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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CORRENDO PELO RALO

Parte substancial da nossa mão de obra mais produtiva escoa pelo ralo. Ocupando posições que nada acrescentam ao desenvolvimento do país. 

Funcionários públicos é uma das profissões mais procuradas, existe até um novo profissional surgido na esteira desta realidade: o "concurseiro". Pessoas que emendam o término da faculdade com a entrada num cursinho preparatório com vistas a entrar nas fileiras do serviço público. Também tem o pessoal que cansou da  concorrência "selvagem" do mundo corporativo e resolveu pegar o dinheiro da demissão (FGTS, Indenização, seguro desemprego, etc) para patrocinar o período de reclusão nos estudos e tentar uma carreira como fiscal, analista judiciário, agente da Anvisa, guarda rodoviário, técnico do banco central, cozinheiro da câmara ou qualquer outro da longa lista de cargos providos pelo Estado.




















Uma outra raça que se alimenta de improdutividade é o pessoal das consultorias e escritórios de advocacia na área tributária. O intrincado e absurdo emaranhado de regras, leis, portarias, códigos, acórdãos e sentenças que versam sobre impostos, taxas, benefícios fiscais, precatórios, multas e planejamentos tributário são de tal ordem que existe profissionais com especialização e muitas vezes até mestrado em apenas um tipo de imposto. O sujeito é mestre em IPI, ou pós-graduado em IR/CSLL ou possui MBA em ICMS.

Os últimos que nos afogam neste mar de subdesenvolvimento é o pessoal que recebe um ou mais dos inúmeros benefícios concedidos pela pátria querida. 
Filhas de funcionários públicos que recebem pensão integral do pai falecido pro resto da vida. Professores que mantêm até 5 matrículas (o máximo são 2) para ganhar salários sem trabalhar de 3 delas. Meninas casando com funcionários públicos prestes a morrer pra receber pensão como viúva por 30, 40, 50 anos. Um exército de cadastrados nos programas do governo - Bolsa Família, seguro desemprego, pensão por invalidez, etc,… - sem serem elegíveis. E aposentados com apenas 52 anos de vida.
A Constituição de 1988 (a mais socialista já redigida na face da terra) determina que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, basta ler um jornal ou passar em frente a um hospital público para constatar que na prática a lei é outra. Ainda assim tem gente (com recursos porque contratar advogado custa caro) que entra com ação exigindo que o Estado pague tratamentos caríssimos (pasmem, alguns até no exterior) por conta da garantia assegurada no texto constitucional.

sábado, 17 de janeiro de 2015

SOBRE DISCRIMINAÇÃO E POLÍTICAS AFIRMATIVAS

A maior política afirmativa que qualquer Estado pode promover para igualar o nível de renda das minorias é a desregulamentação e a remoção de qualquer benefício (tributário, financeiro ou comercial) do mercado, deixando-o livre para escolher de acordo com o mérito puro e simples.

No longo prazo o que irá ocorrer é um ganho de produtividade da economia e uma seleção natural daqueles que, por apresentarem as melhores performances, elevam o nível geral de lucratividade.

Políticas de cotas raciais em universidades, de conteúdo nacional no comércio ou de reserva de vagas para egressos de escola pública apenas condenam todo o sistema a mediocridade. Diminuindo a produtividade geral, tirando a competitividade da nossa economia e, na melhor das hipóteses, retardando muito o crescimento do país.

Você pode pensar, ora mas então os negros, as mulheres, os homossexuais ou outras minorias étnicas, permanecerão de fora ? 
Não. Pegue o exemplo de atividades onde a competitividade é acirrada e quase perfeita. Por que depois que o vasco da gama, time de futebol do rio, começou a aceitar negros em sua equipe, as outras logo fizeram o mesmo ? Porque os clubes que os deixassem de fora perderiam mais jogos. Os jogadores negros tinham uma produtividade superior. Nos EUA, por exemplo, 13% da população é negra, mas eles representam 75% dos jogadores da NBA (e ninguém fala em reservar cota para brancos). Por quê ? Porque eles são "god damm goods".
Nenhum povo foi tão perseguido, durante tanto tempo, como os judeus. Ainda assim, transformaram um país minúsculo  no meio do deserto e cercado por inimigos históricos de todos os lados, numa das nações mais prosperas da atualidade. Além de dominar as finanças em boa parte do globo.

Os salões de beleza estão repletos de excelentes profissionais em que sua grande maioria são homossexuais, as mulheres já se formam em maior número nas universidades e, entre o público solteiro com mesmo grau de escolaridade, possuem uma renda maior do que os seus pares do sexo masculino.

Portanto, naqueles mercados em que os agentes tem a única preocupação de produzir mais, melhor e com menor custo do que o concorrente, o que impera é a competência e não a cor da pele ou qualquer outro preconceito.

Para se chegar neste ideal, temos que fazer com que nossa economia se pareça, em termos de regras e incentivos, com um campeonato de basquete, ou seja, sem barreiras de entrada, com regras claras e perenes, com árbritos imparciais e com os times focados num único objetivo: O da vitória. Tha's all.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

ANALFABETISMO FINANCEIRO EM PAÍSES DESENVOLVIDOS

Leia as questões abaixo e ache as respostas:

1) Suponha que você tenha depositado $ 100 numa conta que remunere 2% ao ano (desconsidere efeito de impostos ou taxas de administração, apenas o rendimento).
Depois de 5 anos, quanto você acha que terá na conta se você deixar o dinheiro lá rendendo ?
a) mais de $102
b) exatamente $ 102
c) não sabe ou recusa-se a responder

2) Imagine que a taxa de juros dos seus rendimentos na poupança tenha sido de 1% e que a inflação no mesmo período foi de 2%. Com o valor final que sobrou você conseguirá, no geral?
a) Comprar mais do que antes
b) Comprar menos do que antes
c) não sabe ou recusa-se a responder

3) Você acha que a seguinte a afirmação esta correta ou falsa:
Comprar ações de uma única empresa geralmente provê resultados mais seguros do que a compra de uma cota de um fundo de ações.
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Pois bem, estas perguntas foram feitas em alguns países, veja abaixo o percentual de quem acertou as 3 questões.

