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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

FRASES QUE ODEIO

Nós seres humanos somos criativos para tudo, inclusive para cunhar frases de efeito. Vamos dar uma olhada em algumas usadas no dia a dia supostamente para explicar os motivos de uma derrota, as razões para abandonar uma luta, as desculpas por não ter conseguido uma vitória ou o porquê de determinado insucesso.

Qual é a quê você mais detesta ?

  1. Aqui sempre foi assim.
  2. Eu fiz apenas o que me mandaram fazer.
  3. As coisas são do jeito que são.
  4. Não adianta nem tentar.
  5. Isso é impossível.
  6. Ninguém conseguiu, por que você acha que contigo vai ser diferente ?
  7. Já era.
  8. Foi pura falta de sorte.
  9. Ninguém podia imaginar.
  10. Eu te avisei.
  11. Pelo menos você participou.
  12. Hoje não era o seu dia.
  13. Deixa pra lá, esquece.
Thomas Hobbes escreveu que a humanidade possui uma inclinação natural, perpétua e incansável de desejar o poder, o status, sentimentos estes que só cessam com a morte. Quando compramos aquele carro que estávamos há tempo espreitando, começamos a aspirar uma nova casa, depois um celular mais moderno, uma viagem para Paris, um novo emprego e assim por diante, num ciclo infindável de desejo, ambição e insatisfação com o status quo.

Ao contrário do que provavelmente o padre ou o pastor da sua igreja ira dizer, assim como os moralistas da família ou aquele livro de auto-ajuda, não há nada de errado com esta insaciabilidade. Sem ela não iríamos adquirir conhecimento e a força de vontade necessárias para superar as adversidades colocadas no caminho da nossa espécie desde os primórdios até os dias de hoje. A sobrevivência assim com a melhoria contínua da qualidade de vida dependem deste ciclo ininterrupto de ambição e desejo.

Se de uma hora para outra a humanidade se contentasse com o que já tem seria o início do fim.

Dito isto de forma mais geral, precisamos no entanto avaliar o caso individualmente. Mesmo que você seja o Bill Gates certamente haverá desejos que não poderão ser alcançados. Seja num relacionamento amoroso, numa partida de tênis ou numa oportunidade de negócio, a frustração pelo fracasso se fará presente algumas vezes.

O professor de filosofia e ciência social, Robert E. Goodin, ressalta em seu recente livro On Settling, a importância de se ajustar a problemas não resolvidos até para continuar lutando por novos outros problemas. Algo como esquecer ou deixar "guardado" aquela venda que você perdeu para um concorrente, por exemplo, para conseguir concentrar o foco e as forças na reforma do apartamento. De acordo com o Goodin, para se lutar arduamente por um objetivo você antes têm que se livrar daqueles outros que eventualmente você não teve sucesso.

Este comportamento deve ser praticado para que o fantasma do problema não resolvido não te assombre quando você precisa de entusiasmo e confiança para a nova luta. É como se um ente querido que desapareceu e que não pode ser declarado como morto. Enquanto a notícia definitiva não vem todos os seus planos e instintos estão "aprisionados" e não se voltam para os novos desafios.

Não se trata de admissão de incapacidade ou derrota, apenas uma recalibragem de esforço ao fim do qual o antigo problema poderá ser retomado. Fazendo uma analogia simples, é como numa prova de vestibular, quando você se depara com uma questão que não consegue resolver. A melhor coisa a fazer é partir com tudo para as próxima questões e ao final voltar para tentar a solução do problema ignorado. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A IDIOTICE POR TRÁS DA IDÉIA DO CONSUMISMO

Alertas sobre o apocalipse gerado pelo excesso de consumo se espalham por todo o mundo, economistas, antropólogos, políticos, sociólogos, biólogos, geógrafos, meteorologistas, astrólogos, e toda sorte de especialistas que fazem seus prognósticos pessimistas sobre o futuro basicamente adotando sempre uma premissa: Caso brasileiros, chineses, indianos e todos os outros países ditos em desenvolvimento consumir no mesmo padrão do americano médio vamos precisar de 5,6,7 ou até mesmo oito planetas.

