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domingo, 21 de abril de 2013

CHINA, TIC-TAC-TIC-TAC,..

Para quem gosta de usar a China como exemplo de como o Estado pode ser ativamente benéfico para a economia, aí vão algumas notícias pouco auspiciosas:

1) A verdade é que a China iniciou sua trajetória de crescimento fantástico quando introduziu regras de capitalismo de mercado e retirou o Estado da equação, não o contrário. A famosa frase de Deng Xiaoping de que não importava a cor do gato desde que ele comesse o rato marca o início da experiência por volta de 1978. Entre aquele ano e 2004 a participação do emprego estatal caiu de 53% para 13% do setor não agrícola.

2) Em que pese o progresso tecnológico e os bons resultados em educação fruto de eficientes investimentos, a China ainda desfruta de uma imensa cratera de produtividade que, embora bem menor, ainda existe quando comparado com os países em estágio mais avançado de desenvolvimento. Mas, as frutas  maduras ao alcance das mãos estão ficando cada vez mais escassas e novos saltos no produto per capita exigirão uma renovação da abordagem até então usada. Copiar/Piratear produtos, contar com um exército de mão-de-obra ociosa, barata e passiva, assim como gozar da vista grossa da comunidade internacional para as políticas econômicas que visam criar competitividade artificialmente não serão mais facilmente toleradas;

3) A corrupção que permeia toda a estrutura de governo faz parecer o mensalão gorjeta de garçom. Semanalmente pipocam na mídia episódios horrendos envolvendo alto dirigentes do partido participando de extravagâncias nababescas com o dinheiro público - como o filho de um membro do politburo morto em acidente quando dirigia sua ferrari de U$300 mil dólares ou quando do assassinato  de megaempresário britânico pela esposa de outro figurão do partido (Bo Xilai). Aqui a frase de lord Acton cabe como uma luva: "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente".

4) As finanças chinesas não são muito claras, principalmente quando se trata do registro de empréstimos  para empresas e pessoas em geral. A qualidade destes empréstimos é lastimável com taxas de inadimplência dignas de subprime. As torneiras do dinheiro farto foram abertas quando estourou a crise financeira de 2008 e estima-se que diversas bolhas foram formadas na esteira do afrouxamento capitaneado pelo Estado. Um imenso setor financeiro que opera à sombra das estatísticas oficiais periga a estourar a qualquer momento com risco quase certo de contaminar as contas do Estado.

5) O setor imobiliário Chinês convive com anomalias próprias de um capitalismo "torto". Quando os preços não seguem a lógica dos fundamentos de mercado, os agentes ficam desorientados, aumentando oferta quando não existe demanda e investindo em ativos cuja taxa de retorno é negativa. Este é o retrato dos pesados investimentos em infra-estrutura em geral e no mercado imobiliário em particular. Fotos de pontes imensas desertas, apartamentos luxuosos vazios e trens circulando sem uma única alma são assustadoras e correm pela rede para quem quiser ver.

6) A demografia chinesa é outro grande problema.  A população envelhece e a política de um filho só, assim como o assassinato de milhares de recém-nascidos, assim que eram identificadas como do sexo feminino, praticados durante anos, provocou sérios desequilíbrios na reposição populacional. Pressões no setor de saúde, no mercado de trabalho e em serviços voltados para os mais velhos farão com que o Estado tenha que destinar verbas cada vez mais pesadas para estas áreas.

A diminuição do crescimento chinês já é uma realidade e a tendência por tudo que se viu aqui é de que o ajuste se intensifique. Hoje o pib per-capita chinês é 17% do americano. Considerando que em 1980 mal chegava a 2%, o crescimento entre 1980 e 2010 foi impressionante. Todo este monumental processo deveu-se basicamente à diminuição das distorções existentes na alocação de recursos em um país que se encontrava, à la Cuba, mergulhada em uma economia socialista ineficientíssima. Conforme já passificado na literatura de desenvolvimento econômico, trata-se de um caso clássico de "catch up". Para seguir em diante, a inovação, as instituições que permitem o processo de destruição criadora e o conseqüente aprofundamento do capitalismo de mercado livre deverão se fazer muito mais presentes. Do contrário cairão na famosa armadilha da renda média.

segunda-feira, 4 de março de 2013

CIDADES FANTASMAS CHINESAS

O crescimento chinês é dependente de altíssimas taxas de investimento. Nenhum outro país na história mobilizou um percentual tão grande do seu PIB para o investimento por tão longo período de tempo (por volta de 50% do PIB). O problema é que não há demanda para tanto, trem bala, ponte, prédios corporativos, apartamentos residenciais, estacionamentos, rodovias, shoppings, ônibus, parques, etc,...

