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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

POR QUE DILMA MERECE O IMPEACHMENT

Não se trata da péssima avaliação de seu governo pelas pesquisas ou que, nas mesmas pesquisas, a maioria ache que ela mentiu;

Não se trata da chamada estratégia de "descontrução" promovida durante o pleito eleitoral suportado por todo arsenal da máquina em favor da atual residente do cargo que "fez o diabo" com a inocência, a dependência assistencial e a ignorância do eleitorado para ganhar votos;

Não se trata da péssima condução em todos os setores da economia que conseguiu mergulhar o país numa recessão, com inflação alta, juros altos, déficits, moeda desvalorizada, desindustrialização, aumento da carga tributária e queda na geração de empregos;

Não se trata do uso politiqueiro do setor energético que submete o país a uma crise sem precedentes nesta área, nem dos discursos conciliatórios para com terroristas ou das alianças comerciais baseada em pura ideologia;

Não se trata da falta de reformas, do desprezo pelos contratos, da queda nos investimentos, da negação patológica de qualquer culpa, de qualquer erro, da incompetência para demitir e para escolher os quadros de seu ministério ou mesmo da já famosa dificuldade de se expressar;

Não se trata do aumento suicida dos gastos públicos que culminou com a manobra imoral para mudar a lei de responsabilidade fiscal e acobertar o descumprimento das metas fiscais jogando no lixo anos de construção de um equilibrio macroeconômico conquistado à duras penas;

Não se trata nem mesmo da política de campeões nacionais que faz uso pesado de recursos do BNDES (sob sigilo), de investimentos no exterior sem a devida publicidade ou aprovação no congresso, como foi o caso do porto de Mariel em Cuba;

O impeachment de Dilma deve ser encaminhado por conta de um motivo apenas: Petrobrás. Não há elasticidade moral possível que não arrebente diante dos fatos que já sabemos.
Pouco importa as tecnicalidades jurídicas (vale lembrar que Collor foi absolvido nesta seara pelo STF), o julgamento é político. Não se achará um documento assinado por Dilma mandando pagar propina a empreiteiro ou um cheque sacado por ela na Suíça, esqueçam este tipo de prova exigida para incriminar réus em processos penais. (Não existe tal evidência)

Mas o que temos então ?

  • Dilma foi presidente do Conselho da petroleira nos anos que se desviou mais de 50 bilhões de reais;
  • Dilma aprovou o escandaloso desperdício de dinheiro público na compra da refinaria de Passadena;
  • Dilma tinha relações próximas o suficiente com Paulo Roberto Costa que foi inclusive convidado para o casamento de sua filha;
  • Dilma foi avisada pelo TCU dos sobrepreços e indícios de superfaturamento em Abreu Lima;
  • Dilma teve a campanha financiada por recursos desviados da estatal que foram parar nos cofres do PT;
  • Dilma tinha obrigação de saber que muitos bilhões (mesmo para uma empresa como a Petrobrás é muito dinheiro, compatível com todo investimento anual da companhia) estavam sendo roubados da estatal.
Ainda que não soubesse, não se pode omitir de fatos desta natureza quando se esta no comando de uma estatal do porte e representatividade de uma Petrobrás. 

Devemos nos preocupar, enquanto cidadãos, com qual tipo de representação, moral e política, o mandatário máximo da nação precisa apresentar para ser digno de ocupar o posto de presidente. É um cargo recheado de simbolismo, uma instituição por si só que serve de exemplo para todos as demais e que requer, portanto, credibilidade, probidade e liderança ética.
…convenhamos que estamos - com vários graus de tolerância - bem longe disto.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

DILMA E A PETROBRÁS

É por conta de vídeos assim que a internet e a mídia como um todo é incessantemente cassada pelos governos extremistas.

Dilma e a Petrobrás…Pra chorar !!



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CAMPANHA ELEITORAL FAZ MAL PARA O PAÍS

Ou eles estão ficando mais desonestos e ousados ou a gente é que esta ficando mais burro e conformado.

Este vídeo é um acinte ao homo sapiens.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

MAIS 4 ANOS PRA COMPLETAR O SERVIÇO

Depois de um período de ausência deste espaço tão visitado (são mais de 3 por dia), voltei pois não consegui deixar de registrar minha frustração pela escolha que nos foi imposta pela democracia brasileira no último domingo.