Vamos combinar uma coisa: Isto é um tremenda idiotice e não passa de um alarmismo de quinta categoria que não resiste a 10 minutos de reflexão séria. A idéia toda começa com a velha condenação do materialismo, a tal crítica de que o ser humano cada vez mais se acha feliz pelo que têm e não pelo que é. Pura babaquice ideológica! A bíblia já pregava a chegada do apocalipse como uma espécie de punição ao luxo, ao excesso de desejos puramente materiais.

Pois bem, a ambição, a vontade de se diferenciar dos demais pelos ornamentos, de ter atributos materiais exclusivos é um traço evolutivo, há mais de 200 mil anos atrás aquele que tinha a caverna mais aconchegante, por assim dizer, e que conseguia as melhores caças levava a fêmea mais desejada para procriar e ser feliz. Os espécimes que tinham esta característica se mostraram mais aptos à sobrevivência e foram os que prevaleceram. Hoje somos filhos deste pessoal e temos impresso em nosso DNA este atributo.

Este traço é que levou a humanidade a inventar, produzir, prosperar. O fogo, a lança, o arco e flecha, a roda, a agricultura, a pólvora, o papel, a arma de fogo, as caravelas, a máquina a vapor, a eletricidade, o trem, o telégrafo, o automóvel, o telefone, a linha de produção, o avião, o microondas, a pizza, o futebol, o computador, a internet, o i-phone e todos as outras milhões de invenções, descobertas, inovações foram conseqüência desta busca incessante pela distinção, pela riqueza, pelo poder de ter cada vez mais meios de comprar tempo livre para se dedicar ao prazer.

Prosperidade é tempo livre. Hoje o homem moderno não precisa fazer suas próprias roupas, buscar e filtrar sua própria água, caçar e matar para ter comida, cortar lenha para se aquecer, andar armado para não ser morto, escrever cartas para enviar notícias a familiares distantes, ordenhar vacas para ter leite. Todo o tempo que nossos ancestrais gastavam para desempenhar tais tarefas não lhes proporcionavam muito tempo livre para ver um filme, ler um livro, namorar ou ficar mesmo sem fazer nada, apenas pensando na vida.

O terrorismo que se faz apregoando a escassez do planeta para atender ao desejo infinito do ser humano não leva em consideração a inventividade e adaptabilidade deste mesmo ser humano. O economista nascido no século XVIII, Thomas Malthus, alertava para a impossibilidade de se produzir comida no mesmo ritmo de crescimento que a taxa de natalidade. Para ele a comida crescia numa progressão aritmética enquanto que a população em progressão geométrica. Embora toda a perspicácia do argumento Malthiusiano, o desenvolvimento e inovação na indústria de alimentos foram tão grandes que hoje não só já ultrapassamos os 7 bilhões de habitantes deste lindo planeta como ainda nos damos o "prazer" de desperdiçar aproximadamente 47% dos alimentos produzidos. (conforme estudo recente da BBC).

No Brasil temos mais de 40 milhões de recém chegados a classe média ávidos por poder desfrutar de seu primeiro carro, sua primeira viagem ao exterior, seu primeiro micro-ondas, sua primeira televisão de LED, seu primeiro tablet, e isto, senhoras e senhores, é o quê precisamos cada vez mais e não menos. É o consumo que dispara o investimento, que traz emprego, que traz renda e que traz mais consumo, num ciclo virtuoso de riqueza. E a riqueza traz sim felicidade, porque ela proporciona educação de qualidade, saúde, roupas, carro, acesso ao lazer, a cultura, faz bem para auto-estima e acima de tudo, permite ao indivíduo a querer cada vez mais e sonhar cada vez mais alto. Isto é o combustível do progresso. É o filme que já tiveram protagonistas como os EUA, a Inglaterra, o Japão, a Alemanhã, a Suiça, e por aí vai.

Não existe tal coisa de consumismo tresloucado que levará ao fim do mundo. A falha está na premissa de que a produção não se adequaria a maior demanda levando a uma espécie de superutilização dos recursos naturais, o que provocaria a extinção de animais, árvores, ar puro, rios e etc,... Ora quando o oléo de baleia começava a dar sinais de escassez no século retrasado, seu preço aumentou informando aos interessados que alguma coisa precisava ser feita, surgiu então  o petróleo como substituto e o querosene passou a ser utilizado na iluminação em substituição ao óleo do mamífero marinho. 

