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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

MAIS 4 ANOS PRA COMPLETAR O SERVIÇO

Depois de um período de ausência deste espaço tão visitado (são mais de 3 por dia), voltei pois não consegui deixar de registrar minha frustração pela escolha que nos foi imposta pela democracia brasileira no último domingo.

Nestas horas de aflição e até desespero eu me pergunto: Quem inventou esta forma de governo de merda chamado de democracia? Se um país qualquer for composto só de imbecis, como é que juntando eles para decidir algo pode sair algo diferente do que imbecilidades? Mas deixa pra lá porque nos dias que correm ela ainda é o "menos pior" que foi inventado para se governar um país. (imagine como os outros regimes não deveriam ser ?)

O fato é que foi concedido a Dilma mais 4 anos para ela completar o serviço de provar que o desenvolvimentismo deveria estar morto. Ressuscitando-o e mostrando seu repertório estatal-intervencionista ela deixará claro aos brasileiros porque ele nunca sequer deveria ter dado às caras por aqui. O estrago será grande, mas como qualquer criança que não escuta os pais, aprenderemos do pior jeito, o brasileiro é assim, tem que sentir na pele pra aprender. Foi assim com a inflação e foi assim com os planos econômicos heterodoxos, não serve a observação dos outros e tampouco os livros-textos, temos por aqui o péssimo hábito de passar pelo inferno pra constatarmos que ele é realmente quente.

Então preparem-se, aí vem o rebaixamento da nota de crédito do Brasil, o aumento de impostos, a bolsa caindo, os valores de mercado de estatais derretendo, a gasolina e energia aumentando, maquiagens contábeis parte 2, contas públicas deficitária, BNDES e bancos públicos populistas, inflação na casa de 2 dígitos, dólar testando os R$ 3,00 e corrupção ganhando as manchetes de todos os jornais.

Tudo pode piorar ainda mais se o preço do petróleo continuar desabando (o novo normal já é abaixo dos U$ 100 o barril), se os EUA aumentar os juros, se a China continuar com crescimento minguado e se o acordo de livre comércio  EUA-Europa for assinado. Todas ocorrências altamente prováveis.

O PT inflige a si próprio um auto-engano digno de revolta, pois quem pagará a conta seremos todos nós. Para o governo e seus agentes a vitória nas urnas é  a convalidação do modelo. O que nos faz concluir que o mote da campanha - Governo Novo, Idéias Novas - era só mais uma das fraudes e mentiras extensamente praticadas ao longo do pleito pelo partido dos trabalhadores.

O estrago feito por Dilma e seus asseclas em seu quadriênio inicial não chegou aos rincões nordestinos, lá o Bolsa Família amortece a realidade recessiva que já está exposta ao sul do Jequitinhonha. É como um carro sem manutenção que continua rodando, primeiro vais as pastilhas de freio e o óleo, mas precisa de mais alguns quilômetros de estrada além do prazo para danificar o motor…mas um dia este dia chega e aí o problema é que o custo do conserto sai por um preço bem mais alto.

Dilma fez tudo que um presidente poderia fazer para não ser eleita (uma amostra disso você pode ler aqui, aqui, aqui e aqui), mas uma variável macro-econômica apenas foi suficiente para lhe assegurar os 2 pp mínimos para sua reeleição: o nível de emprego. O problema é que não é uma variável qualquer, é a mais tangível para a maior parte do eleitorado. Certamente se as eleições fossem em 2015, a inapetência da política econômica teria tido tempo de alcançar a esta última sigla e causar o revés nas urnas esperados pela lógica e pelo bom senso.

Tempos sombrios nos aguardam, só espero que ataques às instituições democráticas,  tais como imprensa livre, judiciário forte, ministério público independente e estabilidade da moeda não sejam ameaçadas a ponto de colocar em risco conquistas ainda mais caras e tão bravamente conseguidas pela geração de brasileiros que nos antecedeu.

Fiquemos vigilantes e preparados para quando acordarmos para a realidade possamos retomar o rumo da prosperidade e da ortodoxia que abandonamos desde que Palocci foi sacado da Fazenda.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ESTA PREOCUPAÇÃO EU DISPENSO



Podemos dormir tranqüilos. Afinal temos um paizão preocupado o tempo todo em nos assistir.