Nestas horas de aflição e até desespero eu me pergunto: Quem inventou esta forma de governo de merda chamado de democracia? Se um país qualquer for composto só de imbecis, como é que juntando eles para decidir algo pode sair algo diferente do que imbecilidades? Mas deixa pra lá porque nos dias que correm ela ainda é o "menos pior" que foi inventado para se governar um país. (imagine como os outros regimes não deveriam ser ?)

O fato é que foi concedido a Dilma mais 4 anos para ela completar o serviço de provar que o desenvolvimentismo deveria estar morto. Ressuscitando-o e mostrando seu repertório estatal-intervencionista ela deixará claro aos brasileiros porque ele nunca sequer deveria ter dado às caras por aqui. O estrago será grande, mas como qualquer criança que não escuta os pais, aprenderemos do pior jeito, o brasileiro é assim, tem que sentir na pele pra aprender. Foi assim com a inflação e foi assim com os planos econômicos heterodoxos, não serve a observação dos outros e tampouco os livros-textos, temos por aqui o péssimo hábito de passar pelo inferno pra constatarmos que ele é realmente quente.

Então preparem-se, aí vem o rebaixamento da nota de crédito do Brasil, o aumento de impostos, a bolsa caindo, os valores de mercado de estatais derretendo, a gasolina e energia aumentando, maquiagens contábeis parte 2, contas públicas deficitária, BNDES e bancos públicos populistas, inflação na casa de 2 dígitos, dólar testando os R$ 3,00 e corrupção ganhando as manchetes de todos os jornais.

Tudo pode piorar ainda mais se o preço do petróleo continuar desabando (o novo normal já é abaixo dos U$ 100 o barril), se os EUA aumentar os juros, se a China continuar com crescimento minguado e se o acordo de livre comércio  EUA-Europa for assinado. Todas ocorrências altamente prováveis.

O PT inflige a si próprio um auto-engano digno de revolta, pois quem pagará a conta seremos todos nós. Para o governo e seus agentes a vitória nas urnas é  a convalidação do modelo. O que nos faz concluir que o mote da campanha - Governo Novo, Idéias Novas - era só mais uma das fraudes e mentiras extensamente praticadas ao longo do pleito pelo partido dos trabalhadores.

O estrago feito por Dilma e seus asseclas em seu quadriênio inicial não chegou aos rincões nordestinos, lá o Bolsa Família amortece a realidade recessiva que já está exposta ao sul do Jequitinhonha. É como um carro sem manutenção que continua rodando, primeiro vais as pastilhas de freio e o óleo, mas precisa de mais alguns quilômetros de estrada além do prazo para danificar o motor…mas um dia este dia chega e aí o problema é que o custo do conserto sai por um preço bem mais alto.

Dilma fez tudo que um presidente poderia fazer para não ser eleita (uma amostra disso você pode ler aqui, aqui, aqui e aqui), mas uma variável macro-econômica apenas foi suficiente para lhe assegurar os 2 pp mínimos para sua reeleição: o nível de emprego. O problema é que não é uma variável qualquer, é a mais tangível para a maior parte do eleitorado. Certamente se as eleições fossem em 2015, a inapetência da política econômica teria tido tempo de alcançar a esta última sigla e causar o revés nas urnas esperados pela lógica e pelo bom senso.

Tempos sombrios nos aguardam, só espero que ataques às instituições democráticas,  tais como imprensa livre, judiciário forte, ministério público independente e estabilidade da moeda não sejam ameaçadas a ponto de colocar em risco conquistas ainda mais caras e tão bravamente conseguidas pela geração de brasileiros que nos antecedeu.

Fiquemos vigilantes e preparados para quando acordarmos para a realidade possamos retomar o rumo da prosperidade e da ortodoxia que abandonamos desde que Palocci foi sacado da Fazenda.

sábado, 22 de junho de 2013

O CISNE NEGRO QUE VEIO DAS RUAS

Cisne Negro (Consulte Preço/Disponiblidade)
O escritor, filósofo e ex-investidor Nassin Taleb cunhou a expressão Cisne Negro para descrever eventos imprevisíveis e com alto poder para provocar mudanças. O nome usado deriva da crença que existia até o ano de 1697 de que todos os animais desta espécie possuía a coloração branca, até que um navegador holandês avistou cisnes negros quando passava pela Austrália e por abaixo a certeza que se tinha até então.