O mecanismo de mercado - preço determinado pelo equilibrio entre oferta e demanda - tratará de fornecer os incentivos necessários para provocar os ajustes que fará o Chinês tão rico quanto o americano a consumir um veículo elétrico ou utilizar um trem bala aconchegante ao invés de um SUV à diesel por exemplo. Ou um brasileiro a querer assistir a um jogo de futebol ao vivo comendo sanduíche de carne ao invés de assistir pela televisão 3D de LED-lítium comendo pipoca de micro-ondas e bebendo coca em lata. Sei lá quais serão as inovações que um novo Steve Jobs acabará fazendo para adequar os padrões de consumo às futuras restrições, só sei que o desejo do ser humano, assim como sua imaginação e capacidade de realização andam juntas e são infinitas. Graças a Deus.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O PESADO FARDO QUE O BRASILEIRO CARREGA

No livro "Teoria dos sentimentos morais" Adam Smith, o pai da economia, destilou argumentos perspicazes para ilustrar a natureza egocêntrica do ser humano e usar pela primeira vez o termo "mão invisível". No livro ele constrói diversos dos conceitos que  mais tarde utilizaria em sua obra máxima, fundadora da moderna ciência econômica, "A riqueza das Nações". Uma passagem marcante deste último ilustra como o mercado verdadeiramente funciona:
 "...O homem, entretanto, tem necessidade quase constante da ajuda dos semelhantes, e é inútil esperar esta ajuda simplesmente da benevolência alheia. Ele terá maior probabilidade de obter o que quer, se conseguir interessar a seu favor a auto-estima dos outros, mostrando-lhes que é vantajoso para eles fazer-lhe ou dar-lhe aquilo de que ele precisa. E isto o que faz toda pessoa que propõe um negócio a outra."
"...Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse..."

A análise fria e sistematizada, feita por Smith, do funcionamento do mercado, das instituições, do comportamento econômico e, em última instância, do que traz riqueza a uma nação inaugurou uma nova forma de investigação das engrenagens sociais. Com o objetivo de elucidar o resultado das interações entre os agentes econômicos, Smith lançou mão de modelos de análise que iam do micro para o macro, verificando como os fenômenos realmente ocorriam na vida real e não como deveriam ocorrer. Seu método veio fundamentar o método empírico de estudo no âmbito das ciências sociais. Era uma tentativa, portanto, de aplicar à economia o que na época Isaac Newton  fizera de forma revolucionária à física, descrevendo as leis que governavam a natureza na linguagem exata da matemática.

Esta tradição de análise inaugurada por Smith em 1776 é que é a responsável por todo o conhecimento amealhado pela ciência econômica até os dias de hoje. Através dela é que as boas políticas econômicas levadas a termo pelos Governos devem se basear, como por exemplo a compreensão já pacificada que  o mercado é o modo mais eficiente de dirimir os problemas da alocação eficiente dos recursos. Nada foi criado pelo homem que resolva esta questão de forma mais satisfatória, a maioria dos problemas nascem quando os governos tentam sanar as falhas (sim ele tem falhas) do mercado se intrometendo onde não é aconselhável, pois o custo gerado por esta invasão geralmente é maior que o mal que ele tentou evitar. (principalmente quando desembocam em regimes ditatorias altamente perniciosos à sociedade)

Podemos medir o grau de intromissão do Estado na economia por diversas métricas. Uma bem utilizada é o percentual de impostos sobre o PIB. O coeficiente ideal geralmente leva em conta o perfil demográfico do país e o seu nível de renda per capita. Para o Brasil por exemplo este indicador não deveria superar 25%, pois é, mas aqui a carga tributária chega a 38% do PIB. (13 pontos percentuais a mais do que máximo aconselhável).

