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sábado, 31 de janeiro de 2015

The Age of State

Nosso século ficará conhecido para a posteridade como The Age of State.

O número de funcionários públicos a serviço da burocracia estatal é assombrosamente maior do que em qualquer época que nos precedeu (No Brasil são mais de 25% da força de trabalho, nas monarquias absolutas européias da idade média, o staff permanente e remunerado do rei mal chegava a casa da centena)

O Gasto público é a face mais aguda deste processo de estatitzação de tudo. O gasto per capita nos EUA na época em que os fouding fathers resolveram ir a guerra para independência dos EUA era de U$ 0,67. Nos dias que correm este montante roda na casa de U$ 12 mil.

Os impostos são a principal fonte de financiamento dos gastos. No Brasil, nos tempos do império nossa carga era 5% do PIB, hoje 40%.

A crueldade também é impar. Ninguém matou mais neste século do que o governo, em seus próprios países (não estou falando portanto de guerra entre nações). Stalin ceifou mais de 60 milhões de vidas soviéticas, Mao Tse Tung, riscou do mapa cerca de 30 milhões de chineses e Hitler mais de 16 milhões de alemães.
Ora, nem se os reis e imperadores de épocas imemoriais quisessem, obteriam êxito em tal intento, simplesmente por não terem poder suficiente para isto. Os exércitos nem eram  permanentes e as somas de dinheiro, como fração da riqueza de toda nação, que seguia para os cofres reais não são nem sobras do que gozam hoje os governantes mundo afora.

Os gastos em todos os países que se tem registro só tem uma direção: A ascendente. Nenhum país, teve retração de gastos, em relação ao PIB, nos últimos 80 anos.
Keynes é o deus desta turma. Não importa se o renomado economista inglês tenha recomendado aumento de gastos apenas em períodos de resceção e que, portanto, os incentivos montados deveriam ser removidos quando a bonança chegasse, o que importa é gastar, gastar e gastar e depois basta responder: "política keynesiana" para apresentar as justificativas. 

O mais trágico é  que virou um moto contínuo. Teremos mais do mesmo. A solução pronta no discurso e mente de governos e governados é: "Estado, me ajude !"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

VAMOS FALAR DO ÓBVIO

Desde muito pequeno na escola, todo mundo quer jogar no time que está ganhando. Na vida é assim, quem paga mais leva. Quem cobra mais perde.

O governo portanto tem uma ferramenta do diabo na mão.(imposto, subsídio, regulamentação, taxas, tudo comanda preço) 

O poder está nos preços.

A fábrica da Ford saiu do Rio Grande do Sul e foi para a Bahia por conta de menos impostos, o mesmo ocorreu com a Nissan que saiu do Paraná e foi pro Rio de Janeiro ou com as empresas importadoras que vão para Santa Catarina por conta do benefício fiscal do ICMS.

Então quando o governo aumenta imposto, ele diminui do objeto tributado. 

Imposto sobre investimento e a poupança (como é o caso do IOF) diminuirá o investimento e a poupança, o aumento do preço de contratação (como o aumento do salário mínimo) diminuirá o número de contratações, um aumento do custo de matéria-prima que vem de fora (como é o caso do imposto do PIS/ COFINS sobre importados), diminui a fabricação dos produtos que usam estes insumos.

No Brasil funcionário público ganha mais que o dobro do que o da iniciativa privada e trabalha menos (aqui um estudo do IPEA sobre o assunto); 

Políticos votam seus salários astronômicos sem nenhuma base na realidade;

Os privilégios em termos de aposentadoria e estabilidade na função premiam ainda mais a classe do servidores do povo. 

Ora, o que ocorre então? O óbvio. Mais gente querendo ser político e funcionário público. O problema é que este pessoal nada produz, a não ser mais burocracia, mais leis, mais fiscalizações e mais impostos, enfim, fabricam sim improdutividade.

Você quer ter mais empresas na informalidade, tributa a formalidade.
Menos justiça ? Aumento o preço da justiça (já viu quanto custa um habeas corpus ?)
Mais apagão ? Mais engarrafamento ? Mais violência ? Basta ver para que lado está apontado o incentivo, seja na forma de imposto, de subsídios ou na forma de taxas, tarifas  e regulamentação.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

664%

Uma das formas tradicionais de medir o avanço do governo é o volume de gastos, ou a chamada despesa primária do governo central que, grosso modo, é todo dispêndio do governo federal exceto pagamento de juros.