O 11 de setembro com o ataque as torres gêmeas, a Primavera Árabe e, mais recentemente, a crise econômica financeira mundial, são alguns exemplos que se enquadram na categoria de Cisnes Negros.

Até iniciarmos o mês de junho o cenário para as eleições à presidência no ano que vem dava como certa a reeleição de Dilma. Os analistas políticos diziam que para haver uma mudança neste quadro seria necessário a ocorrência de um fato externo novo e muito relevante, um autêntico Cisne Negro. Só neste caso a oposição poderia se fortalecer e ganhar terreno. 

Pois bem, junho chegou e com ele além da Copa da Confederações vieram a onde de protestos mais estrondosos e geograficamente representativos da história recente do país. Se a oposição ao PT nunca foi lá estas coisas -  sempre frouxa, condescendente, permissiva, tímida e incompetente - o movimento nas ruas resolveu cobrir este espaço. Eles são a oposição que a oposição precisava.

No excelente programa Painel da Globonews desta noite o jornalista espanhol Juan Arias, um dos debatedores presente, chegou a mencionar que, tivesse o país um oposição verdadeira, estas manifestações não teriam ganhado às ruas e que uma democracia sem oposição é uma democracia condenada a morte.

Ainda que não se identifique claramente nas mobilizações um ataque ao Governo petista, e sim a todos os partidos como um todo, não dá para deixar de reconhecer que o PT, por ser o partido que ora ocupa o poder central,  acaba sendo o maior receptor do prejuízo político fruto da indignação manifestada nos protestos que vêm da rua.

A classe política está atônita, disse Murilo Aragão, cientista político também presente ao programa da Globonews. "Eles - os políticos - não vêem a hora da onda passar e apostam que por abraçar uma pauta difusa de reivindicações, as manifestações naturalmente perderão poder de mobilização e começarão a se dissipar". Disse o consultor.

É provável que realmente nos próximos dias os ânimos se arrefeçam e os protestos se esvaziem, entretanto o recado já foi dado, a marca já esta impressa na pele da classe política e quando eles começarem a subir nos palanques para pedirem votos nas próximas eleições tem que tomar muito cuidado com o que vão prometer, pois a tolerância com o mundo encantado do faz de contas parece ter acabado. 

A distância entre a realidade em que vivia os políticos e a realidade dos demais brasileiros definitivamente se encurtou. Eles devem ter finalmente entendido que o país em que ele vivem é o mesmo que o nosso.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

DILMA FAZ FORÇA PARA NÃO SE REELEGER

Pelo visto a economia neste primeiro mandato da era Dilma será mesmo um horror.

Vamos começar pelo PIB. O economista do IPEA Mansueto de Almeida publicou este gráfico em seu Blog:


Crescimento do PIB por mandato presidencial – 1995-2014*
conjuntura02
OBS: Crescimento real projetado para o PIB em 2013 e 2014 de, respectivamente, 2,5% e 3,3%.
Em 4 anos, Dilma conseguirá crescer, na média, o mesmo que os 8 de FHC. Ocorre que FHC vinha de um Brasil destroçado pela inflação, enfrentou crises de dívida aqui e lá fora (México, Rússia, Asia) e em sua época o Brasil não gozava do status de país em desenvolvimento, queridinho dos investidores, nem tampouco de uma oposição omissa, como hoje usufrui o PT.
O gráfico abaixo mostra trajetória do superávit primário do Setor Público, nota-se que a turma do Mantega também vem detonando com este importante indicador. Vale ressaltar que desde a implantação em 2000 pelo governo FHC da Lei de Responsabilidade Fiscal, nunca tivemos números tão fracos.