Para fazer frente à ameaça de insurreições, aumentar a produtividade do trabalho e prover o exército com homens bem nutridos e cuidados, a Alemanha de Bismark, no último quarto do século XIX implantou as primeiras medidas do que veio a ser chamado mais tarde de "welfare state".

Banimento do trabalho infantil, amparo ao idoso e desvalidos foram algumas das inéditas funções adicionadas ao Estado.

Curiosamente o estado provedor, (como também é chamado em Portugal) ganhou força para afastar a ameaça socialista. Tanto na Inglaterra, quanto na Itália, França, Austro-Hungria e demais países o fenômeno se intensificou a partir das primeiras décadas do século XX para conter greves, convulsões sociais e a revolução operária propalada pelo ideário marxista.

Ocorre que pouco a pouco as preocupações estatais com a famigerada igualdade foram encampando outras áreas. As políticas de redistribuição se tornando cada vez mais vorazes (na França o imposto de renda para quem recebe mais 1 milhão de euros ao ano passou a ser de incríveis 75% ao ano) e a presença do Estado permeando várias esferas da economia. (A revolta de Atlas de Ayn Rand está próximo).

No Brasil o estado babá se preocupa com uma lista grande de "minorias": Os desempregados, os Idosos, os deficientes físicos, os famintos, os doentes, as crianças, os analfabetos, os servidores públicos, os negros, os homosexuais, os estudantes,  os artistas, os atletas, os órfãos, os viciados em drogas, a empresa infante, a indústria nacional, os templos religiosos, o meio ambiente, os negócios estratégicos (seja lá o que isso for) e assim por diante.
welfarestate.jpg
Com cada vez menos pessoas para produzir e  cada mais pessoas para "mamar" chega uma hora  que a realidade se impõe. A carga tributária confiscatória e a deplorável qualidade dos serviços do Estado, que se propõe a prover de tudo, forçará obrigatoriamente a uma revolta dos geradores de riqueza. Esperamos que não seja ao estilo da revolução francesa ou da primavera árabe. Acordemos a tempo !!!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CASO DA VIOLÊNCIA (ABSURDA) NO BRASIL

Um dos mantras preferidos dos nossos diplomatas, governantes ou quem quer que vá discursar na ONU e outros fóruns mundiais é de que somos um país pacífico, que prefere o diálogo. Balela! Somos um dos 10 países mais violentos do mundo (clique aqui). São mais de 27 homicídios por 100 mil habitantes, no caso de jovens entre 14 e 25 anos o número de mortes aumenta para 54,8. Nem países em guerra declarada possui tal mortandade.
morte prematura  grafico do numero da violência contra jovens no brasil

O Brasil tem taxa mais de 500 vezes maior do que a de Hong Kong e 137 vezes maior que a da Alemanha e da Austria. Das 50 cidades mais violentas do mundo nós temos 14 (clique aqui) entre elas. Maceió com mais de 135 homicídios por 100 mil habitantes ocupa o 3º posto global. Em São Paulo, um dos únicos 3 estados que possuem estatísticas históricas, detalhadas e confiáveis, é registrado mais de um crime por minuto (veja tabela no fim do post).

Vejo muito pouca discussão aprofundada sobre o assunto nas pautas dos governantes, no meio acadêmico ou até mesmo na mídia em geral. Normalmente mostram-se os casos mais assustadores (relembre alguns aqui, aqui e aqui), reporta-se o despreparo da nossa força policial e as manifestações de protesto que se seguem geralmente após o ocorrido. Muito pouco para um fenômeno tão grave e não condizente com um país com a posição econômica e de história não beligerante como o Brasil.

A revista The Economist recentemente reporta o curioso caso da queda vertiginosa dos índices de criminalidade dos países desenvolvidos (alguns nem tanto como a Polonia, Estônia, Portugal e Espanha). O primeiro fato que a reportagem chama a atenção é que ninguém previa tais melhorias há 20 anos atrás, muito pelo contrário, especialistas como o americano John Dilulio diziam que o mundo seria aterrorizado por jovens que não demonstravam nenhum respeito pela vida humana e desprovidos de senso de futuro. Mas o quê ocorreu na verdade foi o oposto:

"Some crimes have all but died out. Last year there were just 69 armed robberies of banks, building societies and post offices in England and Wales, compared with 500 a year in the 1990s. In 1990 some 147,000 cars were stolen in New York. Last year fewer tham 10.000 were...In countries such as Lithuania and Poland the gangsters who trafficked people and drugs in the 1990s have moved into less violent activities such as fraud."