EUA - 30,2%
Holanda - 44,8%
Alemanha - 53,1%
Japão - 27%
Austrália - 42,7%
Nova Zelandia - 24%
Suiça - 50,1%
Itália - 24,9%
Suécia - 21,4%
França - 30,9%
Russia - 3,7%
Romenia - 3,8%

Trata-se de países com ótimas estruturas de ensino, que vão bem nos testes internacionais de educação,mas que em relação a conceitos básicos de finanças a deficiência é absurda.

Isto levanta duas questões. Quem tem instituições fortes, saudáveis e responsáveis aplicam boas políticas econômicas independentemente se a população em geral tem ou não poder de entendimento e de argumentar sobre o tema, caso contrário seria de se esperar que as contas públicas seriam caóticas e que os políticos tenderiam ao populismo. 
A outra questão é que se para países com este nível de desenvolvimento e educação o resultado foi deplorável, como seria em nações com histórico de ensino abaixo da crítica como a nossa? Talvez nem ler as perguntas eles saberiam.

Para quem quiser ler o paper e se aprofundar mais no assunto, ele está aqui.

as respostas certas, caso você esteja se perguntando de que lado da taxa de analfabetismo financeiro você se encontra são:
a, b e F


sábado, 3 de janeiro de 2015

PREFERÊNCIA PELA IDIOTICE


  • Entre ler uma entrevista do novo ministro da Fazenda e uma notícia da nova contratação do Flamengo, a segunda ganha de 10 x 0;
  • Um canal passando Big-Brother e outro sobre a CPI do Petrolão, qual você acha que terá mais ibope?
  • Entre saber qual o novo namorado na Marquezine ou puxar uma conversa sobre o protecionismo brasileiro e a constante leniência deste governo com a inflação, quais as chances de sermos ouvidos caso optemos pelo segundo tema ?
E tal padrão de preferência se repete em assuntos referente à política, à história, à economia, ao direito ou à filosofia quando confrontados com fofoca, novela, futebol ou video-game. 

Não sei a resposta para tal puzzle, mas sei as conseqüências: Mais alienação, mais cidadãos sendo bovinamente enganados, mais corrupção e mais exploração. Em suma, o mundo sendo tomado por idiotas !!



domingo, 9 de novembro de 2014

CHEGA DE TEORIA, VAMOS AOS FATOS

Adam Smith disse certa vez que "A ciência é o grande atídoto contra o veneno do entusiasmo e da superstição." 

Ela é a guia usada por este blog para mediar conflitos de visão.

Dito isto, em um debate científico acirrado, os FATO é a autoridade que decide quais idéias são válidas e quais são inválidas. Então vamos a eles:

  • No ano o dólar valorizou-se 8,77% frente ao real. Nesta sexta (6/11) fechou em R$2,56 e manteve o maior valor em 9 anos.
  • Dois em cada três projetos de transportes do PAC registram atrasos de mais de dois anos
  • Na transposição do São Francisco, as obras foram iniciadas em 2005 e em 2007 passaram a integrar o PAC, com orçamento original de R$ 4,2 bilhões e previsão de inauguração do primeiro eixo em junho de 2010, e do segundo ao final de 2012.Mas em abril passado um pouco menos de 60% das obras haviam sido executadas e a previsão de entrega fora adiada para dezembro de 2015, com um orçamento revisto para R$ 8,2 bilhões.
  • O governo federal fechou setembro com um rombo recorde nas contas públicas. O déficit foi R$ 25,5 bilhões só deste mês é o pior da série histórica do Banco Central.
  • O Governo não atingirá a meta de superávit fiscal assumindo na LDO. Terá que diminuí-la ou flexibilizar o critério para poder contabilizar mais abatimentos do gasto. A realidade não muda, o que muda é a forma de apresentá-la ao público.
















  • Em 2014 o país crescerá 0,2%, dessa forma o governo Dilma entregará a 3ª pior performance da história republicana do Brasil com média do PIB em 1,6%, menor que a média mundial de 3,5% e da América latina de 3,8%, no período.
  • O crescimento da produtividade da economia brasileira (medida pela produtividade total dos fatores) foi de zero nos últimos 3 anos.

  • O programa, cujo gráfico é apresentado abaixo, chama-se Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, muito pouco divulgado e focado a famílias de baixa renda. Pois bem, os desembolsos "concidentemente" dispararam no período eleitoral. Tirem suas próprias conclusões, neste post estou mostrando apenas os fatos. (caso queiram mais detalhes: aqui)

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,15-fracassos-do-governo-dilma-na-area-economica-imp-,O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:Em Eem


  • Apenas em agosto deste ano, a Petrobrás conseguiu retomar o volume de barris que produzia em dezembro de 2010. (2,1 milhões por dia)

  • Mantega será o ministro que mais tempo permaneceu no cardo mesmo após ter sido demitido.
  • O avanço do coeficiente de Gini nos 3 últimos governos foram os seguintes, em pontos percentuais. Na gestão FHC o avanço foi de 1,5pp, de Lula, 5,2pp e Dilma 0,7pp.
  • Entre os países que mais produzem ciência, no governo de FHC o país subiu sete posições, de 24º para 17º, no governo do PT, quatro posições, até 13ª. (fonte: aqui)
  • A miséria voltou a subir no Brasil em 2013, segundo dados apurados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O instituto mostra que, entre 2012 e 2013, houve um aumento de 3,68% no número de indivíduos considerados abaixo da linha da pobreza, ou indigentes — passaram de 10.081.225 em 2012 para 10.452.383 no ano passado, ou seja, mais de 371.000 pessoas entraram para o grupo de miseráveis no período. Este foi o primeiro aumento desde 2003, quando o indicador passou a cair ano a ano.
  • De acordo com estudo do Banco Mundial (publicado em 28 de outubro deste ano), Brasil demora 83,6 dias para se abrir um negócio, contra 5,6 dias nos EUA e 31,7 dias da América Latina. Ocupamos a 120ª posição entre 189 países abrangidos pelo estudo.
  • Em agosto de 2014 o Banco Central informava que a dívida externa bruta totalizava US$ 333,1 bilhões. E atestava que as reservas internacionais totalizam US$ 379,4 bilhões. O Brasil integra o ranking dos 15 países com maior dívida externa, segundo relatório do Banco Mundial.
  • Dois dias depois da eleições o PT publicou um documento com as linhas mestras de atuação do partido nos próximos 4 anos. As referências a idéias e políticas de cunho socialista-bolivarianas permeiam todo o documento. Veja por exemplo um dos compromissos almejados:  "Total soberania sobre as riquezas nacionais, entre as quais o Pré- Sal, e controle democrático e republicano sobre as instituições que administram a economia brasileira, entre as quais o Banco Central, a quem compete entre outras missões combater a especulação financeira"
  • A auditoria PwC se recusou a aprovar o balanço da Petrobrás se o presidente da Transpetro não fosse afastado, Sergio Machado. Ele é acusado pelo operação Lava Jato da polícia federal de pagar R$ 500 mil para o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em um esquema para direcionar licitação de contratação de navios. Na segunda-feira, Machado se afastou.
  • Balança comercial se deteriora. Atinge o pior saldo em 15 anos.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

ANALFABETISMO ECONÔMICO

Nações ao redor do mundo, principalmente àquelas com baixos índices educacionais, têm sido vítimas sistemáticas de populismo, de péssimas políticas públicas e de intervencionismo estatal intenso.