Por último a inflação:
Não vamos nem mencionar a era FHC, já que foi ele como ministro da Fazenda que em 1994 implantou o Plano Real, que deu fim ao apocalipse da carestia. Seu governo foi uma espécie de plano estratégico de consolidação para a cicatrizarão das feridas provocadas por tanto tempo de hiperinflação e dos planos tresloucados para debelá-la. Na era Lula a inflação foi de 5,7% na média. Dilma nestes mais de 2 anos de governo apresenta uma média de 6,2%.
EPÍLOGO:
As contas externas vem se deteriorando com o saldo da balança projetando valores abaixo de U$10 bilhões (pior marca em 12 anos). Investimento anêmico e produção industrial pífio são mais alguns dos péssimos resultados trazidos pela turma do Mantega.
A última súbida da Selic em 0,5%, superando as expectativas do mercado, parece demonstrar que finalmente Mantega perde o poder supremo de condução da economia Dilminiana, em favor do pessoal mais técnico do BC.
A oposição, fosse ela mais agressiva e incisiva, acionava as trombetas pelos 4 cantos do país, denunciando a incompetência e esgotamento do modelo petista. Dados para provar é o que não faltam. Espero apenas que a popularidade da ex-guerrilheira se torne mais coerente com a realidade dos números da economia. Afinal de contas o povo, como dizem os populistas, entendem mais através do bolso...

domingo, 12 de maio de 2013

SERÁ QUE O CARTÃO DE CRÉDITO DELA TÊM LIMITE ??


Dilma Rousseff desembarca em Nova Délhi em março de 2012 (foto: Roberto Stuckert Filho / Agência Brasil)
Segundo o Itamaraty, as 35 viagens de Dilma em 2011 e 2012 custaram R$ 11,6 milhões

...Na semana passada, os gastos da viagem de Dilma a Roma para a posse do papa Francisco geraram críticas e pedidos de explicação entre opositores. A visita, que custou R$ 324 mil, durou três dias.
Outras viagens presidenciais tiveram custos muito mais elevados. Em dezembro de 2011, uma visita de Dilma a Paris que também durou três dias custou R$ 1,23 milhão. A presidente se hospedou com sua comitiva no hotel Bristol, um dos mais luxuosos da capital francesa.
A viagem de Dilma a Londres durante as Olimpíadas, em julho de 2012, custou R$ 1,08 milhão. Em setembro de 2011, uma visita a Nova York durante a Assembleia Geral da ONU custou R$ 917 mil, gasto ligeiramente superior a visita à mesma cidade no ano passado (R$ 884 mil).
Em suas viagens, Dilma tem optado por pernoitar em hotéis, evitando se hospedar nas casas de embaixadores brasileiros.
A viagem mais barata da presidente, em junho de 2011, foi para Assunção, capital paraguaia. A visita, durante cúpula do Mercosul, durou um dia e custou R$ 84 mil.