A revista aponta ainda as diversas causas da queda nos índices: Envelhecimento da população (pois um ponto em comum em qualquer país é que os crimes são majoritariamente praticados por jovens); Aperfeiçoamento tecnológico da indústria anti-crime (exames de DNA, computadores, técnicas de   medicina legal); automóveis com dispositivos anti-roubos e que simplesmente não funcionam sem códigos específicos que só o dono possui; melhoria das estatísticas e registros que possibilitam a prevenção; câmeras, alarmes e outros aparatos de segurança. A certeza da punição e a diminuição da recompensa por roubar (aparelhos eletrônicos cada vez mais baratos) também são interessantes causas apontadas.

O economista prêmio nobel Gary Becker desenvolveu na década de 60 um modelo econométrico do crime. Ao analisá-lo como uma atividade racional Becker chegou a importantes insights. Existem custos e benefícios associados ao ato: a possibilidade de ser pego, o risco de morte, de ser condenado e de ser execrado pelos pares são exemplos de custos. Já as recompensas econômicas são mais evidentes. Neste contexto, pôde-se derivar uma equação que descreve a quantidade de tempo gasto na atividade criminosa, por exemplo, como uma função de vários fatores:
y = f ( x1, x2, x3, x4, x5, x6, x7), onde:
              y= horas gastas em atividades criminosas
             x1= "salário" por hora ocupada em atividade criminosa
             x2 = salário-hora em emprego legal
             x3= renda de outras atividades que não o crime ou um emprego legal
             x4= probabilidade de ser capturado
             x5= probabilidade de ser condenado se for capturado
             x6= sentença esperada se condenado
             x7= idade

O mais importante é que ao encarar a questão sob o prisma científico, aplicando uma metodologia racional de análise é possível melhorar os diagnósticos, estabelecer hipóteses de ação, implantar políticas condizentes com as melhores práticas e, medindo os resultados alcançados, entender os pesos e relações de causa e efeito de forma mais precisa e eficiente. Foi isso que Becker fez e revolucionou o modo de se entender e combater o problema do crime nos EUA.

O certo é que para combater a violência, assim como na questão da educação, não existe uma bala de prata única que produzirá resultados instantâneos. Polícia, judiciário, sistema prisional e a sociedade como um todo, podem e devem fazer muito mais, a começar por melhorar o registro e a coleta dos dados para que se diagnostique o tamanho do problema e a necessidade de recursos a ser alocado na empreitada. De outra forma, estaremos cada vez mais ilhados em condomínios fechados e assistindo pela televisão cenários de guerra cada vez mais parecidos com aqueles mais comuns no oriente médio. É o Brasil se "Afeganistando".





segunda-feira, 8 de julho de 2013

EIKE BATISTA E BRASIL PETISTA, 2 BOLHAS PRESTES A IMPLODIR





















A trajetória de dois ícones recentes do país, que desfrutaram de um estupendo sucesso de marketing nos últimos 10 anos, têm dados sinais claros de esgotamento e de que os dias de glória, afinal, não eram eternos: Eike Batista e o Brasil Petista.

Numa reflexão superficial sobre o estouro da "bolha Eike" , constata-se que a correlação entre o caminho traçado pelo do ex-marido da Luma e a do Brasil da era PT são bem similares, senão vejamos:

1) Ambos usufruíram do dinheiro farto e barato que rondava o mundo na época das "vacas gordas" pré-crise de 2008, também chamado na literatura econômica de "A Grande Moderação";

2) Ambos surfaram no "boom" das commodities, alavancadas pelo supercrescimento Chinês;

3) Ambos adoram ser atrações midíaticas, é Lula do "nunca antes na história deste país, blablabla"  e Eike se gabando de ser o mais rico do Brasil e em breve do mundo, hahahaha;

4) Ambos anunciam projetos que não saem do papel, pode pegar qualquer obrazinha do PAC e conferir e os campos de Petróleo sem petróleo do Eike;

5) Ambos são ineficientes na gestão (Petrobrás e OGX são irmãs na incompetência) e eficientes no marketing e loby;

6) Bolsa Família e IPO são os carros chefes dos 2 bufões que tinham o mesmo objetivo: angariar apoio valiosos, o primeiro traz votos e o segundo dinheiro fácil;

7) Ambos são exemplos perfeitos de cigarra e autênticos antípodas da formiga;

Poderíamos, como país, buscar outras referências, mais sérias, discretas e vitoriosas como por exemplo o Jorge Paulo Lemann ou Ayrton Senna.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

DEMOCRACIA, E DAÍ ?