A Economia, embora um número cada vez maior de "especialistas" leigos teimem em dizer o contrário, é complexa e está repleta de questões contra intuitivas: - Como pode um sistema de trocas ser mais eficiente, deixada por si mesmo sem qualquer tipo de intervenção, do que um planejado por um grupo de especialista munidos de computadores de última geração ?

Difícil vislumbrar qual matéria possui maior potencial de dano a um país se mal entendida e mal aplicada do que a Economia. Argentina, Venezuela, Cuba, Coréia do Norte e o império soviético são exemplos maiúsculos do que a venda da economia das boas intenções pode causar a uma nação.

Em discurso dirigido para todo o país em cadeia nacional de rádio e televisão a presidente Dilma veio a público no ano passado para divulgar o arranjo feito com as empresas de energia para possibiitar a diminuição na conta de Luz aos consumidores finais de aproximadamente 20%.

Ora, pensa o eleitor incauto (geralmente um analfabeto econômico), que presidente maravilhosa !! Preocupada com seus cidadãos e com suas empresas !!!

Só que em economia não existe almoço grátis, se a redução de um serviço não se dá por ganhos de produtividade (inalterada a oferta e a demanda), o que ocorre na prática é a transferência da conta, antes paga por um, para outro pagar. No caso da energia por exemplo, o Brasil além de perder credibilidade junto aos investidores pela forma que foi imposto às concessionárias o reajuste das contas, ainda vem acumulando uma conta altíssima, que hoje gira na casa de R$13 bilhões por ano, para ser equacionada (provavelmente através de aumento de impostos, ou de aumento maior no futuro da conta de energia ou de dívida pública). Uma outra consequência perniciosa do populismo com a conta de luz é de incentivar o consumo e o aumento do risco de apagões.

O Brasil, afirmam os petistas para sua base eleitoral, esta se desenvolvendo como nunca antes, estamos com baixas recordes de desemprego. Um outro equívoco comum é a confusão entre aumento do emprego e desenvolvimento. Se isso fosse verdade a nossa agricultura seria uma das mais subdesenvolvidas do mundo, pois desde a segunda metade do século XX o êxodo rural foi uma marca forte não só no Brasil mais na maioria das economias ocidentais. A explosão  da produtividade no campo tornou possível que apenas 5% da população plante e alimente os outros 95% que moram nas cidades. O avanço  da tecnologia geralmente traz consigo um número grande de trabalhos extintos.

Os políticos são os maiores responsáveis em desinformar. Se o país cresce, não importa por que causa, o governante de plantão espertalhão irá trazer a autoria pra si. Inventará explicações fáceis e utilizará de lógicas rasteiras para ludibriar o povão. Já quando os números são negativos, a culpa é do tsunami monetário, da judicialização da política, da falta de chuva ou da famosa conspiração das elites.

Os incentivos da seara política conspiram contra medidas de desenvolvimento realmente eficazes. Aumentar o bolsa família ou investir em educação? Subsidiar empréstimos a grandes grupos ou diminuir gastos ? Aumentar o salário mínimo ou cortar as aposentadorias e pensões do funcionalismo público ? A diferença é que nos primeiros casos de cada exemplo os votos serão mais generosos.


Imigração e comércio exterior são outros temas de constante ignorância econômica. Ao contrário do que possa parecer: abrir as fronteiras ao capital e produtos estrangeiros traz mais benefícios do que malefícios ao país. Mantém a inflação baixa, aumenta a competividade do nosso parque industrial e integra o país as cadeias internacionais de valor.

Num país onde o voto é obrigatório e os níveis educacionais estão entre os piores do mundo, o terreno é fértil para as politicas populistas que insistem na tecla do planejamento, das boas intenções e do Estado como indutor econômico. Cabe a mídia, a academia e aos especialistas econômicos autênticos informar, educar e divulgar a ciência econômica. Esta guerra não será ganha da noite pro dia, nas vésperas de uma eleição ou num único livro. Ela será ganha no dia a dia das conversas de cafézinho do trabalho, nos encontros  de fim de semana, nos bate-papos das redes sociais e nas salas de aula. Dia a dia, homem a homem.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O MEU DINHEIRO NO MEU BOLSO E BANDIDO NA CADEIA

Na economia temos governo de mais. Na segurança temos governo de menos.

Onde ele deveria estar não está e vice-versa.

A presença ostensiva do Estado nas coisas econômicas (seja subsidiando grandes empresas, seja tomando poupança do trabalhador, seja fechando as fronteiras à importação, seja esgarçando a máquina tributária para fazer assistencialismo) afasta a iniciativa privada, o empreendedorismo e a inovação.

Já na segurança, onde a intervenção estatal seria, mais do que bem vinda, muito necessária, o governo se omite. E, seguindo a mesma lógica aplicada á questão econômica, só que no sentido inverso, onde ele deixa de atuar, a sociedade civil preenche os espaços. São justiceiros, milicianos e grupos de extermínio que tomam as rédeas da aplicação institucional da lei e resolvem ser polícia, ministério público, juiz e carrasco, tudo ao mesmo tempo.

Temos enfim o pior dos mundos em ambos os cenários, pois estamos indo na contra-mão da história. Somos o país com um peso estatal entre os maiores do mundo (o estado sorve 40% do PIB) e com os piores índices de violência global (o Brasil possui 5 entre as 15 cidades mais violentas do mundo).