Nesta rubrica estão então as transferências para Estados e Municipios, os gastos com Pessoal, o INSS e as Chamadas OCC (Outras Despesas de Custeio e Capital). Dentro desta última estão: FAT, LOAS, Subsídios, Transferências do tesouro para o BC, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Despesas com os ministérios.

A forma que tradicionalmente a mídia passa esta informação é em percentual do PIB, como no gráfico abaixo:

Veja que foi um aumento de 9,08% do PIB EM 22 anos. É muito dinheiro isso, posso lhes garantir, mas eu não acho que seja a melhor forma de passar o quão chocante isto é para o público em geral, que não faz de forma automática (ou não faz de forma nenhuma) a associação de quanto representa na realidade pro bolso dele. Para se chegar ao tamanho do confisco que cada brasileiro arca a melhor forma é em dinheiro e por pessoa. (como geralmente os americanos gostam de mostrar).
Veja abaixo como fica:















Trocando em miúdos, como tudo que o Governo gasta não sai do bolso dos políticos, nem é jogado de um helicóptero pelo papai Noel, de cada brasileiro há 18 anos atrás, eram tomados R$718,88 por ano pelo Governo. Atualmente este rapto é de R$ 5.492,31. Um aumento singelo superior a 660%.
Pergunto: Mudou tanto assim a qualidade dos serviços que justificasse tamanho estatismo ? E aqui entre nós, mesmo se tivéssemos nos transformado num canteiro de obras, nossa educação pulasse para os primeiros lugares nos rankings mundo afora, um confisco desta natureza não se justifica, pois isso na verdade nada mais é do que castração de liberdade. Foram quase R$ 4.773,00 que o Governo disse pra você: "Dê aqui pra mim que eu sei como usá-lo melhor do que você".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

AS 4 BESTAS, parte 3

Escreverei sobre a 3ª besta, a Dívida Pública.


No princípio o rei reunia seus mais destacados nobres para…lhes pedir dinheiro a fim de custear suas guerras. O monarca não tinha um exército permanente e precisava contratar soldados e armas para empreender seus combates de conquistas ou de defesa.
A nação era propriedade privada do rei e a ele cabia as dívidas auferidas para expansão ou a preservação do seu patrimônio.

Até a criação do Banco da Inglaterra em 1694 e da dívida pública, toda arrecadação precisava ser continuamente negociada e, devido aos constantes calotes reais, os juros cobrados destes governantes ficava acima do que era cobrado de particulares. O montante da dívida, quando muito, chegava a 5% do PIB e mais de 90% da mesma era usada em guerras.

O grande "pulo do gato" foi a venda da idéia que a dívida passaria a ser para financiar o interesse do povo, com o advento da democracia republicana, a propriedade da nação passou a ser de todos (portanto de ninguém, na prática). O comando do país passou a ser exercido por "zeladores" representantes do "povo" e eleitos por estes, que ocupariam temporariamente o governo sob a delegação e a supervisão de seus representados.

Na teoria tudo muito lindo, mas como na prática estamos falando de seres humanos, o regime democrático republicano se transformou numa máquina de gasto, e quem gasta mais do que produz, se endivida. Vários são os países que hoje conseguem algo impensável séculos atrás, atingir um volume de dívida maior do que todo o seu produto interno bruto.
E o governo passou do gasto, basicamente voltado para a defesa de priscas eras para, gastos com a pobreza, com os desempregados, com os deseducados, com os deficientes físicos, com os idosos, com as crianças, com os doentes, com as grávidas, com os empresários nacionais, com  os pequenos agricultores, com os índios, com os sem casa, com os sem terra, com os banqueiros, com os sindicatos, com os negros, com políticos, e a lista continua…

Dívida do governo quem paga não é o governo, em última instância ele não produz nada, quem paga é a sociedade. Portanto não se trata de uma questão de natureza fiscal, mas social. Dívida do governo significa menor volume de recursos (financiamento)para a iniciativa privada (crowding out). Dívida do governo significa maior juros, menor investimento, menor crescimento.


Uma questão particularmente explosiva com relação a dívida, diz respeito ao défict intergeracional ligado à previdência. Hoje, nos EUA por exemplo, existem 4 trabalhadores (pagadores de impostos) para cada 1 pensionista, daqui a apenas 15 anos, o número será de 2 para 1, ou seja, uma queda de 50% no número de contribuintes ativos para cada aposentado. No Brasil, hoje para cada idoso, existe 10 jovens em idade ativa. Em 2050 será pouco menos de 3 para cada idoso. Não dá para negociar com a aritmétrica. 