Veja o resultado em algumas das fotos abaixo: as chamadas cidades-fantasmas.

Zhenhzhou China ghost cities

Zhenhzhou China ghost cities



Zhenhzhou China ghost cities

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A CIÊNCIA, A ECONOMIA E A PRAGA COMUNISTA.

Economistas têm o péssimo hábito, ou melhor dizendo, o dever de ofício de olhar para o mundo despido, nu e cru. 

Como um cientista social ele deve se despir de qualquer dogma, pré-conceitos, ideologias, inclinação político-religiosa e qualquer tipo de sentimento. Ele simplesmente propõe uma hipótese, observa, colhe os dados e testa o quão aderente à realidade estava a hipótese em questão. Frio e calculista.

Entretanto é difícil aplicar a ciência e seu método ao objeto da economia. Na física, química, biologia o pesquisador simplesmente isola o objeto de estudo em laboratório e testa por diversas vezes a hipótese levantada. Na economia  você não tem como dividir uma cidade por exemplo em duas e aplicar numa  um sistema de livre mercado e na outra um sistema dirigido pelo Estado para ver qual o resultado. Opa, espere um pouco !!!! A história às vezes nos brinda (cientistas sociais) com uma oportunidade de realizarmos experimentos mais próximos daqueles possíveis nas ciências de laboratório.

Após a segunda guerra mundial a Alemanha foi dividida em duas,  a parte ocidental ficou sob a égide dos EUA e a parte Oriental da União da Repúbicas Socialistas Soviética (URSS). O mesmo ocorreu com a Coréia após a guerra que a dividiu em duas, ficando  a parte sul com os americanos e a parte norte com os soviéticos.

Desde que a economia nem tinha este nome ainda, os homens se perguntam o que faz uma nação ser rica, próspera, desenvolvida e o que a faz ser pobre, atrasada, subdesenvolvida. Desde então várias teorias trataram de tentar explicar e uma série de possíveis motivos foram elencados. Desde a cor da pele, a religião, a geografia, a cultura, a forma de governo, entre outros, foram usados como resposta, sem nenhuma delas, porém, ter obtido êxito.

A História acabou nos mostrando o que esta mais perto da verdade. A Alemanha e a Coréia antes da divisão abrigavam em suas respectivas fronteiras povos que comungavam da mesma cultura, origem, geografia, diversidade religiosa, etc. Após um breve período de 41 anos no caso da Alemanha e de cerca de 50 anos no caso da Coréia, ficou evidente que as instituições liberais capitalistas são de longe (mais bota longe nisso) a melhor forma de geração de riqueza, desenvolvimento, prosperidade e qualidade de vida.

Hoje a Coréia do Sul possui renda per capta de país desenvolvido, educação de altíssimo nível, tecnologia no estado da arte (Sansung, LG, Hyundai que o digam) e proporciona ao seu povo condições de vida que nada deixam a desejar as principais economias do mundo. A Alemanha Ocidental se reconstruiu da segunda guerra mundial em tempo recorde, solidificou sua economia e atingiu um patamar de competitividade assombroso.

Em contrapartida, suas coirmãs comunistas naufragaram em pobreza, fome e subdesenvolvimento agudo. A Alemanha levou vários anos para absorver de volta a parte Oriental após a queda do muro de Berlim em 1989. Na Coréia do Norte falta tudo, dinheiro, comida, roupa, energia elétrica, automóvel, água tratada, sistema de saúde, computador e assim por diante.

É surpreendente que ainda hoje, após o colapso da União Soviética comunista, da experiência (quase que de laboratório) com as duas Alemanhas e as duas Coréias, da triste situação de Cuba, ainda haja quem defenda o socialismo (às vezes até o apelidando de outro nome como nosso vizinho venezuelano Hugo Chaves) como alternativa ao capitalismo. Alguns destes loucos se justificam apontando para o exemplo Chinês, mas espere um pouco !!... A China vem decolando exatamente por ter estar deixando de lado as travas do comunismo e aplicando cada vez mais as regras de livre mercado. Basta se informar um pouco mais, não precisa ser cientista para enxergar esta realidade.

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