Em resumo, não precisamos de meia entrada no cinema, nem de universidade gratuita, precisamos sim de uma polícia bem equipada e motivada para prender o bandido. Não precisamos de Copa do Mundo, nem de portos em Cuba, precisamos sim de um sistema judicial célere e que bote o marginal na prisão. Não precisamos de bancos públicos, nem de gasolina subsidiada, mas sim de prisões estruturadas para manter o preso decentemente tratado e isolado do contato de bandidos soltos.


domingo, 11 de agosto de 2013

CONJUNTURA - SO FAR SO BAD

Um panorama geral da economia via gráficos. Tire as suas próprias conclusões.

ÍNDICE DE CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL (CNI)


INDICE NACIONAL DE EXPECTATIVA DO CONSUMIDOR (CNI)


CRIAÇÃO LÍQUIDA DE EMPREGOS FORMAIS (CAGED)


EVOLUÇÃO DA DÍVIDA BRUTA DO SETOR PÚBLICO (BCB)



DÉFICIT EM TRANSAÇÕES CORRENTES (BCB)


VALOR DE MERCADO DAS EMPRESAS BRASILEIRAS (ECONOMÁTICA)



SALDO COMERCIAL (MDIC)




INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO (fonte BACEN - (*) estimativa Bradesco)



VENDAS DO VAREJO (IBGE)



INFLAÇÃO (IBGE)



PIB (IBGE / CNI)




segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A HIPÓTESE DA INCOMPETÊNCIA COMO EXPLICAÇÃO DO DESEMPENHO MEDÍOCRE DA ECONOMIA BRASILEIRA



O renomado macroeconomista brasileiro José Alexandre Scheinkman, professor de Princeton, afirmou em recente entrevista para a Folha (clique aqui) que a incompetência e a ideologia do governo explicam as ações (e omissões) equivocadas que vem provocando verdadeiros estragos na economia do país.


Erros de diagnósticos feitos pelo governo quando da crise de 2008 acarretaram a administração de remédios errados. Ali diferentemente das economias atingidas diretamente pela crise, não tínhamos restrição de demanda e risco de deflação, além disso com as taxas de juros internacionais atingindo patamares negativos, continuamos recebendo grandes volumes de capital externo. Diante deste cenário o relaxamento da política monetária é que deveria ser o carro chefe. "Ocorre que a reação da política econômica brasileira foi a de se comportar como a crise ameaçasse deixar o Brasil numa situação semelhante à dos países centrais...Como se houvesse o risco de uma situação de estagnação keynesiana, o Brasil reagiu a crise com uma política fiscal agressiva de aumento dos gastos públicos, principalmente através dos gastos correntes do governo". É o que afirma André Lara Resende num capítulo de nome sugestivo A oportunidade perdida: o equívoco da resposta à crise do seu paper "A Armadilha Brasileira".


Numa decomposição do PIB do último mandato de FHC e dos dois mandatos presidenciais de Lula, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa mostram que a diferença do maior crescimento apresentado no governo petista é quase que inteiramente explicado pela PTF - produtividade total dos fatores (capital, capacidade total instalada e trabalho são praticamente idênticas). O importante a se realçar é que este indicador é geralmente impactado por reformas feitas em períodos anteriores defasados no tempo (outros estudos mostram por exemplo que foram as reformas do PAEG introduzidos no governo Castelo Branco que levaram ao milagre econômico), ou seja, foram basicamente as reformas na área de crédito, serviços e  de cunho fiscais feitas na época de FHC que provocaram a melhoria institucional  e maior crescimento nos 8 anos de Lula. (leia o paper aqui)

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As constantes desonerações tributárias para agradar setores com poder vocal relevante também produziram seus estragos. Além das distorções de preços e de incentivos perversos (fica o mau exemplo para quem ainda não foi pedir agrado ao governo que vale a pena fazer pressão à gastar com inovação por exemplo) no longo prazo o populismo tributário sem a correlata diminuição dos gastos tem efeito de expansão fiscal, produzindo pressão inflacionária e necessidade de mais aperto monetário no futuro. Um artigo interessante dobre o assunto escrito pelo economista Fabio Kanczuk pode ser lida aqui.

As políticas protecionistas também são outra marca forte da equipe econômica. Exigências de conteúdo nacionais, aumento de alíquotas de importação e imposição de barreiras não tarifárias são lançadas a todo momento. O resultado é um pais com o menor índice de importação (relativo ao PIB) do planeta e uma estrutura industrial cada vez menos integrada às cadeias de excelência internacional. Edmar Bacha relata alguns exemplos e suas pérfidas conseqüências para o país aqui e aqui e aqui.


Poderíamos discorrer aqui sobre diversos outros temas onde o governo atuou de forma lastimável, evidenciando que a hipótese da incompetência da equipe econômica é a que mais se aproxima do diagnóstico correto quando se avalia as causas do pífio desempenho brasileiro, especialmente do período Mantega em diante. Maquiagem das contas públicas, controle dos preços da gasolina, leniência com a inflação e escolha de campeões nacionais via BNDES são alguns dos exemplos mais flagrantes.


O resultado da barbeiragem aparece de forma cada vez mais acentuada nos diversos indicadores de conjuntura. Resta saber agora se o indicador político mais importante, as urnas, também se manifestará de forma negativa e derradeira para reprovar os atuais condutores desta forma de se fazer economia. É o velho desenvolvimentismo pairando novamente aqui na terra brasilis.


domingo, 16 de junho de 2013

O DINHEIRO, A FELICIDADE E A ECONOMIA.





No excelente livro "Os Limites do Possível", o brilhante economista, André Lara Resende (dono de um currículo invejável, com PHD pelo MIT, cátedra na PUC/RJ e passagem pelo banco de investimento Garantia de Jorge Paulo Lehmann) chama a atenção para a automática aceitação, não tão verdadeira, da associação entre aumento de renda e bem-estar.

A economia, através de suas análises e receituário, objetivam na esmagadora maioria dos casos, ao aumento da renda per-capta de uma nação, por entender que isto se traduzirá em aumento do consumo, da diminuição das restrições de escolha, de mais laser e até mesmo de mais tempo livre e elevação da saúde. Em última análise, de uma vida melhor.

A renda per capta também facilita pelo lado da mensuração, haja vista se tratar de uma variável que pode ser matemática e objetivamente calculada pelos institutos de estatística e pesquisa.