Caso trouxermos então a valor presente este déficit não lastreado da previdência social americana, qual é o valor do rombo que estamos falando? U$127 trilhões. Quase o dobro do PIB mundial.

Para fechar uma frase e um gráfico.

"Entendi, mas quero saber o seguinte:isso estoura neste governo ou não?"
Líder do governo na Câmara de Deputados a um assessor do então ministro do Planejamento brasileiro, após assistir a uma exposição do perigoso desequilíbrio previdenciário…em 1982 !




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

AS 4 BESTAS, parte 1

Neste e nos próximos 3 posts eu descreverei as 4 bestas,  liberadas das portas do inferno pelo Governo para atazanar a vida privada e o bom andamento de qualquer economia, são elas: (1) Fabricação de leis; (2) Impressão de dinheiro; (3) Dívida e (4) Tributação.
Aqui tecerei algumas palavras sobre a primeira besta, a fabricação (insana)  de leis.

A lei, em seus primórdios (e ainda hoje os países de tradição anglo-saxã tentam preservar assim) era a convalidação de uma norma de conduta social preexistente. Baseada nos costumes cristalizados pelo tempo, respaldados pela moral e pela cultura.

Na monarquia o rei não legislava, ele era mais juiz do que criador de leis. Se o sujeito comprava ovos na feira e ao chegar em casa verificava que estava podre, ele tinha o direito à restituição, caso a contenda não fosse resolvida entre os particulares era levada ao conselheiro do condado que aplicava as regras de costumes e pronto. Assim ocorria com boa parte dos conflitos entre particulares.

O Estado moderno trouxe consigo um corpo de burocratas profissionais que vivem do salário pago pelos contribuintes e cuja maior responsabilidade é fazer leis, decretos, portarias, regulamentos, tratados, medidas provisórias, normas administrativas e toda sorte de códigos que ditam como devem se comportar os indivíduos em suas diversas empreitadas e relacionamentos privados.

Hoje existem 513 deputados, 81 senadores, 11 ministros do STF, 39 ministros, agencias reguladoras, presidente, apenas no plano federal, preocupados o tempo todo em gerar "welfare state" através desta "besta fera". Preços relativos, comportamentos pró-produção, investimentos e preferência temporal são grave e sistematicamente prejudicados por força desta diarréia legislativa.

No Brasil somos mais pródigos. Nenhuma constituição é tão detalhista (até multa de trânsito ela trata). De 1988 até 2010, só na área tributária foram editadas 4.960.610 normas legais. Mais de 20 por hora.

Seriam necessários um prédio de 10 andares para abrigar todas as leis criadas apenas nos últimos 15 anos nas 3 esferas de governo. Mas do que burrice, chateação e ineficiência, trata-se de uma forma do Estado manter no cabresto a quem lhe convier, pois neste mundo de regras é impossível alguém não ser infrator. Basta um fiscal "bem intencionado" querer.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ATÉ PARA PESSIMISTA O CLIMA ESTÁ PESADO.

Quando você acha que não pode ficar ruim, a coisa piora. Até para pessimistas o clima está pesado. Vamos a um brevíssimo relato:

As obras da copa tiveram metade delas abandonadas e, das que se mantiveram, metade estão atrasadas.

Quando os black-bobocas pareciam esgotar sua cota de merda, foram lá e mataram um cinegrafista inocente que estava trabalhando (coisa que nenhum destes farandoleiros faz - trabalhar).

Não contentes de sermos enquadrados entre os 5 frageis, agora o FED nos alçou a condição de 2º pior risco entre as economias dos emergentes.

O MST desistiu há muito tempo da reforma agrária, agora basta os repasses do governo e uma passadinha em Brasília para aparecer na mídia, pedir mais mamata para Dilma (na escala ideológica deles a Dilma é de direita) e descer umas bordoadas em policias, aliás o que está bastante na moda ultimamente.

Seguindo o script de propagandas ilusionistas, que conta entre seus destaques com a contabilidade criativa, o engodo energético (tudo vai sempre bem obrigado) e o controle de preços (de gasolina ao transporte público) agora a admnistração Dilmista se superou: Plataformas de petróleo não terminadas são enviadas para conclusão de obras em alto-mar, que além de ser mais perigoso para os trabalhadores, é bem mais caro. O intuito é contabilizar o dinheiro para terminar o projeto como exportação. (veja detalhes aqui) 

Com esta onda de calor, faltando água para beber e para gerar energia, uma oposição anêmica, um cenário internacional hostil e uma bolsa de valores ladeira abaixo, terminamos sempre inclinados a concluir: Já piorou tudo que tinha para piorar…. Daí vem o noticiário e mostra Venezuela e Argentina. (Ufa !!! bate na madeira 3 vezes)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PETROBRÁS OU PETROMONSTRO ?

