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sábado, 21 de março de 2015

A FALÁCIA DA REPRESENTATIVIDADE

A democracia é o poder do povo que o exerce através do voto ao eleger seus representantes.

É o que dizem os livros de moral e cívica e os pais aos seus filhos desde a mais tenra infância.

Nada mais enganoso. Trata-se de um engodo que não resiste a meia hora sequer de reflexão mais séria.

E se eu não votar ?

E se o meu candidato não vencer as eleições ?

E se os candidatos mesclarem políticas das quais eu concorde com outras que eu discorde ?

E se mesmo vencendo ele não por em prática as políticas que disse que iria executar no período eleitoral ?

A teoria diz que "basta você estar no regime democrático" que estas questões não mudam o fato. Você está sendo sim, representado.

O voto é um instrumento fragilíssimo. É como se você fosse para uma negociação de negócios, ou para um julgamento no tribunal no qual, para expor seus argumentos e colocar suas pretensões, você só pudesse dizer sim ou não.

Para abrir uma conta bancária, efetuar o desembaraço aduaneiro de um produto importado ou entrar com uma ação na justiça por exemplo, faz-se necessário uma procuração específica e detalhada, que o principal tem que fornecer ao agente (no caso, o corretor, o despachante e o advogado) a fim de conceder-lhe poderes para o desempenho da tarefa. A relação é voluntária e - muito importante - pressupõe responsabilidades caso o representante não cumpra com o que foi exatamente lhe incubido, ensejando inclusive penalidades e indenizações de descontrato.

Agora, pegue esta descrição sucinta acima de um típico desenho de representatividade e aplique no modelo de governo democrático.  A falácia fica flagrante. Nada mais do que um jogo de palavras para fazer o sujeito acreditar na legitimidade do regime.

Os pretensos agentes do povo são na verdade, os agentes de ninguém.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE

Estudo interessante do economista de Princeton,Thomas Fujiwara,(aqui) mostra que a implantação do voto eletrônico no Brasil, por ter ocorrido de forma gradativa, criou espaço para testar algumas hipóteses interessantes.

Foram levantados dados de municípios, num mesmo período eleitoral, que usaram urnas eletrônicas versus àqueles que não usaram.

Primeiro reduziu-se o número de votos nulos e brancos entre analfabetos e os mais pobres (o que era de se esperar num país onde 23% dos adultos não conseguem ler ou escrever uma simples frase), o que elevou a inclusão de eleitores que até então estavam sub-representados e aumentaram as chances de candidatos com menor poder aquisitivo e menor grau de educação de serem eleitos - candidatos "mais parecidos" com o eleitorado que ele representa.

As transferência de renda e políticas de assistência médica e social aumentou, nos anos que se seguiram, nas municipalidades em que o voto eletrônico foi introduzido. 

O poder do voto compeliu os políticos a atender os clamores de toda uma parte da população que não era ouvidas nas urnas.
  

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