Mas afinal de contas dinheiro traz ou não traz felicidade ? A resposta é: Depende. 
Até o ponto em que ele cubra as necessidades básicas, ele obviamente proporciona um ganho considerável de bem-estar. Não dá para o indivíduo pensar em mais nada se nem dinheiro para comida ou para se vestir ele possui.

O ponto curioso, e talvez contra-intuitivo, é que de um certo nível de renda para cima (estudos apontam para algo surpreendentemente baixo, em torno de U$75.000/ano) o ganho que um punhado de dólares adicionais proporciona é nulo. A partir daí o que importa é família, amigos, amor e,.... ausência de contrastes.

Pesquisas conduzidas pelo excitante ramo da economia, denominada economia comportamental, mostram que a igualdade é muito eficaz como causadora de felicidade. O cidadão mora em um condomínio residencial de luxo e tem um carro bacana, mas se o vizinho ao lado compra um helicóptero e decora sua casa com quadros raros, a depressão e conseqüente queda no índice de felicidade do nosso cidadão em questão passará por uma queda drástica.

Em resumo a felicidade é maior, por exemplo,  em um subúrbio de classe média, onde todos são pessoas com o mesmo nível de renda (vamos supor um condomínio de casas de oficiais militares) do que num bairro mais heterogêneo onde mansões de alto padrão convivem com apartamentos de menor gabarito. 

O desafio do Estado moderno e de renda média é saber como então endereçar esta questão.

Parece que assim como na física de Einstein, a tão perseguida felicidade também é relativa !

sexta-feira, 31 de maio de 2013

DILMA FAZ FORÇA PARA NÃO SE REELEGER

Pelo visto a economia neste primeiro mandato da era Dilma será mesmo um horror.

Vamos começar pelo PIB. O economista do IPEA Mansueto de Almeida publicou este gráfico em seu Blog:


Crescimento do PIB por mandato presidencial – 1995-2014*
conjuntura02
OBS: Crescimento real projetado para o PIB em 2013 e 2014 de, respectivamente, 2,5% e 3,3%.
Em 4 anos, Dilma conseguirá crescer, na média, o mesmo que os 8 de FHC. Ocorre que FHC vinha de um Brasil destroçado pela inflação, enfrentou crises de dívida aqui e lá fora (México, Rússia, Asia) e em sua época o Brasil não gozava do status de país em desenvolvimento, queridinho dos investidores, nem tampouco de uma oposição omissa, como hoje usufrui o PT.
O gráfico abaixo mostra trajetória do superávit primário do Setor Público, nota-se que a turma do Mantega também vem detonando com este importante indicador. Vale ressaltar que desde a implantação em 2000 pelo governo FHC da Lei de Responsabilidade Fiscal, nunca tivemos números tão fracos.



Por último a inflação:
Não vamos nem mencionar a era FHC, já que foi ele como ministro da Fazenda que em 1994 implantou o Plano Real, que deu fim ao apocalipse da carestia. Seu governo foi uma espécie de plano estratégico de consolidação para a cicatrizarão das feridas provocadas por tanto tempo de hiperinflação e dos planos tresloucados para debelá-la. Na era Lula a inflação foi de 5,7% na média. Dilma nestes mais de 2 anos de governo apresenta uma média de 6,2%.
EPÍLOGO:
As contas externas vem se deteriorando com o saldo da balança projetando valores abaixo de U$10 bilhões (pior marca em 12 anos). Investimento anêmico e produção industrial pífio são mais alguns dos péssimos resultados trazidos pela turma do Mantega.
A última súbida da Selic em 0,5%, superando as expectativas do mercado, parece demonstrar que finalmente Mantega perde o poder supremo de condução da economia Dilminiana, em favor do pessoal mais técnico do BC.
A oposição, fosse ela mais agressiva e incisiva, acionava as trombetas pelos 4 cantos do país, denunciando a incompetência e esgotamento do modelo petista. Dados para provar é o que não faltam. Espero apenas que a popularidade da ex-guerrilheira se torne mais coerente com a realidade dos números da economia. Afinal de contas o povo, como dizem os populistas, entendem mais através do bolso...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ROGÉRIO WERNECK

Texto publicado na Folha de São Paulo e o Globo em 12 de abril deste ano pelo excelente economista da PUC-RJ Rogério Werneck.


Reeleição, a todo vapor Rogério L. Furquim Werneck*


      Pensando no imediatismo e na inconsequência que vêm marcando a condução da política econômica no País, por conta da precoce fixação do Planalto na reeleição, lembrei-me de uma passagem marcante de um livro que li há mais de 50 anos.
         Sou da época em que crianças ainda liam Julio Verne. Assim mesmo, com prenome aportuguesado, como o autor era conhecido por aqui. A volta ao mundo em oitenta dias, publicado em 1873, é um dos seus livros mais famosos. Conta as aventuras de Phileas Fogg, um solteirão inglês rico e excêntrico, que aposta com outros sócios de seu clube que poderia fazer uma viagem ao redor do mundo e retornar a Londres em apenas 80 dias. Bastam dois parágrafos curtos para situar, no enredo, o episódio de que me lembrei.
           Fogg cruza a Europa e a Ásia, atravessa o Pacífico e segue, por trem, de São Francisco a Nova York. Mas não chega a tempo de embarcar no navio em que pretendia retornar à Inglaterra. E aí se vê em dificuldades. Os navios que estavam prontos para zarpar não eram suficientemente rápidos. Os que eram, não sairiam a tempo de Nova York. Mas Fogg afinal descobre o Henrietta, um cargueiro que parecia adequado, prestes a partir vazio para Bordeaux. Era um navio típico do período de transição da navegação a vela para a vapor. Já tinha propulsão a vapor, mas ainda era dotado de velas. E, afora o casco de aço, a caldeira e a máquina a vapor, era todo de madeira.
           Fogg embarca no Henrietta e consegue desviá-lo para a Inglaterra, graças a um motim por ele fomentado. Mas a travessia acaba tendo de ser feita em meio a uma tempestade. E logo fica claro que o estoque de carvão do navio, dimensionado para uma travessia calma de Nova York a Bordeaux, era insuficiente para a viagem a todo vapor, em mar revolto, que estava sendo empreendida.
         É nesse ponto que vem o episódio que me veio à mente (capítulo 33, para quem se interessar). Com o carvão prestes a acabar, Fogg convence o capitão, a quem o navio pertencia, a lhe vender o Henrietta. E, para manter a pressão da caldeira, ordena que todas as partes em madeira do navio sejam desmanteladas e lançadas à fornalha. Quando, afinal, o Henrietta chega às Ilhas Britânicas, só lhe restam o casco, a caldeira e máquina a vapor. 
          A ideia de um navio que vai sendo desmantelado, para que seus pedaços sejam usados como combustível que o mantém em movimento, propicia excelente metáfora para perceber com mais clareza o que hoje vem ocorrendo no País. Ajuda a realçar o que há de mais errado na forma inconsequente com que a presidente Dilma Rousseff vem tentando assegurar sua reeleição a todo custo, em frenético vale-tudo.
         Não há espaço, aqui, para um balanço de tudo que já foi desmantelado para avivar a fornalha da reeleição. Mas uma lista curta teria de incluir o controle da inflação, a credibilidade do Banco Central e previsibilidade da política fiscal. Num quadro em que o dispêndio público continua a mostrar rápida expansão, já não se tem mais ideia do que será o resultado fiscal de 2013, deixado agora ao sabor de pacotes de desoneração anunciados de improviso, a cada mês, em desesperada tentativa de mascarar a inflação com medidas que implicam inflação mais alta no futuro.
         Merecem ainda destaque o abandono cada vez mais escancarado da ideia de realismo tarifário, como bem ilustram a insistência na política de preços de derivados de petróleo e a decisão populista de não repassar, aos consumidores, o custo mais alto da energia elétrica proveniente das térmicas. E há, também, outras conquistas valiosas, como a solidez dos bancos federais, sendo consumidas na fornalha da reeleição. A inconsequência na gestão da Petrobrás e do pré-sal não pode deixar de ser mencionada. Mas tem mais a ver com o vale-tudo anterior, que marcou a travessia do biênio eleitoral de 2009-2010.
        Faltam hoje 560 dias para o segundo turno das eleições presidenciais. Uma travessia de 80 semanas. E ainda há muito o que queimar a bordo. Mas em que estado estará o nosso Henrietta no final de outubro do ano que vem?
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* Rogério L. Furquim Werneck, economista, doutor pela Universidade Harvard, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