Roberto Campos costumava chamar a Petrobrás de petrossauro, tal era o estado de ineficiência e atraso que se encontrava a empresa sob a gestão do poder público nas décadas de 70 e 80.

Hoje chamá-la de dinossauro seria elogioso. Para descrevê-la com mais precisão talvez devêssemos imaginar um mostro de 7 cabeças (mas todas elas sem cérebro), 6 patas, 2 rabos, cego e surdo. É a petromonstro.

Em 3 anos a empresa perdeu 46,5% de valor de mercado, as ações despencam mês após mês, com investidores estrangeiros se desfazendo das ações da petroleira. No segundo trimestre deste ano ela apresentou o primeiro prejuízo desde 1999 no valor de R$1,3 bilhões de reais. Este ano ela perdeu o posto para a AMBEV de maior empresa do país, em valor de mercado. Na américa latina ela saiu de primeira para terceira, ficando também abaixo da colombiana ecopetrol.

Desde 2010 a petromonstro esta com a produção estagnada, as plataformas da bacia de campos perderam mais de 22% de eficiência produtiva. Para se ter uma pequena noção do descalabro que uma gestão petista pode fazer, vamos pegar o exemplo da construção da refinaria de Abreu Lima em Pernambuco. A obra era para ser concluída em 2010, passou para 2014 e os custos inicialmente previstos em U$2,3 bilhões foram aumentados para U$ 20,1 bilhões (uma explosão de gasto 10 vezes maior). No Rio de Janeiro, máquinas importadas pela estatal para construção da refinaria do comperj estão paradas desde 2011 no porto porque até o momento não se sabe como transportá-la até o destino. Esta obra por sinal já esta U$ 10 bilhões acima do orçamento original.

Nesta segunda será apresentado os resultados aos acionistas referentes a 2012. Analistas esperam que o lucro tenha encolhido aproximadamente 40%, a dívida deverá estar por volta de 3 vezes superior a capacidade de geração de caixa e em quase 33% do patrimônio líquido, lembrando que se este indicador superar 35% a estatal perderá seu grau de investimento (investment grade). A agência de classificação de risco MOODY'S já inclusive colocou-a sob perspectiva negativa. Caso isso venha a ocorrer, a petromonstro passará a pagar um custo maior para se financiar no mercado.

Em qualquer lugar do planeta uma empresa para dar lucro deve vender a um preço maior do que ela compra. Pois é, a Petromonstro parece não pertencer a este mundo. Com a produção em queda e o consumo em alta (com o governo baixando o IPI de automóveis, abrindo a porteira do crédito ao consumidor e segurando o preço da gasolina, não poderia ocorrer outra coisa) a estatal tem que importar cada vez mais combustível, só que ela compra por um preço e vende por outro mais baixo, resultado: Só este ano calculá-se o déficit neste tipo de operação em aproximadamente U$ 20 bilhões. (populismo puro) Agora perceba a lógica bizarra desta prática: A Petrobrás que deveria dar pulos de alegria quando o preço do petróleo aumentasse - afinal de contas o maior ativo dela se torna mais valioso - fica na verdade mais triste pois quando isso acontece o prejuízo dela piora. Outro detalhe, as constantes medidas do governo para valorizar o dólar (desvalorizar o cambio) também encarece as importações para a estatal (é o Mantega dando um tiro no próprio pé).

Esta semana foi autorizado pelo governo que a Petrobras aumente o preço da gasolina em 6,6% e o óleo diesel em 5,4% quando analistas calculam que deveria ser, caso ela seguisse a lógica livre de mercado, de pelo menos 15%. O governo determinará que a partir de maio o alcool adicionado a gasolina seja aumentado de 20% para 25%.  O governo também quer que o gás importado pelo estatal seja direcionado para as termeletricas que estão suprindo a deficiência energética por conta da falta de chuvas que comprometeram a geração das hidrelétricas. Notou o quando de "governo" mencionei só nesse parágrafo ? A petromonstro não dá uma piscada sem a benção dele. Ora porque será que a AMBEV, de capital privado, passou nossa querida estatal ? (PRIVATIZE JÁ !!!)