sábado, 4 de maio de 2013

O MUNDO ENCANTADO DO PT

        Já venho falando por aqui do péssimo mandato econômico que o governo Dilma (leviatã petista) vem dispensando ao Brasil. Sua visão de mundo é tacanha e atrasada, acredita ainda que uma economia precisa de um Estado intevencionista e empresário, que deve proteger a indústria nacional, que a política monetária têm que visar o crescimento e não a inflação e que o investimento virá através do aumento da demanda. Isso tudo faz parte do país da década de 70 e 80, do tal Estado desenvolvimentista, que trouxe excesso de gastos, governo gordo, atraso e inflação, muita inflação.
       No mundo real, do mercado competitivo e eficiente, os tomadores de decisão se cercam geralmente de visões abrangentes acerca de uma estratégia, estudam possibilidades alternativas e criam um plano B caso o caminho principal seguido apresente problemas. No mundo político, principalmente do mundo petista a coisa é bem diferente. Dilma pede orientação e dá ouvidos apenas àqueles que comungam de sua mesma visão de mundo, enfim, enquanto seus conselheiros estiverem dizendo o que ela quer ouvir ótimo, senão, trocam-se os conselheiros.
        O Brasil cresce pouco e com inflação. Trata-se de um problema claro de oferta insuficiente, já que a demanda - turbinada pelo pleno emprego, juros baixos e pelo boom do crédito - anda bem aquecida. Do lado da oferta o investimento não acontece. O empresário não tira o dinheiro do bolso para aumentar sua produção. O investimento é uma das questões mais complexas em economia. Keynes já dizia que ela é ditada pelo chamado "espírito animal" do investidor. 
      Fazendo novamente a analogia com o mundo real dos mercados competitivos, do mundo privado, verifica-se que um projeto para se tornar interessante, a ponto de um empreendedor colocar dinheiro nele, a taxa de retorno têm que ser atrativa (aqui cada um tem uma preferência, mas em linhas gerais esta taxa de retorno tem que ser maior do que aquelas obtidas de forma segura nos mercados financeiro). No fundo é uma crença no futuro que no mundo frio das planilhas de investimento este é  de certa forma um reflexo do presente, esta é uma premissa basilar nos "business plans".
        Aqui começam os problemas, o quê o investidor / empresário vê no presente é um festival de canetadas, decisões de política econômica oportunistas, concessão de privilégios pra quem grita mais, subsídios pontuais, preços manipulados, enfim muita fumaça e pouca clareza. 
       Imagine você sendo um empresário que vai construir uma fábrica de embalagens do interior de São Paulo por exemplo. Em 4 anos você objetiva estar produzindo 3 mil caixinhas (destas que são usadas para leite longa vida ou sucos). Vamos listar algumas poucas barreiras para que se tenha uma idéia de como é difícil projetar a taxa de retorno nos longínquos 4 anos.
  • Qual o custo do capital ?  BNDES é a melhor opção, mas esta fonte é para poucos bem relacionados (os amigos do Rei), então têm que ver no mercado financeiro as alternativas, mas aí depende da taxa de juros básica, que depende da inflação, que depende de uma meta e mais ainda de uma banco central compromissado e autônomo para perseguir esta meta. CUSTO LEVIATÃ 1
  • Qual o custo do frete para receber a matéria prima e escoar a produção ? Depende do modal, ferroviário seria a melhor opção mas não tem oferta,  aéreo é muito caro e os aeroportos são um caos, hidroviário é inexistente e o rodoviário é única solução. Mas como estão as rodovias e o preço da gasolina e o preço do caminhoneiro ? CUSTO LEVIATÃ 2
  • Vou precisar importar máquinas, insumos e tecnologia, qual a melhor opção ? O Brasil é o país mais fechado do mundo (Coréia do Norte não conta), o custo adicionado ao preço FOB (preço em dólar no navio que trará a mercadoria para o Brasil) vai ser multiplicado por 2,5 fora o câmbio e as várias licenças e registros que devem ser conseguidos. Ou seja um produto que custe U$100 lá fora, chegará na minha fábrica por preço ao redor de R$500,00. CUSTO LEVIATÃ 3
  • Como faço para calcular os impostos incidentes da minha venda ? Aí depende. Depende se é PIS/COFINS monofásico, se têm substituição tributária, se o conteúdo importado é superior a 40%, se seu produto faz parte da cesta básica, se você pleiteou e conseguiu algum dos vários  benefícios para importar com ICMS reduzido e crédito presumido, se você vai exportar ou não, se você vai distribuir para o Nordeste, e mais uma infindável lista de condições, mas não se preocupe, no final você poderá receber a visita de um fiscal da receita e ser autuado, não importa  o quanto você tenha se preocupado e prevenido, por que é impossível estar em dia com 100% de todas as obrigações exigidas pelo mamute do Estado.  CUSTO LEVIATÃ 4
  • Qual o custo da mão de obra ? De pelo menos 100% o valor líquido pago ao empregado. Não se esqueça de provisionar as prováveis perdas com reclamações e indenizações trabalhistas. CUSTO LEVIATÃ 5
      Nas formulações dos burocratas em Brasília, eles trabalham com um modelo simplificado (ou enviesado) da realidade econômica, onde basta um alívio de impostos para um setor aqui, uma política de subsídio ao financiamento de um setor ali ou de uma reunião com empresários e muito palavrório acolá para alavancar e chegar aos 25% do PIB de investimentos. Afinal de contas o quê político entende de competição, meritocracia, orçamento enxuto, metas e gestão por resultados, eficiência operacional, corte de gastos, estrutura de capital e planejamento estratégico ??? Eles vivem fora do mercado, eles não precisam se preocupar com lucro ou com mão de obra ociosa, com perda de clientes ou com preço baixo. 
       Por isso que quanto menos interferirem melhor e se o fizerem que o façam de forma uniforme, horizontal, sem beneficiar este ou aquele setor e o façam de forma transparente e anunciada conforme um planejamento previamente divulgado. Governo é igual droga tarja preta, têm que ser administrado raramente e com muita parcimônia, caso contrário vicia e mata !!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ROGÉRIO WERNECK

Texto publicado na Folha de São Paulo e o Globo em 12 de abril deste ano pelo excelente economista da PUC-RJ Rogério Werneck.


