma inflação beirando os 6%, isto graças ao congelamento do preço da gasolina que ajudou a segurar o índice. Um outro ponto gravíssimo que conta contra é a inexistência de diálogo com o setor privado, ninguém do governo, muito menos Guido Mantega, goza de bom trânsito (tampouco fez questão disso até hoje) junto ao empresariado para passar confiança aos mesmos e despertar a credibilidade necessária para levá-los a investir, até porque o próprio governo não dá o seu exemplo neste particular.

Em artigo recente publicado no jornal paulista, Estadão, Mantega reconhece que o crescimento esta demorando mais que o esperado e desenvolve a tese de que a economia esta em processo de desintoxicação (no caso as drogas tóxicas seriam os juros altos que geravam retornos financeiros fartos e fáceis e o cambio artificialmente apreciado que facilitava a compra de maquinário e insumos a preços baixos). Como se vê precisou passar 360 dos 365 dias do ano para que o Ministro assumisse que os seus vaticínios estavam fora de rota em termos temporais. Para ele, no entanto, o remédio continua sendo o correto.

Em frase famosa, Albert Einstein, um dos cérebros mais brilhantes que já existiu deu sua definição para insanidade: "Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes."

Entre manter o atual ministro e correr o risco de ver mais um ano (ou mesmo semestre) da mesma pasmaceira (antipatia e descrédito são coisas que demandam tempo para serem curadas) e colocar um outro que ao menos dialogue com os descrentes e pense ligeiramente diferente (afinal o governo esta impregnado com uma pletora de economistas desenvolvementistas. Na era Lula pelo menos tinha o Henrique Meireles) para gerar renovadas expectativas ao mercado, parece mais eficaz a segunda alternativa. Por isto a conclusão exposta no título desta postagem: Fora Mantega !!

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