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terça-feira, 21 de maio de 2013

A MATEMÁTICA E O BRASILEIRO, UM CASAMENTO QUE NUNCA ACONTECEU

O Brasil tem uma população de cerca de 194.000.000 de pessoas.

Destes, cerca de 12% (aproximadamente 24.000.000), estão na faixa de idade entre 18 e 24 anos, ou seja, em pleno período universitário.

Mas apenas 31% deles estão estudando, temos portanto cerca de 16.500.000 jovens fora das escolas, exatamente na fase mais importante da aquisição do conhecimento técnico - profissional.

Cursando ensino superior existem cerca de 6.700.000 alunos.

Em engenharia, matemática, estatística e tecnologia da informação, são cerca de 1.000.000 de matriculados (22% do total dos que estão cursando ensino superior).

Entretanto apenas 40% concluem o curso.  Nesta toada, o país entrega ao mercado por ano apenas cerca de 75.000 formados em ciências exatas, onde a matemática é a principal disciplina ao longo do curso.

Veja, que não estamos nem entrando aqui no mérito da qualidade do ensino ou ainda daqueles que irão disputar vagas de trabalho fora da sua área de formação.

A matemática é a linguagem da ciência, da moderna tecnologia, da inovação e, portanto, da alta produtividade.

O cálculo, o raciocínio lógico e abstrato, a avaliação econômico-financeira, a informática e as noções de estatística são fundamentais para quem quer exercer plenamente o senso crítico e se inserir no mundo globalizado de hoje.

A chamada rainha das ciências sempre foi deveras negligenciada por aqui. Precisamos de menos advogados e mais engenheiros, de menos sociólogos e mais estatísticos, de menos filósofos e mais programadores, de menos blá-blá-blá subjetivo-ideológico e mais índices, números, funções e equações da fria, exata, universal e exata matemática.

DESEMPENHO EM MATEMÁTICA DE ALUNOS DE 15 ANOS

  • CNI
    Fonte: CNI/OCDE/Pisa (2010)

    GRADUADOS EM ENGENHARIA PARA CADA 10 MIL HABITANTES

    • CNI
      Fonte: CNI/Iedi (2010)


sexta-feira, 29 de março de 2013

O MAIOR GERADOR DE DESIGUALDADE NO BRASIL É O ESTADO

O principal argumento da intervenção estatal na economia está geralmente ligada com a diminuição das desigualdades.

No Brasil, o Estado na verdade contribui como ninguém para que a distribuição de renda e, consequentemente, a desigualdade cresça.

O Governo trombeteia as maravilhas do bolsa família. Seus 21 bilhões de reais que tiram da miséria milhares de famílias e contribui para proporcionar aos menos favorecidos as chances que os mais abastados possuem.

Realmente o bolsa família é um dos pouquíssimos troféus que o Governo pode exibir em sua propaganda pró-social. Mas se o nosso Leviatã não tivesse tantas outras políticas que vão na corrente contrária, certamente ele não precisaria de um bolsa família.

Os impostos indiretos incidentes nos diversos produtos essenciais e que contribuem com cerca de 50% da arrecadação governamental (nos EUA mal chega a 15%) roubam dos mais pobres recursos que poderiam ser usados em gastos mais produtivos. São impostos regressivos, tais como o ICMS, o IPI, o ISS, o PIS e a COFINS, que pesam desproporcionalmente mais no orçamento dos pobres. (que em sua grande maioria nem tem conhecimento destes encargos).

A previdência social do funcionalismo público é outra vilã da concentração de renda. Enquanto o teto no setor privado pago pelo INSS está na casa de R$ 4.159,00 por mês, o pessoal do Estado percebe renda integral, ou seja, se ele ganhava R$15.000,00 na ativa, quando se aposentar continuará com o mesmo valor. Este ano uma nova lei mudou esta aberração, mas apenas para os novos  empregados públicos. Ainda vai demorar para desfazer o estrago que até então vigorava. (Não vamos nem entrar em detalhes aqui das centenas de casos de funcionários estatais sem qualificação, como motorista, garçom, ascensorista de elevador que ganham acima de R$10.000,00 reais por mês)

Nosso querido BNDES é outro vilão da desigualdade. Sob o manto indelével de estar praticando política industrial, ele torra o dinheiro dos contribuintes emprestando rios de dinheiro a taxas de juros subsidiadas para grupos empresariais "eleitos" como campeões nacionais - empresas do Eike Batista, JBS friboi, Vale do Rio Doce, Votorantim, Oi, Cosan, e por aí vai. Enquanto isso a micro e pequena empresa que são as maiores empregadoras do país têm de recorrer aos emprestadores de mercado ou usar dinheiro do próprio bolso.