Reeleição, a todo vapor Rogério L. Furquim Werneck*


      Pensando no imediatismo e na inconsequência que vêm marcando a condução da política econômica no País, por conta da precoce fixação do Planalto na reeleição, lembrei-me de uma passagem marcante de um livro que li há mais de 50 anos.
         Sou da época em que crianças ainda liam Julio Verne. Assim mesmo, com prenome aportuguesado, como o autor era conhecido por aqui. A volta ao mundo em oitenta dias, publicado em 1873, é um dos seus livros mais famosos. Conta as aventuras de Phileas Fogg, um solteirão inglês rico e excêntrico, que aposta com outros sócios de seu clube que poderia fazer uma viagem ao redor do mundo e retornar a Londres em apenas 80 dias. Bastam dois parágrafos curtos para situar, no enredo, o episódio de que me lembrei.
           Fogg cruza a Europa e a Ásia, atravessa o Pacífico e segue, por trem, de São Francisco a Nova York. Mas não chega a tempo de embarcar no navio em que pretendia retornar à Inglaterra. E aí se vê em dificuldades. Os navios que estavam prontos para zarpar não eram suficientemente rápidos. Os que eram, não sairiam a tempo de Nova York. Mas Fogg afinal descobre o Henrietta, um cargueiro que parecia adequado, prestes a partir vazio para Bordeaux. Era um navio típico do período de transição da navegação a vela para a vapor. Já tinha propulsão a vapor, mas ainda era dotado de velas. E, afora o casco de aço, a caldeira e a máquina a vapor, era todo de madeira.
           Fogg embarca no Henrietta e consegue desviá-lo para a Inglaterra, graças a um motim por ele fomentado. Mas a travessia acaba tendo de ser feita em meio a uma tempestade. E logo fica claro que o estoque de carvão do navio, dimensionado para uma travessia calma de Nova York a Bordeaux, era insuficiente para a viagem a todo vapor, em mar revolto, que estava sendo empreendida.
         É nesse ponto que vem o episódio que me veio à mente (capítulo 33, para quem se interessar). Com o carvão prestes a acabar, Fogg convence o capitão, a quem o navio pertencia, a lhe vender o Henrietta. E, para manter a pressão da caldeira, ordena que todas as partes em madeira do navio sejam desmanteladas e lançadas à fornalha. Quando, afinal, o Henrietta chega às Ilhas Britânicas, só lhe restam o casco, a caldeira e máquina a vapor. 
          A ideia de um navio que vai sendo desmantelado, para que seus pedaços sejam usados como combustível que o mantém em movimento, propicia excelente metáfora para perceber com mais clareza o que hoje vem ocorrendo no País. Ajuda a realçar o que há de mais errado na forma inconsequente com que a presidente Dilma Rousseff vem tentando assegurar sua reeleição a todo custo, em frenético vale-tudo.
         Não há espaço, aqui, para um balanço de tudo que já foi desmantelado para avivar a fornalha da reeleição. Mas uma lista curta teria de incluir o controle da inflação, a credibilidade do Banco Central e previsibilidade da política fiscal. Num quadro em que o dispêndio público continua a mostrar rápida expansão, já não se tem mais ideia do que será o resultado fiscal de 2013, deixado agora ao sabor de pacotes de desoneração anunciados de improviso, a cada mês, em desesperada tentativa de mascarar a inflação com medidas que implicam inflação mais alta no futuro.
         Merecem ainda destaque o abandono cada vez mais escancarado da ideia de realismo tarifário, como bem ilustram a insistência na política de preços de derivados de petróleo e a decisão populista de não repassar, aos consumidores, o custo mais alto da energia elétrica proveniente das térmicas. E há, também, outras conquistas valiosas, como a solidez dos bancos federais, sendo consumidas na fornalha da reeleição. A inconsequência na gestão da Petrobrás e do pré-sal não pode deixar de ser mencionada. Mas tem mais a ver com o vale-tudo anterior, que marcou a travessia do biênio eleitoral de 2009-2010.
        Faltam hoje 560 dias para o segundo turno das eleições presidenciais. Uma travessia de 80 semanas. E ainda há muito o que queimar a bordo. Mas em que estado estará o nosso Henrietta no final de outubro do ano que vem?
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* Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio. 

domingo, 14 de abril de 2013

SÓ FALTOU KARL MARX...