ECONOMIA E ECONOMISTAS

Economia é uma ciência em formação. Você não vê nas ciências exatas como na física ou química duas teorias que ora uma prevalece, ora é outra. Algo como newtonianos contra eisteinianos é inconcebível, pois uma vez testado e reconhecido pela comunidade científica um paradigma substitui outro e ponto final. Na economia até hoje, quase 250 anos depois, ainda não chegamos a conclusão do papel do Estado. Quem está certo Keynes ou Hayek, Samuelson ou Friedman ?

Certa vez um matemático desafiou o grande economista Paul Samuelson a apresentar uma idéia em economia que fosse verdadeira, como um axioma matemático, e não óbvia. Samuelson, laureado com Nobel de economia em 1970, apresentou a Teoria das vantagens comparativas como resposta. Mas o fato é que realmente existem poucas ou nenhuma certeza em economia, pelo menos no mesmo grau das ciências chamadas duras (física, química, biologia, matemática, medicina).

Na esteira da mecânica newtoniana da segunda metade do século XVIII surgiu a economia, que se pretendia, assim como a física, determinar as leis da natureza que poderiam ser aplicadas com a mesma segurança da lei da gravidade às interações sociais. (O curioso é que o próprio Isaac Newton, um dos maiores gênios que já passou pela terra, perdeu uma fortuna especulando na Bolsa de Londres). Adam Smith pavimentou o caminho. Seu insight acerca da mão invisível persiste até hoje como um dos maiores achados em ciência social. Cada indivíduo motivado pelo próprio egoísmo e deixado livre, procurará, em um mercado competitivo (esta premissa é importante) produzir cada vez mais, com melhor qualidade e menor custo com vistas a aumentar seu lucro. Este sistema, como que coordenado por uma mão invisível, tratará de entregar prosperidade, desenvolvimento e riqueza para a sociedade.

Uma das definições preferida acerca do que é economia foi dada por Lionel Robbins que afirma ser ela "a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usos alternativos."

John Maynard Keynes, sem dúvida um dos maiores expoentes da história econômica certa vez declarou:
"O estudo da teoria econômica não parece exigir qualquer dom especializado de grande profundidade. Não é assunto relativamente fácil quando comparado com a filosofia ou a ciência pura. Uma disciplina fácil, em que poucos se sobressaem. O paradoxo talvez seja explicado pela constatação de que o economista deve ter uma rara combinação de dons. Tem de ser matemático, historiador, estadista, filósofo, em certa medida. Deve entender de símbolos e falar através de palavras. Deve ver o particular em termos do geral , e abranger o abstrato e o concreto do mesmo pensamento. Deve estudar o presente à luz do passado para entender o futuro. Nenhuma parte da natureza humana ou de suas instituições deve ficar completamente fora do seu olhar. Deve ser ao mesmo tempo desinteressado e interessado, tão distante e incorruptível quanto um artista e, às vezes, tão próximo da terra quanto um político".

A dificuldade em economia esta em seu objeto. Sempre mutável. assim como também da necessidade de que seu estudioso se dispa de idéias pré-concebidas, vícios e credos, o quê quase sempre é improvável de ocorrer em sua plenitude.  A matemática de Euclides de 2000 anos atrás serve de base para explicar a moderna teoria das cordas dos dias de hoje. O mundo da economia é diferente. O trabalho não é mais escravo. A moeda não é mais metálica mas fiduciária. As fronteiras não são mais fechadas mas abertas ao comércio de bens e serviços. As comunicações e os transportes são instantâneos, a igreja já não mais monopoliza o pensamento. Juros não é mais proibido.

Ao declarar que as pestes, doenças, guerras e fome têm como objetivo equilibrar a quantidade de alimentos à quantidade de pessoas (Malthus); ou de que os trabalhadores se revoltarão e tomarão as rédeas do Estado para tomar o capital e socializar os meios de produção (Marx); ou de que o Governo deveria restringir sua área de atuação à educação, saúde e segurança (Friedman) , acabam os economitas por angariar pouca simpatia e compreensão do público em geral.

As crises financeiras, bancárias, de dívida e crédito foram amainadas ou acentuadas pela ação dos estudiosos de economia? O desemprego, desigualdade de renda e a inflação foram domadas pelas instituições e políticas criadas e recomendadas pelos economistas ? 