A educação é a tábua de salvação para àqueles que querem usufruir das mesmas oportunidades dos mais ricos. Através dela é que o governo poderia igualar a linha de partida para todos. Entretanto o que vemos é o Estado bancando ensino superior gratuito para quem consegue uma vaga nos disputados processos de seleção, que acabam sendo ocupados em sua vasta maioria por integrantes das classes A e B, justamente aqueles que poderiam custear seus estudos. Mais concentração de renda.

O mercado premia os melhores. Não tem como lutar contra isso. O mérito é o único passaporte para alcançar sucesso em um mercado competitivo. Os países se desenvolvem através de uma economia que esteja inserida nesta realidade. Quando se fala em igualdade não se deve, portanto, ter em mente uma igualdade absoluta, isto é uma utopia que já levou nações inteiras a bancarrota. A igualdade pretendida deve ser àquela que propicia condições semelhantes aos iniciantes. Nem todo mundo será um Michael Phelps mas todos receberam o mesmo treinamento, equipamento e alimentação para saltar do bloco junto.

Em ternos de capital humano, o Governo tem que concentrar recursos em educação fundamental, saúde e segurança, o resto não cabe a ele, pois cada ser humano é um universo a parte e colherá aquilo que plantar.

Sugestão de leitura: A imaginação econômica, da Sylvia Nassar.

quinta-feira, 7 de março de 2013

ATÉ NO JORNAL NACIONAL, MANTEGA !!!

Hoje assistindo ao Jornal Nacional, escuto nosso dileto ministro da Fazenda, Guido "pibinho" Mantega dizer que os serviços públicos são eficientes e que a bandeira desse governo é baixar a carga tributária como o fez em várias ocasiões ao longo de 2012.

O ministro já foi chamado atenção pela presidente Dilma para "maneirar" em suas declarações públicas - antes já havia dito que o aumento da gasolina e do diesel não incomodava ninguém e que projeções de bancos de investimento que apontavam crescimento de 1% no começo do ano passado só poderiam ser piada.

A carga tributária encerrou 2012 com um recorde histórico de 36,3% do PIB. O Governo licita portos, aeroportos e rodovias reconhecendo que não tem como gerenciá-los e nem dinheiro para modernizá-los, entrega lucro e produção decadentes na Petrobrás e esculhamba com o setor energético do país para vir no Jornal Nacional dizer que diminuiu imposto e que os serviços por ele prestado são eficientes ?? Depois vai reclamar que a imprensa, em especial a internacional, está pedindo sua cabeça...

Na mesma edição do telejornal é apresentada reportagem dando conta que apenas 10,3% dos jovens concluem o ensino médio sabendo matemática (dados de 2011), Português é um pouquinho melhor, 29%. Sendo que 2009 este números eram 11% e 29%, respectivamente. PIORAMOS. Ou seja, num país que quer estar entre as 5 maiores economias do mundo, 90% dos seus futuros profissionais que estão às portas do ensino superior sequer conseguem interpretar um gráfico ou fatorar um polinômio.

Ministro! Isto chama-se deficiência, e qualquer tentativa de desmentir ou negar esta realidade é o primeiro passo para continuar onde estamos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

EDUCAÇÃO BRASILEIRA - UM RETRATO DA DESGRAÇA

De todos os problemas urgentes que o Brasil precisa resolver para se tornar uma nação desenvolvida o mais importante disparado é sem dúvida a educação. Conforme realçado no excelente livro "Linhas de Falha" do economista Raghuram Rajan: 
"A educação desempenha um papel muito maior do que simplesmente melhorar a renda de um indivíduo e as suas perspectivas profissionais: ela tem um valor intrínseco, permitindo-nos fazer uso de nossas melhores capacidades. Além disso, as pesquisas demonstram que as pessoas de boa formação em geral cuidam melhor de sua própria saúde, são menos propensas a se envolver com atividades criminosas e têm maior tendência a participar de atividades cívicas e políticas. Adicionalmente, induzem seus filhos a fazer o mesmo, de modo que sua formação tem efeitos benéficos também sobre as gerações futuras."