A democracia tem muitos defeitos. Defeitos gravíssimos.

Aristoteles não a considerava a melhor forma de governo.

Na Grécia antiga por volta de 500a.c., na cidade estado Atenas nascia esta nova forma de governar, entretanto mal chegava a 10% de sufrágio, apenas os cidadãos donos de terra com idade superior a 20 anos, do sexo masculino, nacionalidade grega e livres que podiam votar nas assembléias. Os votos eram gravados em pedra e depositados numa espécie de urna arcaica.

Interessante notar que já nesta época uma variante do modelo ateniense surgiu em Esparta onde os votos eram dados à gritos com a intenção de evitar viéses, burocracia e suscetibilidade a trapaças.

Os problemas deste sistema são vários mais discorrerei aqui de forma sucinta dos mais graves:

1) O grau absurdo de desinformação do eleitorado. Aqui além de não ter acesso, ou não se interessar em ter, às informações necessárias para efetuar uma boa escolha. As informações que existem são mal-interpretadas ou incompreendidas, principalmente as que envolvem matérias econômicas;

2) A escolha baseada na forma e não na substância. O eleitor médio tende muitas vezes a escolher seu representante baseado na aparência, simpatia, pesquisa de opinião ou em outros aspectos que não o programa de governo e o currículo do candidato em questão;

3) O baixíssimo valor percebido pelo eleitor de seu voto. A pergunta que ele faz a si mesmo é algo do tipo: O quê o meu voto, que é apenas um em milhões, poderá influenciar no resultado final de uma eleição ? Partindo desta crença o interesse em se informar e depois acompanhar e cobrar por resultados dos eleito é muito baixo senão nulo.

4) Erro de atribuição. O eleitor médio não distingue causas externas, que nada tem haver com ações do governo, com aquelas que realmente são resultado de políticas praticadas por ele. p.ex: Se as commodities mundo afora passam a ser valorizadas como conseqüência do alto crescimento chinês e o Brasil apenas surfa na onda, o povo acha que a bonança é fruto da boa administração do governante da vez.

5) Miopia temporal. Já existem pesquisas exaustivas comprovando que a maioria de nós supervaloriza o presente e subvaloriza o futuro. Por isto propostas que expandem o gasto público para propiciar aumento da demanda às custas de renda futura são sempre bem populares e geram votos, ou seja junta-se a fome do político em se reeleger com a vontade de consumir agora e sempre do eleitor e pronto. Que se dane as gerações futuras.

6) Viés do mensageiro. Por quais canais que o eleitor se informa para tomar decisão de voto ? Geralmente via opinião pública (veiculada pelas diversas mídias) que são, via de regra, e as vezes até não intencionalmente, influenciada por interesses parciais. O quê afeta a informação, polui o fato e provoca divergência entre o ocorrido e o informado.

Ainda não foi inventado nada melhor que a Democracia. Divisão de poderes, submissão a uma constituição, controles institucionais e alternância de poder são algumas das melhorias encontradas pelo caminho, mas o fato é que num país como o nosso - onde todos os defeitos enumerados anteriormente são amplificados pelo  fato do voto ser obrigatório, pelo alto índice de analfabetos funcionais e pelos incentivos tortos que nossas instituições proporcionam à classe política - estamos bem longe de um modelo eficiente de governo que se pretende ser do povo, pelo povo e para o povo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ROGÉRIO WERNECK

Texto publicado na Folha de São Paulo e o Globo em 12 de abril deste ano pelo excelente economista da PUC-RJ Rogério Werneck.