Democracia, livre comércio, igualdade de oportunidades, educação universal, mercados não monopolizados, livre circulação de pessoas, bens e serviços são alguns pontos primordiais em que 99,99% dos economistas concordam e defendem. Baseado nesta constatação é que a minha resposta as perguntas do parágrafo anterior é afirmativa. Muito ainda há por se fazer mas o ferramental desenvolvido é poderoso e aparelha o raciocínio contra as armadilhas do passado.

Adam Smith, Malthus,  Ricardo, Marx (até ele), Mill, Say, Senior, Hodgskin, Bastiat, Jevons, Walras, Marshall, Veblen, Pareto, Keynes, Hayek, Schumpeter, Sraffa, Tobin, Robbins, Hicks, Fisher, Friedman, Samuelson, North, Arrow, Simolsen, Furtado, Stigler, Modigliani, Solow, Becker, Coase, Schelling, Krugman, Sargent, entre outros, erraram e acertaram mas, o norte estava certo: a busca pela prosperidade, com eficiência, riqueza e justiça.

sexta-feira, 1 de março de 2013

LULA EVITA COMENTAR PIIBINHO

Notícia boa todo mundo quer dar, quero ver agora. Como diz aquele velho ditado: "Filho feio é órfão !"

Lula evita comentar PIB baixo

veja detalhes no link abaixo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PETROBRÁS OU PETROMONSTRO ?

Roberto Campos costumava chamar a Petrobrás de petrossauro, tal era o estado de ineficiência e atraso que se encontrava a empresa sob a gestão do poder público nas décadas de 70 e 80.

Hoje chamá-la de dinossauro seria elogioso. Para descrevê-la com mais precisão talvez devêssemos imaginar um mostro de 7 cabeças (mas todas elas sem cérebro), 6 patas, 2 rabos, cego e surdo. É a petromonstro.

Em 3 anos a empresa perdeu 46,5% de valor de mercado, as ações despencam mês após mês, com investidores estrangeiros se desfazendo das ações da petroleira. No segundo trimestre deste ano ela apresentou o primeiro prejuízo desde 1999 no valor de R$1,3 bilhões de reais. Este ano ela perdeu o posto para a AMBEV de maior empresa do país, em valor de mercado. Na américa latina ela saiu de primeira para terceira, ficando também abaixo da colombiana ecopetrol.

Desde 2010 a petromonstro esta com a produção estagnada, as plataformas da bacia de campos perderam mais de 22% de eficiência produtiva. Para se ter uma pequena noção do descalabro que uma gestão petista pode fazer, vamos pegar o exemplo da construção da refinaria de Abreu Lima em Pernambuco. A obra era para ser concluída em 2010, passou para 2014 e os custos inicialmente previstos em U$2,3 bilhões foram aumentados para U$ 20,1 bilhões (uma explosão de gasto 10 vezes maior). No Rio de Janeiro, máquinas importadas pela estatal para construção da refinaria do comperj estão paradas desde 2011 no porto porque até o momento não se sabe como transportá-la até o destino. Esta obra por sinal já esta U$ 10 bilhões acima do orçamento original.

Nesta segunda será apresentado os resultados aos acionistas referentes a 2012. Analistas esperam que o lucro tenha encolhido aproximadamente 40%, a dívida deverá estar por volta de 3 vezes superior a capacidade de geração de caixa e em quase 33% do patrimônio líquido, lembrando que se este indicador superar 35% a estatal perderá seu grau de investimento (investment grade). A agência de classificação de risco MOODY'S já inclusive colocou-a sob perspectiva negativa. Caso isso venha a ocorrer, a petromonstro passará a pagar um custo maior para se financiar no mercado.

Em qualquer lugar do planeta uma empresa para dar lucro deve vender a um preço maior do que ela compra. Pois é, a Petromonstro parece não pertencer a este mundo. Com a produção em queda e o consumo em alta (com o governo baixando o IPI de automóveis, abrindo a porteira do crédito ao consumidor e segurando o preço da gasolina, não poderia ocorrer outra coisa) a estatal tem que importar cada vez mais combustível, só que ela compra por um preço e vende por outro mais baixo, resultado: Só este ano calculá-se o déficit neste tipo de operação em aproximadamente U$ 20 bilhões. (populismo puro) Agora perceba a lógica bizarra desta prática: A Petrobrás que deveria dar pulos de alegria quando o preço do petróleo aumentasse - afinal de contas o maior ativo dela se torna mais valioso - fica na verdade mais triste pois quando isso acontece o prejuízo dela piora. Outro detalhe, as constantes medidas do governo para valorizar o dólar (desvalorizar o cambio) também encarece as importações para a estatal (é o Mantega dando um tiro no próprio pé).

Esta semana foi autorizado pelo governo que a Petrobras aumente o preço da gasolina em 6,6% e o óleo diesel em 5,4% quando analistas calculam que deveria ser, caso ela seguisse a lógica livre de mercado, de pelo menos 15%. O governo determinará que a partir de maio o alcool adicionado a gasolina seja aumentado de 20% para 25%.  O governo também quer que o gás importado pelo estatal seja direcionado para as termeletricas que estão suprindo a deficiência energética por conta da falta de chuvas que comprometeram a geração das hidrelétricas. Notou o quando de "governo" mencionei só nesse parágrafo ? A petromonstro não dá uma piscada sem a benção dele. Ora porque será que a AMBEV, de capital privado, passou nossa querida estatal ? (PRIVATIZE JÁ !!!)

Esta semana esta sendo veiculado na imprensa que a Petrobrás tem atrasado o pagamento de diversos fornecedores. As licitações da estatal estão paradas desde 2008. Os mais de U$120 bilhões levantados junto ao mercado em 2010 já foram gastos seguindo plano ditado pelo Governo. Ela só pode comprar equipamentos nacionais ou que não contenham mais de 40% de conteúdo estrangeiro. A presidente da empresa Graça Foster afirmou que as metas de investimento e rentabilidade desenhadas sob a presidência de seu antecessor, Sergio Gabrieli, não se basearam na realidade. 

Diante de todo este cenário de horror, o que os funcionários da estatal fazem ? hora-extra ? esforço de contenção de gastos ? Campanha de sugestões e idéias de inovação para reanimar o resultado da empresa ? Não. Agendam greve. Com a finalidade de mudar os parâmetros do pagamento do bônus (PPL). Por que será ? Por que a empresa não aproveita e faz um PDV para enxugar custos de mão-de-obra ? Simples, porquê é uma empresa pública e seus funcionários não podem ser mandados embora. Ora porque será mesmo que a AMBEV, de capital privado, passou nossa querida estatal ?