Retirada da Isto é Dinheiro.

Todos os homens da presidenta

Com o preço do tomate nas alturas e a inflação temporariamente fora da meta, Dilma Rousseff reúne seus conselheiros econômicos para debater o assunto. Cabe ao BC não sucumbir às pressões do mercado de elevar os juros

A convite da presidenta Dilma Rousseff, três pesos-pesados da economia, além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, participaram de um almoço no Palácio da Alvorada, na segunda-feira 8. A inflação, que voltara a ser assunto no País inteiro, foi um dos temas debatidos pelo heterogêneo trio de economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Delfim Netto e Yoshiaki Nakano, todos conselheiros da anfitriã. Logo na entrada do cardápio, o tomate-vilão-da-inflação estava literalmente à espera dos convidados, na bandeja. Ao contrário do que faria uma dona de casa comum, a cozinha presidencial não substituiu o tomate, cujo preço subiu 122,13% nos últimos 12 meses. 
41.jpg
Pesos-pesados: Delfim, Belluzzo e Nakano (no banco da frente) deixam o Palácio da Alvorada
após almoço com Dilma Rousseff e Guido Mantega

quinta-feira, 4 de abril de 2013

AUTOENGANO

Eles só podem estar de brincadeira. O orçamento foi sancionado hoje, quando simplesmente mais de 25% do ano já foi.
E dêem um olhada nas projeções que eles usaram como parâmetro:

"A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quinta-feira o Orçamento Geral da União de 2013, que será publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. A proposta orçamentária, aprovada por deputados e senadores no mês passado, fixou em R$ 2,27 trilhões a receita total da União, sendo R$ 610,1 bilhões para rolagem de dívidas e R$ 83,3 bilhões destinados a investimentos; crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano; taxa básica de juros (Selic) em 7,25%; inflação de 4,91%; e superávit primário, de 3,1% do PIB."

Será que eles acreditam realmente nestes números ou é um fenômeno coletivo de auto-engano ?

quinta-feira, 7 de março de 2013

ATÉ NO JORNAL NACIONAL, MANTEGA !!!

Hoje assistindo ao Jornal Nacional, escuto nosso dileto ministro da Fazenda, Guido "pibinho" Mantega dizer que os serviços públicos são eficientes e que a bandeira desse governo é baixar a carga tributária como o fez em várias ocasiões ao longo de 2012.

O ministro já foi chamado atenção pela presidente Dilma para "maneirar" em suas declarações públicas - antes já havia dito que o aumento da gasolina e do diesel não incomodava ninguém e que projeções de bancos de investimento que apontavam crescimento de 1% no começo do ano passado só poderiam ser piada.

A carga tributária encerrou 2012 com um recorde histórico de 36,3% do PIB. O Governo licita portos, aeroportos e rodovias reconhecendo que não tem como gerenciá-los e nem dinheiro para modernizá-los, entrega lucro e produção decadentes na Petrobrás e esculhamba com o setor energético do país para vir no Jornal Nacional dizer que diminuiu imposto e que os serviços por ele prestado são eficientes ?? Depois vai reclamar que a imprensa, em especial a internacional, está pedindo sua cabeça...

Na mesma edição do telejornal é apresentada reportagem dando conta que apenas 10,3% dos jovens concluem o ensino médio sabendo matemática (dados de 2011), Português é um pouquinho melhor, 29%. Sendo que 2009 este números eram 11% e 29%, respectivamente. PIORAMOS. Ou seja, num país que quer estar entre as 5 maiores economias do mundo, 90% dos seus futuros profissionais que estão às portas do ensino superior sequer conseguem interpretar um gráfico ou fatorar um polinômio.

Ministro! Isto chama-se deficiência, e qualquer tentativa de desmentir ou negar esta realidade é o primeiro passo para continuar onde estamos.

sábado, 5 de janeiro de 2013

SUPERÁVIT PRIMÁRIO MAQUIADO E UM ANO PARA ESQUECER

Para fechar o ano com chave de ouro, nossos condutores da economia no planalto de Brasília, avacalharam com a contabilidade pública para maquiar  o principal indicador de solvência do país, o Superávit Primário.