Reeleição, a todo vapor Rogério L. Furquim Werneck*


      Pensando no imediatismo e na inconsequência que vêm marcando a condução da política econômica no País, por conta da precoce fixação do Planalto na reeleição, lembrei-me de uma passagem marcante de um livro que li há mais de 50 anos.
         Sou da época em que crianças ainda liam Julio Verne. Assim mesmo, com prenome aportuguesado, como o autor era conhecido por aqui. A volta ao mundo em oitenta dias, publicado em 1873, é um dos seus livros mais famosos. Conta as aventuras de Phileas Fogg, um solteirão inglês rico e excêntrico, que aposta com outros sócios de seu clube que poderia fazer uma viagem ao redor do mundo e retornar a Londres em apenas 80 dias. Bastam dois parágrafos curtos para situar, no enredo, o episódio de que me lembrei.
           Fogg cruza a Europa e a Ásia, atravessa o Pacífico e segue, por trem, de São Francisco a Nova York. Mas não chega a tempo de embarcar no navio em que pretendia retornar à Inglaterra. E aí se vê em dificuldades. Os navios que estavam prontos para zarpar não eram suficientemente rápidos. Os que eram, não sairiam a tempo de Nova York. Mas Fogg afinal descobre o Henrietta, um cargueiro que parecia adequado, prestes a partir vazio para Bordeaux. Era um navio típico do período de transição da navegação a vela para a vapor. Já tinha propulsão a vapor, mas ainda era dotado de velas. E, afora o casco de aço, a caldeira e a máquina a vapor, era todo de madeira.
           Fogg embarca no Henrietta e consegue desviá-lo para a Inglaterra, graças a um motim por ele fomentado. Mas a travessia acaba tendo de ser feita em meio a uma tempestade. E logo fica claro que o estoque de carvão do navio, dimensionado para uma travessia calma de Nova York a Bordeaux, era insuficiente para a viagem a todo vapor, em mar revolto, que estava sendo empreendida.
         É nesse ponto que vem o episódio que me veio à mente (capítulo 33, para quem se interessar). Com o carvão prestes a acabar, Fogg convence o capitão, a quem o navio pertencia, a lhe vender o Henrietta. E, para manter a pressão da caldeira, ordena que todas as partes em madeira do navio sejam desmanteladas e lançadas à fornalha. Quando, afinal, o Henrietta chega às Ilhas Britânicas, só lhe restam o casco, a caldeira e máquina a vapor. 
          A ideia de um navio que vai sendo desmantelado, para que seus pedaços sejam usados como combustível que o mantém em movimento, propicia excelente metáfora para perceber com mais clareza o que hoje vem ocorrendo no País. Ajuda a realçar o que há de mais errado na forma inconsequente com que a presidente Dilma Rousseff vem tentando assegurar sua reeleição a todo custo, em frenético vale-tudo.
         Não há espaço, aqui, para um balanço de tudo que já foi desmantelado para avivar a fornalha da reeleição. Mas uma lista curta teria de incluir o controle da inflação, a credibilidade do Banco Central e previsibilidade da política fiscal. Num quadro em que o dispêndio público continua a mostrar rápida expansão, já não se tem mais ideia do que será o resultado fiscal de 2013, deixado agora ao sabor de pacotes de desoneração anunciados de improviso, a cada mês, em desesperada tentativa de mascarar a inflação com medidas que implicam inflação mais alta no futuro.
         Merecem ainda destaque o abandono cada vez mais escancarado da ideia de realismo tarifário, como bem ilustram a insistência na política de preços de derivados de petróleo e a decisão populista de não repassar, aos consumidores, o custo mais alto da energia elétrica proveniente das térmicas. E há, também, outras conquistas valiosas, como a solidez dos bancos federais, sendo consumidas na fornalha da reeleição. A inconsequência na gestão da Petrobrás e do pré-sal não pode deixar de ser mencionada. Mas tem mais a ver com o vale-tudo anterior, que marcou a travessia do biênio eleitoral de 2009-2010.
        Faltam hoje 560 dias para o segundo turno das eleições presidenciais. Uma travessia de 80 semanas. E ainda há muito o que queimar a bordo. Mas em que estado estará o nosso Henrietta no final de outubro do ano que vem?
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* Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

FRASES PARA EXPLICAR O BRASIL

Fiz questão de pegar frases e pensamentos de economistas ou personalidades de esquerda e de direita. Leia-as e me digam qual país lhe vem a mente ? ...


"Inflação é taxação sem legislação", Milton Friedman.

"Conforme envelhece, a maior parte dos homens ama mais o dinheiro e a segurança e menos a criação e a construção", John Maynard Keynes.