Existe uma máxima que diz que aquilo que não é medido não é melhorado, portanto a primeira coisa a saber quando queremos avançar é conhecer de onde estamos partindo, no caso da educação no Brasil, estamos iniciando de uma posição bem retardatária, funda e apagada. Vamos então a alguns números que retratam o cenário de desgraça. (A maioria da estatísticas foram retiradas do magnífico livro "O quê o Brasil Quer Ser Quando Crescer" do economista Gustavo Ioschpe, que todo brasileiro deveria ser obrigado a ler, da coluna do economista Naércio Menezes Filho no Valor Econômico e em pesquisas de minha própria autoria em institutos estatísticos especializados)

De acordo com dados do INAF (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional) realizado pelo Instituto Paulo Montenegro, temos no Brasil 74% de analfabetos funcionais (isso mesmo não se assuste não é erro de digitação, 74%), pessoas que não tem capacidade de ler e interpretar um parágrafo de  jornal. Segundo o mesmo instituto 77% da população não consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação ou entender tabelas e gráficos. Dados da Unesco relatam que 31% de nossos alunos da primeira série do ensino fundamental são repetentes (para se ter uma idéia na China e na Russia esta taxas são de 1% e em países industrializados de 0%). Na segunda série mais 20%, ou seja, é possível que já nos primeiros dois anos mais da metade dos alunos já tenham repetido de ano.

O SAEB é um sistema de avaliação do ensino básico e mede a qualidade da educação da quarta, oitava e decima primeira séries. Na edição e 2003 apontou que 95% não tinha desempenho adequado em leitura e que desde 1995 os resultados médios só caem, tanto em Português quanto em Matemática. O PISA (programa internacional de avaliação de alunos) da OCDE avaliou jovens de 15 anos de 40 países e ficamos em último lugar em Matemática e 37º em leitura.

Em pesquisa recente realizada pelo Banco Mundial com escolas Públicas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais mostraram que apenas 62% do tempo de aula é efetivamente utilizado para o ensino (comparados a 85% nos países bem sucedidos da OCDE), o resto do tempo é gasto com chamada, atrasos, manter a classe em silêncio ou o professor está fora da sala. Em 2010, tínhamos cerca de 10% da população adulta com diploma de curso superior (no México é 15% , Chile 25% , Coréia 40%).

Em recém implantado exame pelo conselho regional de medicina de São Paulo para recém formados, 54% foram reprovados. Em direito, pela OAB, 84% e em contabilidade, pelo CRC, 60% dos contadores não passaram na prova.

Os dados mostram sistematicamente que nosso ensino é de péssima qualidade,  que gasta mal seus recursos (que ao contrário do senso comum recebe um bom volume de dinheiro, no mesmo nível de países campeões de ensino), que treina pouco e mal seus professores, que administra a performance sem premiar o mérito e desperdiça tempo com outras tarefas fora do propósito principal que é de ensinar.

Uma grande trava para se avançar na educação são os diagnósticos errados do problema, geralmente contaminados de conteúdo ideológico e interesses escusos: O professor ganha mal, as salas estão superlotadas, as escolas não dispõe de recursos suficientes, os pais não se envolvem, os professores sofrem violência em sala de aula. Tudo balela que não encontra base na realidade, os dados empíricos e a comparação com outros países apontam para outras  causas totalmente diversas.

O fato é que é possível melhorar muito com o que já temos. Premiar os bons professores e punir os maus, focar o ensino e as avaliações nas disciplinas básicas (ciências, matemática e leitura), passar mais tarefas de casas e corrigir os erros, montar aulas de recuperação e reforço para os potenciais repetentes, estimular a leitura, procurar demonstrar aos alunos a aplicabilidade prática do conteúdo ensinado, acabar com a praga da cola são algumas das recomendações que já produziram excelentes resultados em outros lugares e aqui mesmo no país.

O conhecimento fornece significado às coisas, desenvolve o senso crítico e capacita o ser humano a exercer sua liberdade em sua plenitude. O Brasil só será alguma coisa se começar a resolver este problema persistente e estrutural de nossa história.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PRODUTIVIDADE, PORQUE A BRASILEIRA É TÃO RASTEIRA ?