Uma sucessão de descalabros foram cometidos no intento de melhorar o tal índice. No último dia do ano o governo foi buscar 12,4 bilhões de reais do fundo soberano (81% do seu montante), 4,7 bilhões da Caixa Econômica Federal, sob a forma de antecipação de dividendos e mais 2,3 bilhões do BNDES também sob a forma de antecipação de dividendos. Para "legitimar" as operações, diversas portarias foram editadas separadamente e publicadas no dia 3/01/2013 com data retroativa. Parece até com aquele adolescente moleque que quer esconder algo e apronta as trapalhadas escondido dos olhos paternos.

No melhor estilo Cristina Kirchner, a presidenta argentina que manipula descaradamente os índices de inflação do país, a equipe econômica brasileira lança mão de uma contabilidade criativa (para dizer o mínimo) a fim de alcançar os 139,8 bilhões de reais da meta do superávit. Lembrando que para atingir o objetivo o governo já havia abatido deste valor 32 bilhões usados no PAC, medida polêmica que já havia sido alvo de críticas de todos os lados.

A forma como foram sacados o valor do fundo soberano foi ainda mais espúria. Dos cerca de R$15 bilhões que o fundo tinha em carteira, R$9 bilhões eram em ações da Petrobrás (aliás este fundo soberano é uma piada de tão péssimo gosto que merece ser assunto de um outro post neste blog). Pois bem se o governo fosse a mercado para vender as ações, iria provocar uma baixa no valor de mercado da petroleira, então vendeu para o BNDES que quitou as operações com título públicos. Estes foram transformados em dinheiro pelo tesouro e contabilizados como caixa para compor o superávit. 

Já o dinheiro que veio da Caixa Econômica também percorreu caminhos nada convencionais, pois foi feito com carimbo de "antecipação de dividendos", sendo que até setembro a caixa registrou lucro de 4,1 bilhões e pagou valor recorde  de 7,7 bilhões de dividendos ao Governo. Para não permitir que o banco público ficasse em desacordo com as normas de exigência mínima de capital e paralisasse as operações de empréstimo, o Governo antecipou um aporte de capital de R$5,4 bilhões programado para 2013. O mais esdrúxulo é que parte desta capitalização foi feita com ações detidas pelo BNDESpar - braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - e repassadas ao Tesouro.

Pois bem; agora a caixa econômica federal é sócia de frigorífico, processadora de minério, fabricante de autopeças, empresa de calçados, refrigeradores, entre outras. Ao todo a injeção extra de dinheiro nos cofres do Tesouro somaram 19,4 bilhões de reais. Todo este vai e vem de títulos, ações e dinheiro foi executado no apagar das luzes de 2012, sem que ninguém do governo viesse a público explicar a engenharia.

O Superávit primário é um importante marco na história econômica recente brasileira, seu monitoramento para atingimento das metas estipuladas juntamente com o sistema de câmbio flutuante e  o regime de metas de inflação formam o famoso tripé que, em conjunto com a Lei de responsabilidade fiscal, foram tão importante na estabilização pela qual passou o Brasil no difícil caminho percorrido para mostrar aos investidores,  credores e público em geral que o plano Real tinha vindo para ficar, assim como a austeridade fiscal necessária para sua solidificação. Este legado tão arduamente conquistado levou o Brasil a ter suas finanças públicas respeitadas mundo afora a ponto de ser um dos principais destinos do investimento estrangeiro, de não ter qualquer problema para vender seus papéis de dívida em moeda nacional a custos módicos e de ter alcançado o importante grau de investimento.

Não se sabe exatamente a intenção de tais manobras contábeis, se era para esconder o péssimo desempenho fiscal (até novembro o Brasil não vinha sequer com 2% de superávit no acumulado de 12 meses) o tiro saiu pela culatra. O fato é que fechamos 2012 com um PIB de 1%, inflação de quase 6%, investimento e produção industrial em queda, câmbio que já deixou de ser flutuante há muito tempo e, mesmo com todo arsenal protecionista do governo, a balança comercial encolhendo 10 bilhões de reais em comparação a 2011. Enfim vamos ver até quando a popularidade nas alturas da presidenta Dilma vai persistir com esta administração pavorosa da nossa economia. Os resultados já estão aí para mostrar a (falta de) qualidade da atual gestão.



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