“O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar”, Roberto Campos.

“O que certamente nunca houve no Brasil foi um choque liberal. O liberalismo econômico assim como o capitalismo não fracassaram na América Latina. Apenas não deram o ar de sua graça”, Roberto Campos.

"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, Karl Marx.

“A verdadeira tragédia dos pobres é a pobreza de suas aspirações”,
 Adam Smith.

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada" Ayn Rand.

A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa.”  Friedrich Hayek.

"O déficit público não é de caráter orçamentário. O déficit público simplesmente não tem caráter." Mário Henrique Simonsen.

"Em política econômica, o que não é óbvio quase sempre é besteira." Mário Henrique Simonsen.

"No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro." 
Luiz Inácio Lula da Silva, em 1988.

“O desenvolvimento, na realidade, diz respeito às metas da vida. Desenvolver para criar um mundo melhor, que responda às aspirações do homem e amplie os horizontes de expectativas. Só há desenvolvimento quando o homem se desenvolve”, Celso Furtado.

"Produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo", Paul Krugman.

“Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro.” John Kenneth Galbraith.

domingo, 14 de abril de 2013

SÓ FALTOU KARL MARX...


Retirada da Isto é Dinheiro.

Todos os homens da presidenta

Com o preço do tomate nas alturas e a inflação temporariamente fora da meta, Dilma Rousseff reúne seus conselheiros econômicos para debater o assunto. Cabe ao BC não sucumbir às pressões do mercado de elevar os juros

A convite da presidenta Dilma Rousseff, três pesos-pesados da economia, além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, participaram de um almoço no Palácio da Alvorada, na segunda-feira 8. A inflação, que voltara a ser assunto no País inteiro, foi um dos temas debatidos pelo heterogêneo trio de economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Delfim Netto e Yoshiaki Nakano, todos conselheiros da anfitriã. Logo na entrada do cardápio, o tomate-vilão-da-inflação estava literalmente à espera dos convidados, na bandeja. Ao contrário do que faria uma dona de casa comum, a cozinha presidencial não substituiu o tomate, cujo preço subiu 122,13% nos últimos 12 meses. 
41.jpg
Pesos-pesados: Delfim, Belluzzo e Nakano (no banco da frente) deixam o Palácio da Alvorada
após almoço com Dilma Rousseff e Guido Mantega

É PARA ISSO QUE SERVEM OS BANCOS PÚBLICOS ?


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DA COLUNA HOLOFOTE DESTA SEMANA DA REVISTA VEJA:

“Lula entrou em campo para remover as barreiras que ameaçam tirar o Itaquerão da Copa de 2014. Primeiro convenceu Dilma Rousseff a substituir o Banco do Brasil pela Caixa Econômica Federal como fiadora do empréstimo de 400 milhões de reais obtidos no BNDES para a obra. Como a Caixa é 100% nacional pode ser mais flexivel nas garantias bancárias do que o BB, que não aceitou as que foram oferecidas pelo Corinthians e pela Odebrecht. Agora Lula quer que o prefeito Fernando Haddad banque as estruturas temporárias do estádio. Avaliadas em 35 milhões de reais, elas elevarão sua capacidade durante o evento de 48.000 para 65.000 lugares. O estádio está sendo erguido pela Odebrecht, que financiou viagens de Lula para o exterior”.

terça-feira, 2 de abril de 2013

QUANTOS TRIBUTOS EXISTEM NO BRASIL ?

O retrato da insanidade...
(fonte:  impostômetro)

FEDERAIS

1 - Contribuição à Direção de Portos e Costas (DPC)

2 - Contribuição ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) - "Salário Educação"

3 - Contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA)

4 - Contribuição ao Seguro Acidente de Trabalho (SAT)

5 - Contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena Empresa (Sebrae)

6 - Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Comercial (SENAC)

7 - Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado dos Transportes (SENAT)

8 - Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (SENAI)

9 - Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Rural (SENAR)

10 - Contribuição ao Serviço Social da Indústria (SESI)

11 - Contribuição ao Serviço Social do Comércio (SESC)

12 - Contribuição ao Serviço Social do Cooperativismo (SESCOOP)

13 - Contribuição ao Serviço Social dos Transportes (SEST)

14 - Contribuição Confederativa Laboral (dos empregados)