Vamos fornecer outros números para diagnosticar o espaço ocupado pelo nosso Estado. 
  • Nos últimos 15 anos (segundo dados da FGV) o setor público absorveu 66,8% da riqueza produzida no país, restando para o setor privado 33,2%.
  • Existem 39 ministérios ou secretarias com status de ministério;
  • 22% da população economicamente ativa trabalha para o Governo (no Chile este número é de 10%)
  • Cargos nomeados (ou de confiança - aqueles ocupados sem concurso público) são da ordem de 600.000. Nos EUA por exemplo este número é de 2.000, França e Alemanha 500, na Inglaterra 100.
  • Conforme dados da Transparência Brasil gasta-se R$6,6 milhões por ano com cada deputado e R$ 33 milhões com cada senador. É o parlamento mais caro do mundo (e olha que estes números já devem ser maior porque o estudo pega como base o ano de 2007).
Qualquer dos parâmetros que descrevi dá uma noção assustadora da obesidade do nosso Estado. O problema fica ainda mais flagrante quando avaliamos o retorno em serviços que recebemos. Estradas esburacadas, filas imensas para se ter atendimento médico, educação esdrúxula, violência, ausência de saneamento básico, aeroportos sucateados, previdência social cara e deficitária, energia cara e um espetáculo diuturno de corrupção nos telejornais. Parece que tudo em que põe a sua mão (bem visível por sinal) o Estado brasileiro mais estraga do que conserta ou desenvolve. Como diz um renomado economista brasileiro. "É uma carga tributária sueca e uma qualidade de serviços nigerianos."







domingo, 2 de dezembro de 2012

APRESENTAÇÃO DO BLOG

Olá pessoal.  Neste primeiro contato, gostaria de descrever as razões que me levaram a criar este BLOG, seu significado, seu conteúdo e seu objetivo.

Primeiramente gostaria de me apresentar. Sou brasileiro, carioca, economista e empresário. Casado, 2 filhos e atualmente resido em Curitiba, PR.

Sou um apaixonado por leitura, especialmente as que versam sobre Economia, História, Política, Administração, Estatística, Matemática, Ciências, Psicologia, Filosofia e Sociologia.

Leio em média de 5 a 8 livros por mês, fora artigos, jornais, revistas e sites sobre os assuntos já mencionados. Formei me em Direito e em Economia, cursei ainda Matemática e tive a oportunidade de ser cadete na Academia Militar das Agulhas Negras, fiz 2 pós graduações e cursos nas áreas de gestão e economia. Ao longo dos meus 38 anos de vida não me recordo de algum momento em que eu não estivesse em contato com a formidável e indescritível experiência do aprendizado.

Pelo caminho travei contato com algumas experiências e pude testar, em meus empreendimentos pessoais, hipóteses já amplamente analisadas pela moderna pesquisa econômica: (1) O egoísmo faz parte da natureza humana (consulte no dicionário e você verá que a palavra significa preocupação com seus próprios interesses. Trata-se de uma traço evolutivo); (2) O homem vive mais e vive melhor quando inserido numa sociedade onde há a especialização do trabalho ( imagine se tivéssemos continuado como nas tribos de caçadores coletores onde tudo precisa ser produzido por conta própria); (3) Quanto mais especializado é o trabalho numa sociedade, melhor é a qualidade de vida do homem e maior é a necessidade de troca de comércio. (4) A partir das três assertivas anteriores depreende-se que o Mercado (meio onde ocorrem as trocas) é uma conseqüência lógica do processo de busca pelo homem de atender a seu próprio interesse de viver com qualidade (saúde, segurança, tempo livre e liberdade). (5) Os homens não são iguais (as diferenças vão desde a força física até a capacidade inventiva e intelectual). (6) Se o indivíduo não ficar ou não for recompensado justamente por aquilo que produz, a produtividade estará longe daquela que seria caso lhe fosse assegurado o direito aos frutos de seu engenho. (7) Alguma forma de proteção portanto deve ser providenciada por uma entidade supra-indívíduo para lhes assegurar (por conseguinte incentivar) que aquilo que é de sua propriedade não lhe seja usurpada pelo mais fortes. (8) Não existe certeza absoluta. A verdade incontestável e certa é uma falácia.

Este BLOG divulgará estudos, pesquisas, opiniões baseadas em experiências empíricas, artigos científicos, passagens de livros que contribuíram e contribuem para a formação da minha convicção acerca da melhor forma de organização política e econômica de uma nação: Democracia, livre mercado (privatize já !!), educação laica e pragmática.

Espero que leiam, reflitam e critiquem, mas pensem a respeito e se permitam um exercício simples em sua acepção, mas dificílimo em sua ação: Nunca concorde com nada instantaneamente !!! Sua intuição ou aquilo que você escuta daqueles que te rodeiam muitas vezes passa longe da verdade.

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