A grande pirâmide de Gizé, no Egito, considerada uma obra de engenharia soberba e a única das sete maravilhas originais que ainda sobrevive, foi erguida por volta de 2.550 a.c. e levou cerca de 20 anos para ser construída. Aproximadamente 100.000 homens trabalharam em sua construção. Compostas por 3 milhões de blocos de pedra, cada um pesando 2,5 toneladas a pirâmide era considerada a obra mais alta do mundo até a inauguração da Torre Eiffel em 1889. Podemos apenas tentar imaginar o imenso esforço desprendido por aqueles trabalhadores em condições terríveis de labuta onde a força bruta era o maior dos recursos.


O Burj Khalifa Bin Zayid, ou se você preferir em árabe, برج خليفة , é atualmente o arranha-céu mais alto do mundo. Construído em Dubai, possui 828m de altura (Gizé tinha originalmente 147m) e levou 5 anos e 4 meses para ser erguida. Foram cerca de 12 mil trabalhadores envolvidos no projeto. A torre possui 160 andares e tem duas vezes o tamanho do Empire State de Nova York. Seu exterior é coberto com cerca de 28 mil painéis de vidro. "Fomos atingidos por raios duas vezes, houve um grande terremoto no ano passado originado no Irã, e tivemos todos os tipos de vento atingindo o prédio durante a construção. Os resultados foram bons e eu cumprimento os arquitetos e profissionais que ajudaram a construí-lo."  Disse Mohamed Ali Alabbar, diretor da Emaar, empresa responsável pela construção. A título de curiosidade observe na figura abaixo a diferença em altura, numa escala apropriada, entre as principais construções do mundo.

O que explica tamanha diferença entre os recursos empregados (100 mil contra 12 mil trabalhadores) e o tempo de construção (20 contra 5 anos e  4 meses) nestas duas obras ? (Vamos desconsiderar o fato que na pirâmide não havia a preocupação de construir elevadores, estrutura de telefonia, internet e um sem número de ambientes internos para empresas.) Obviamente você pode  citar milhões de explicações (guindastes, tratores de última geração, mão de obra qualificada e bem paga, condições seguras de trabalho, tecnologia de ponta, materiais de construção pré-moldados, instrumentos de precisão, etc,...). Mas em economia colocamos tudo isso em uma só palavra: PRODUTIVIDADE.

Produtividade é o que importa, em última instância, como fator de competitividade e riqueza entre as nações. É o quanto os fatores de produção, trabalho e capital, entregam de PIB por unidade empregada. E o Brasil vai muito mal das pernas nesse quesito.

Para ficar apenas em 2 exemplos antes de apresentar os números de produtividade especificamente do trabalhador brasileiro, podemos mencionar o processo de apuração de impostos e o da eficiência dos nossos portos.

Pesquisa do Banco Mundial com 183 países revela que o Brasil é disparado o que mais leva tempo para se apurar os impostos a pagar. São 108 dias no ano, ou 2.600 horas homem. O segundo colocado para se ter uma idéia é a Bolivia que demora 45 dias ou 1080 horas. (não existe páreo para nós, praticamente somos de outro planeta) O 10º da lista é Camarões que leva 27 dias ou 653 horas. Não vou nem mencionar os EUA ou China, para não deprimir muito.

Num estudo conduzido pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil atingiu a honrosa 130º posição entre 142 países avaliados no quesito qualidade portuária. Diversos ítens foram avaliados, tais como tempo médio de espera para atracação (você já dever ter visto reportagem das filas de caminhoões em Paranagua esperando semanas para embarcar soja), Desperdício de cargas, movimentação de conteineres, entre outros.

De acordo com a instituição americana de pesquisa The Conference Board o brasileiro ocupa a 15º colocação na América Latina entre 17 países da região (estamos  a frente apenas de Bolivia e Equador). Em escala mundial ficamos em 75º de 122 países.

A explicação passa pela educação de má qualidade, excesso de burocracia, protecionismo, infra-estrutura caótica, baixo investimento, carga tributária escorchante, inchaço do setor de serviços e instituições frágeis ou ausentes. Além é claro do nosso velho e pesado Leviatã, super ativo e ineficiente na nossa economia.

Nas próximas publicações falaremos em detalhes destes problemas que emperram a produtividade do brasileiro, fazendo com que ele seja tão eficaz quanto aqueles trabalhadores egípcios que construíram a pirâmide em 2.550  anos a.c.


Ficheiro:BurjKhalifaHeight.svg


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