15 - Contribuição Confederativa Patronal (das empresas)

16 - Contribuição Sindical Laboral

17 - Contribuição Sindical Patronal

18 - Contribuição Social sobre o Faturamento (COFINS)

19 - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)

20 - Contribuições aos Órgãos de Fiscalização profissional (OAB, CREA, CRECI, CRC, etc)

21 - Contribuições de Melhoria

22 - Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações - FUST

23 - Fundo Aeronáutico (FAER)

24 - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)

25 - Imposto de Renda (IR pessoa física e jurídica) - Federal

26 - Imposto sobre a Exportação (IE) - Federal

27 - Imposto sobre a Importação (II) - Federal

28 - Imposto sobre a propriedade Territorial Rural (ITR) - Federal

29 - Imposto sobre operações de Crédito (IOF) - Federal

30 - IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados - Federal

31 - Contribuição Previdenciária -  INSS: Empregados, Autônomos, Empresários e Patronal 

32 - Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações - FUNTTEL

33 - Fundo Nacional da Cultura

34 - Programa de Integração Social (PIS) e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP)

35 - Taxa Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM)

36 - Taxa Ambiental

37 - Taxa de Autorização do Trabalho Estrangeiro

38 - Taxas ao Conselho Nacional de Petróleo (CNP)

39 - Taxas CVM (Comissão de Valores Mobiliários)

40 - Taxas de Outorgas (Radiodifusão, Telecomunicações, Transporte Rodoviário e Ferroviário, etc.)

41 - Taxas IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente)

42 - Contribuição ao Funrural

43 - Taxas de Fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Lei 9.961

44 - Taxa de Pesquisa Mineral DNPM (Portaria Ministerial 503/99)

45 - Contribuição de 10% sobre o montante do FGTS em caso de despedida sem justa causa (Lei Complementar nº 111/2001)

46 - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE: sobre Combustíveis, Royalties e Energia Elétrica.

47 - Taxa de Fiscalização e Controle da Previdência Complementar (MP 235/04)

48 - FUNDAF - Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização

ESTADUAIS

1 - ICMS (Imposto s/Circulação de Mercadorias e Serviços) - Estadual

2 - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) - Estadual

3 - Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) – Estadual

4 - Contribuições de Melhoria

5 - Taxas do Registro do Comércio (Juntas Comerciais)

MUNICIPAIS

1 - Contribuições de Melhoria

2 - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) - Municipal

3 - Imposto sobre Serviços (ISS) - Municipal

4 - Imposto sobre Transmissão Bens Intervivos (ITBI) - Municipal

5 - Taxa de Coleta de Lixo

6 - Taxa de Combate a Incêndios

7 - Taxa de Conservação e Limpeza Pública

8 - Taxa de Emissão de Documentos (níveis municipais, estaduais e federais)

9 - Taxa de Iluminação Pública

10 - Taxa de Licenciamento e Alvará Municipal

OBS: AS CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA PODEM SER INSTITUÍDAS PELAS TRÊS ESFERAS DE GOVERNO, MAS SE TRATA DE UM MESMO TRIBUTO.

CIDADES COM MAIOR NÚMERO DE SHOPPING CENTERS

Fonte: Associação Brasileira de Shopping Centers

Sobre o Setor Capitais

segunda-feira, 11 de março de 2013

PARA QUEM OS EUA DEVEM ?

Lista dos maiores emprestadores para o Tesouro americano. O Brazil é 4º maior credor.

Leading foreign holders of US Treasury securities as of December 2012
Economic areaBillions of dollars (est.)Ratio of owned US debt to GDP (est.)[126]Percent change since December 2011
Mainland China1,202.89.7%[127]+4.4%
Japan1,120.218.7%+5.8%
Oil exporters1262.5n/a+0.5%
Brazil251.510.4%+10.8%
Caribbean Banking Centers2250.0n/a+10.0%
Taiwan198.842.7%+12.1%
Switzerland193.931.1%+36.2%
Russia157.68.1%+5.4%
Luxembourg150.5272.2%+2.0%
United Kingdom3142.05.8%+24.2%
Hong Kong SAR141.855.0%+16.5%
Belgium140.029.4%+3.6%
Ireland105.451.5%+7.9%
Singapore99.537.1%+32.5%
Others1,138.7n/a+23.6%
Grand total5,555.4n/a+10.9%

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