A petrobras se tornou uma empresa que não segue a lógica universal do mercado, da economia. Ela  é mais um instrumento de palanque e de marketing para o PT do que uma empresa que investe em inovação e tecnologia. Ela é lugar para políticagem e políticos, para nepotismo e  para o populismo... Enquanto isso nossos diletos representantes no congresso nacional se degladiam para  estabelecer com quem vai ficar os roylaties do Pré-Sal.  


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A IDIOTICE POR TRÁS DA IDÉIA DO CONSUMISMO

Alertas sobre o apocalipse gerado pelo excesso de consumo se espalham por todo o mundo, economistas, antropólogos, políticos, sociólogos, biólogos, geógrafos, meteorologistas, astrólogos, e toda sorte de especialistas que fazem seus prognósticos pessimistas sobre o futuro basicamente adotando sempre uma premissa: Caso brasileiros, chineses, indianos e todos os outros países ditos em desenvolvimento consumir no mesmo padrão do americano médio vamos precisar de 5,6,7 ou até mesmo oito planetas.

Vamos combinar uma coisa: Isto é um tremenda idiotice e não passa de um alarmismo de quinta categoria que não resiste a 10 minutos de reflexão séria. A idéia toda começa com a velha condenação do materialismo, a tal crítica de que o ser humano cada vez mais se acha feliz pelo que têm e não pelo que é. Pura babaquice ideológica! A bíblia já pregava a chegada do apocalipse como uma espécie de punição ao luxo, ao excesso de desejos puramente materiais.

Pois bem, a ambição, a vontade de se diferenciar dos demais pelos ornamentos, de ter atributos materiais exclusivos é um traço evolutivo, há mais de 200 mil anos atrás aquele que tinha a caverna mais aconchegante, por assim dizer, e que conseguia as melhores caças levava a fêmea mais desejada para procriar e ser feliz. Os espécimes que tinham esta característica se mostraram mais aptos à sobrevivência e foram os que prevaleceram. Hoje somos filhos deste pessoal e temos impresso em nosso DNA este atributo.

Este traço é que levou a humanidade a inventar, produzir, prosperar. O fogo, a lança, o arco e flecha, a roda, a agricultura, a pólvora, o papel, a arma de fogo, as caravelas, a máquina a vapor, a eletricidade, o trem, o telégrafo, o automóvel, o telefone, a linha de produção, o avião, o microondas, a pizza, o futebol, o computador, a internet, o i-phone e todos as outras milhões de invenções, descobertas, inovações foram conseqüência desta busca incessante pela distinção, pela riqueza, pelo poder de ter cada vez mais meios de comprar tempo livre para se dedicar ao prazer.

Prosperidade é tempo livre. Hoje o homem moderno não precisa fazer suas próprias roupas, buscar e filtrar sua própria água, caçar e matar para ter comida, cortar lenha para se aquecer, andar armado para não ser morto, escrever cartas para enviar notícias a familiares distantes, ordenhar vacas para ter leite. Todo o tempo que nossos ancestrais gastavam para desempenhar tais tarefas não lhes proporcionavam muito tempo livre para ver um filme, ler um livro, namorar ou ficar mesmo sem fazer nada, apenas pensando na vida.

O terrorismo que se faz apregoando a escassez do planeta para atender ao desejo infinito do ser humano não leva em consideração a inventividade e adaptabilidade deste mesmo ser humano. O economista nascido no século XVIII, Thomas Malthus, alertava para a impossibilidade de se produzir comida no mesmo ritmo de crescimento que a taxa de natalidade. Para ele a comida crescia numa progressão aritmética enquanto que a população em progressão geométrica. Embora toda a perspicácia do argumento Malthiusiano, o desenvolvimento e inovação na indústria de alimentos foram tão grandes que hoje não só já ultrapassamos os 7 bilhões de habitantes deste lindo planeta como ainda nos damos o "prazer" de desperdiçar aproximadamente 47% dos alimentos produzidos. (conforme estudo recente da BBC).

No Brasil temos mais de 40 milhões de recém chegados a classe média ávidos por poder desfrutar de seu primeiro carro, sua primeira viagem ao exterior, seu primeiro micro-ondas, sua primeira televisão de LED, seu primeiro tablet, e isto, senhoras e senhores, é o quê precisamos cada vez mais e não menos. É o consumo que dispara o investimento, que traz emprego, que traz renda e que traz mais consumo, num ciclo virtuoso de riqueza. E a riqueza traz sim felicidade, porque ela proporciona educação de qualidade, saúde, roupas, carro, acesso ao lazer, a cultura, faz bem para auto-estima e acima de tudo, permite ao indivíduo a querer cada vez mais e sonhar cada vez mais alto. Isto é o combustível do progresso. É o filme que já tiveram protagonistas como os EUA, a Inglaterra, o Japão, a Alemanhã, a Suiça, e por aí vai.

Não existe tal coisa de consumismo tresloucado que levará ao fim do mundo. A falha está na premissa de que a produção não se adequaria a maior demanda levando a uma espécie de superutilização dos recursos naturais, o que provocaria a extinção de animais, árvores, ar puro, rios e etc,... Ora quando o oléo de baleia começava a dar sinais de escassez no século retrasado, seu preço aumentou informando aos interessados que alguma coisa precisava ser feita, surgiu então  o petróleo como substituto e o querosene passou a ser utilizado na iluminação em substituição ao óleo do mamífero marinho. 

O mecanismo de mercado - preço determinado pelo equilibrio entre oferta e demanda - tratará de fornecer os incentivos necessários para provocar os ajustes que fará o Chinês tão rico quanto o americano a consumir um veículo elétrico ou utilizar um trem bala aconchegante ao invés de um SUV à diesel por exemplo. Ou um brasileiro a querer assistir a um jogo de futebol ao vivo comendo sanduíche de carne ao invés de assistir pela televisão 3D de LED-lítium comendo pipoca de micro-ondas e bebendo coca em lata. Sei lá quais serão as inovações que um novo Steve Jobs acabará fazendo para adequar os padrões de consumo às futuras restrições, só sei que o desejo do ser humano, assim como sua imaginação e capacidade de realização andam juntas e são infinitas. Graças a Deus.


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