Esta semana esta sendo veiculado na imprensa que a Petrobrás tem atrasado o pagamento de diversos fornecedores. As licitações da estatal estão paradas desde 2008. Os mais de U$120 bilhões levantados junto ao mercado em 2010 já foram gastos seguindo plano ditado pelo Governo. Ela só pode comprar equipamentos nacionais ou que não contenham mais de 40% de conteúdo estrangeiro. A presidente da empresa Graça Foster afirmou que as metas de investimento e rentabilidade desenhadas sob a presidência de seu antecessor, Sergio Gabrieli, não se basearam na realidade. 

Diante de todo este cenário de horror, o que os funcionários da estatal fazem ? hora-extra ? esforço de contenção de gastos ? Campanha de sugestões e idéias de inovação para reanimar o resultado da empresa ? Não. Agendam greve. Com a finalidade de mudar os parâmetros do pagamento do bônus (PPL). Por que será ? Por que a empresa não aproveita e faz um PDV para enxugar custos de mão-de-obra ? Simples, porquê é uma empresa pública e seus funcionários não podem ser mandados embora. Ora porque será mesmo que a AMBEV, de capital privado, passou nossa querida estatal ?

A petrobras se tornou uma empresa que não segue a lógica universal do mercado, da economia. Ela  é mais um instrumento de palanque e de marketing para o PT do que uma empresa que investe em inovação e tecnologia. Ela é lugar para políticagem e políticos, para nepotismo e  para o populismo... Enquanto isso nossos diletos representantes no congresso nacional se degladiam para  estabelecer com quem vai ficar os roylaties do Pré-Sal.  


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PIB PÍFIO E INVESTIMENTO DESAPARECENDO.

Fecharemos 2012 com um PIB  crescendo entre 0,9% e 1,2% e como a taxa de crescimento populacional no Brasil gira na casa de 1,1%, obteremos, portanto, um crescimento per capita nulo neste ano que esta se encerrando.

Não adianta culpar a crise internacional pois ela já estava dada antes mesmo de 2010 quando o Brasil cresceu 7,5% e 2011 quando o PIB aumentou em 2,7%. A fase mais aguda da crise foi em 2009 quando a zona do Euro despencou 4,4% e o Estados Unidos 3,1%. De lá pra cá nenhuma queda desta magnitude se repetiu, pelo contrário, os EUA vem se recuperando e a Europa anda de lado sem, no entanto, apresentar um declínio daquela natureza. Vale ainda ressaltar que outros países aqui da vizinhança que se encontram no mesmo planeta apresentarão taxas quatro vezes maiores que a nossa. (Chile, Peru, Colombia, México e até a Argentina)

Não adianta culpar os juros altos, a Selic só fez diminuir e irá fechar 2012 em seu volume mais baixo de todos os tempos, 7,25%. Se antes ocupávamos o primeiro lugar no ranking mundial dos juros reais (Selic descontada a inflação), atualmente só estamos em quarto, atrás da China, Chile e Austrália. Em novembro este número (juros reais) no Brasil era de 1,7%. A bengala exaustivamente usada como desculpa por sindicatos, FIESP e toda sorte de populistas parece, portanto, estar deixando de existir.

Não adianta culpar a falta de crédito, o nosso querido BNDES recebeu do Tesouro mais de de 350 bilhões de reais desde 2007 para financiar projetos (se estes apresentam taxas de retorno eficientes e fatores multiplicadores desejáveis para o resto da economia, daí já é assunto para um outro texto) e os demais bancos públicos alavancaram seus volumes de empréstimos batendo recordes  históricos. Atualmente nosso estoque de crédito já supera metade do PIB, algo inimaginável no passado recente do nosso país. Em parte é o que provoca no cidadão comum, juntamente com o aumento da renda, uma sensação de bem estar e a cegueira com relação ao restante dos problemas nacionais.

Já sabemos que a produtividade é um ponto importante e que certamente contribuiu para o número pífio do PIB, mas o que realmente vem surpreendendo negativamente e apresentando uma parcela maior da culpa é o investimento (ou formação bruta de capital fixo no jargão economês). Há 5 trimestres consecutivos esta sigla anda pra trás. A despeito do declarado foco oficial que o governo vêm dando ao assunto, parece que o espírito animal do empresariado não engrena. A pergunta de U$ 1 bilhão é: Por quê o tal do investimento não dá o ar do graça e vem diminuindo há quase 1 ano e meio ?

Sem estudos empíricos só podemos, no momento, especular. Mas vamos ainda  a alguns fatos: É a partir do terceiro trimestre de 2011 que se inicia a série negativa do investimento (lembrando que as projeções para o quarto trimestre  deste ano também é de queda, o que levaria a um recorde de baixas que só ocorreu uma  única vez no período do segundo trimestre de 1998 ao terceiro de 1999). Nos 8 anos de governo Lula, o Governo Central investiu em média 0,8% do PIB (mesmo número da administração FHC), sendo que no último ano - eleitoral - este número subiu (como é de costume), fechando 2010, portanto com 2,9% do PIB. O primeiro ano de Dilma teve um volume de 2,5% de investimento.

Trocando em miúdos, 3% parece ser o limite que o Governo Central pode atingir no curto prazo em termos de investimento e já que o país precisa contar com um volume de pelo menos 20% para seguir crescendo a taxas saudáveis ao redor de 4%, sem pressão inflacionária e mantendo o atual nível de desemprego, a chave para o segredo é óbvia: SETOR PRIVADO.

O setor privado é que vem sistematicamente reduzindo o investimento nestes últimos 15 meses e sem dar sinais que vá mudar no futuro próximo. (O IBRE da FGV já projetou que para o quarto trimestre o investimento continuará sua trajetória de queda).

Existe uma vasta literatura em economia que investiga e tenta explicar os determinantes para o investimento. Poupança, ambiente institucional seguro, taxas de retorno atraentes (portanto custos de capital competitivos) e expectativa de crescimento. Parece que, dentre estes, resolvemos apenas a questão do capital, entretanto ainda que os outros não estejam 100% sanados, chegamos a uma taxa de investimento ao redor de 20% há bem pouco tempo, o que aconteceu então no passado recente ?

A percepção dos agentes econômicos parece estar na linha de descrédito com o crescimento e também há uma desconfiança com relação ao ambiente institucional que recentemente andou sofrendo abalos nos casos das renovações das concessões do setor elétrico (a truculência do governo levou a perdas recordes do valor de mercado das empresas do setor elétrico, está claro que o mercado viu com maus olhos a forma como se deu a atuação do governo para reduzir a conta de energia), na petrobrás e no formato dos modelos de concessões para a privatização dos aeroportos, rodovias e ferrovias.

A hiperatividade do governo nas questões micro-economicas também causa desconforto. É postergação da redução do IPI aqui, aumento das tarifas de importação acolá, reuniões com empresários resmungões e liberação de verbas via BNDES mais ali na frente e assim vai, num ritmo frenético de curativos pontuais sem atuar efetivamente de forma horizontal e ampla nas verdadeiras causas estruturais dos problemas já conhecidos, principalmente no que tange a infra-estrutura e àquelas que elevam o chamado custo Brasil.

A visão da equipe econômica atual é homogênea e falta discordância. Como já dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, e no governo Dilma ela é, infelizmente flagrante.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A VERDADE POR TRÁS DOS PREÇOS, VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR ...

Na economia capitalista existem poucas coisas mais importante do que o PREÇO. Ele é que transporta o conhecimento do mercado e direciona seus agentes para a melhor tomada de decisão. Uma anomalia é rapidamente transmitida através dele para que as devidas correções se façam. O preço é instrumento de planejamento, por ele o empresário sabe quanto precisa poupar para fazer o aumento da sua fábrica ou por uma família sabe quanto de trabalho deverá ser alocado para pagar uma viagem ao exterior ou para orçar os gastos a fim de pagar a faculdade do filho. Talvez o mais importante: O preço é quem informa o que produzir, o quanto produzir, onde produzir e para quem produzir.

Na vida estamos o tempo todo tomando decisões econômicas, não podemos ter tudo o que queremos, precisamos portanto alocar nossos recursos, nosso capital, nosso esforço, nosso dinheiro naquelas opções que, dentre muitas, maximizem a satisfação dos nossos desejos. Qual é o balizador mestre deste processo: O Preço. 

Vamos exemplificar com algumas hipóteses. O preço pode este ano lhe "dizer" por exemplo para não viajar para o nordeste. Note que você nem precisa saber o motivo, talvez a causa seja um inverno rigoroso no hemisfério norte que tenha aumentado a onda de turistas que encareceram os serviços. Não importa, o preço já te "aconselhou" a tomar a melhor decisão. Da mesma forma ele também é quem eventualmente indicará ao agricultor para plantar trigo, no lugar de milho, porque houve uma quebra de safra gigantesca causada por um tornado nos EUA. Ele também pode lhe "falar" para evitar andar mais carro e substituí-loc pelo metrô, devido ao aumento dos preços da gasolina. Você também nem precisa saber que este aumento se deve a uma nova guerra na região do golfo que paralisou a produção na Arábia Saudita.

Ludwig Von Mises, expoente economista da escola austríaca, explicitou como poucos o papel central do preço no capitalismo. Leia esta passagem de seu livro "As seis lições":

"Quando se trata de escolher entre o socialismo e o capitalismo como sistema econômico, o problema é um tanto diferente. Os teóricos do socialismo jamais suspeitaram que a indústria moderna - juntamente com todos os processos do moderno mundo dos negócios - se basearia no cálculo. Os engenheiros não são, de maneira alguma, os únicos a planejarem com base em cálculos; também os empresários são obrigados a fazê-lo. E os cálculos do homem de negócios se baseiam todos no fato de que, na economia de mercado, os preços em dinheiro dos bens não só informam o consumidor, como fornecem ao negociante informações de importância vital sobre os fatores de produção, porquanto o mercado tem por função primordial determinar não só o custo da última parte do processo de produção, mas também o dos passos intermediários. O sistema de mercado é indissociável do fato de que há uma divisão mentalmente calculada do trabalho entre os vários empresários que disputam entre si os fatores de produção - as matérias-primas, as máquinas, os instrumentos - e o fator humano de produção, ou seja, os salários pagos à mão- de-obra. Esse tipo de cálculo que o empresário realiza não pode ser feito se ele não tem os preços fornecidos pelo mercado."

Para que fosse possível substituir o sistema de preços na economia cada vez mais dividida e complexa de hoje, teria que haver um ser onipresente com uma inteligência descomunal e uma capacidade de processamento maior do que qualquer computador já feito para determinar o que produzir, quando, onde, por quem, pra quem, quanto e como. Os soviéticos tentaram até inventar este ser por lá. Chamava-se Gosplan (órgão de planejamento central da economia comunista na URSS) mas que, embora tenha obtido relativo sucesso para tirar os russos da economia agrícola semi-feudal que se encontravam logo após a revolução, terminou num retumbante num fracasso.

Diante do exposto, para que o sistema de preços exprima com a maior exatidão possível o valor real e também relativo dos bens é primordial que ele esteja livre de controles superficiais ou qualquer gestão supramercado, pois o que estas espécies de "amarras" provocarão são ruídos pelo caminho e que em última estância acabarão por gerar excessos ou escassez de produtos, ineficiência. Exatamente o que ocorreu quando o presidente José Sarney congelou o preços no plano cruzado ou, no outro extremo, imprimiu  sem parar dinheiro para pagar dívida, gerando inflação, que em última análise nada mais é do que um desarranjo nos preços, por estar a emissão de moeda em desacordo com a produção dos bens.

No Brasil o sistema de preços está longe de funcionar como deveria. A presença maciça do Estado na economia gera toda sorte de desequilíbrios. Vamos a alguns deles:  (1) O controle artificial do preços da gasolina estimula o uso do automóvel acima da capacidade das vias e provoca prejuízos aos produtores de etanol. (2) A diminuição do custo do dinheiro (através de prática de juros abaixo do mercado e afrouxamento de políticas de crédito) nos bancos públicos, provoca aumento da inadimplência (claro que eles podem fazer isto tranquilamente porque se o Banco do Brasil ou a CEF precisarem de dinheiro, o governo - ou melhor nós - cobrimos o rombo, como já fizemos varias vezes em passado não muito distante). (3) Ao querer, por decreto, determinar qual será o lucro nos processos de privatizações dos aeroportos e renovações das concessões para as empresas de energia, espanta investidores e esvazia os leilões. (4) Ao aumentar preços, por pressão de lobistas, de produtos importados (via aumento de IPI ou II) diminui a concorrência e deixa o empresário nacional livre para aumentar o preço de seu produto, gerando inflação. (5) E ao segurar o artificialmente o preço do real frente a outras moedas (taxa de cambio) provoca perda de confiança do investidor e mexe com toda estrutura de preços relativos no mercado de produtos comercializáveis. Estes exemplos poderiam seguir, infelizmente, até a casa dos milhões.

Para encerrar, uma máxima de autoria desconhecida: "O melhor governo é aquele que menos governa".

domingo, 9 de dezembro de 2012

FECHADO PARA O COMÉRCIO, FECHADO PARA O FUTURO

O Brasil é um país "ultramegasuper" fechado, seu coeficiente de importação (volume importado  sobre o PIB, tendo o ano de 2011 como referência) é o menor do mundo. (Pelo menos entre os países de que se tem dados disponíveis). É sabido que o país se industrializou utilizando o modelo de substituição de importações onde o governo protegia determinados setores, fechando seu mercado a concorrência estrangeira e fornecendo subsídios para que grupos internos desenvolvessem sua produção dentro do país. Ok, até que este expediente funcionou com algum sucesso até meados da década de 70, mas atualmente a história é bem outra.


É lamentável que após mais de 200 anos da teoria das vantagens comparativas, em que o economista inglês David Ricardo comprovou que a melhor forma de uma nação prover produtos de qualidade e baratos para seu povo é se especializando em determinadas atividades na qual possui uma vantagem, comparativa aos demais países concorrentes, e comercializando-as em troca daqueles bens produzidos, seguindo a mesma ótica, em países estrangeiros. 


Por aqui nossos governantes têm a pretensão de que sejamos auto-suficientes em tudo, de A a Z. Fica mais eficiente, portanto, ao empresário nacional ir chorar pro governo por um aumento do imposto de importação aqui, uma cota de importados ali, uma barreira sanitária mais acolá do que investir em inovação, modernizar a gestão ou criar alternativas que aumentem a qualidade de seus produtos e melhorem a sua competitividade.

Ao final desse jogo, em que o Governo se dispõe a ouvir e atender ao loby das empresas ineficientes e do empresário que recorre a esse expediente sempre que esta perdendo mercado à concorrência estrangeira, só temos um perdedor: O consumidor brasileiro. Ele vai pagar mais caro por um produto de pior qualidade. É um ciclo vicioso que impõe pressão sobre a inflação e amarras à produtividade.

É preciso visão estratégica e muito poder de oratória os políticos (sem falar em   desapego a ideologias e dogmas esquerdistas) para convencer as massas eleitorais de que no curto prazo haverá empresas quebrando e desemprego subindo no processo de abertura das barreiras protecionistas, mas ao final sairemos com maior capacidade competitiva, mais crescimento e um mercado consumidor mais exigente e bem atendido.

Em recente matéria a conceituada revista The Economist reporta o novo bom momento por que passa o México e com futuro ainda mais alvissareiro. Na última década o México se abriu para o comércio internacional fazendo mais de 44 acordos de livre comércio mundo afora, além de já ser parte do Nafta. (o bloco econômico composto pelo México, EUA e Canada). Amargou a concorrência chinesa que desde a entrada do país asiático na OMC tirou mercado da indústria mexicana e jogou o país, nos primeiros dez anos do século XXI, numa onda de crescimento fraco, média 1,6% (menos da metade do Brasil no mesmo período). 

Após o choque de competitividade a indústria mexicana passou pela famosa "destruição criativa" (termo cunhado pelo célebre economista austríaco Joseph Schumpeter para descrever o processo de inovação nas economias de mercado onde o novo e mais eficiente dá lugar ao velho e atrasado) e hoje produzir no México (quando você coloca custo de salário, logística e flutuação do cambio) passou a ser mais barato, para os norte americanos, do que na China, na India ou mesmo no Vietnã. O México passou pela forja dos guerreiros, saindo mais forte e mais competitivo para lutar na batalha contínua e cada vez mais árdua pelo mercado global. O país já forma anualmente mais engenheiros do na Alemanha. Honda, Nissan, Mazda, Audi e diversas outras empresas automobilísticas estão ampliando ou instalando parques fabris onde mais de 80% dos componente serão produzidos no interior das fronteiras mexicanas.

Agora o que é mais assustador. Já existem não pouco especialistas apontando o México como a maior economia da América Latina, destinada a tirar o Brasil deste posto nos tempos que virão. Este ano eles deverão crescer acima de 4%, enquanto aqui ficaremos no máximo em 1,5% e para os próximos o novo presidente eleito, Enrique Peña Nieto, espera alcançar taxas de crescimento superior a 6% até o fim de seu mandato. 

Enquanto isso vamos nos contentando em assistir na televisão o tempo todo comerciais das concessionárias trombeteando : Venham, venham, não percam a promoção deste último final de semana com IPI reduzido !!!  Pelo Amor de Deus ...


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