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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

SOBRE TEMPOS DE "AJUSTES"

Em tempos de recessão e crises em países pelo mundo afora muito se ouve e se lê dos sofrimentos que o povo tem que passar até a economia se ajustar e entrar no rumo novamente.

Desemprego, salários estagnados, retração do consumo, restrição de crédito e contenção de gastos são implantados e acabam por atingir em cheio a sensação de bem estar e a percepção de prosperidade da população. 

Tal arranjo é perigoso inclusive porque o mau humor se retroalimenta, o que desemboca num ambiente de cada vez menos investimento e mergulha a todos num ciclo vicioso ainda mais custoso de se livrar.

Mas será que estamos realmente nestes momentos fazendo tudo que precisa ser feito ? Economistas se dividem nestes momentos entre aqueles que receitam austeridade e entre aqueles que receitam mais gastos (aqui um exemplo deste script, no caso para a questão grega).

O ponto crucial para mim, no entanto, não diz respeito tão somente as políticas de governo que são implementadas nestes momentos, mas no governo em si.

Neste contexto é curioso (senão revoltante) constatar que, nestes momentos agudos, aperta para todo mundo exceto para aquela camada da população que parece viver em outro planeta: chamarei-os aqui de os acomodados.

Quem são estes ?

Em sua maioria são compostos daqueles que estão na folha de pagamento do Estado. É como se tivéssemos uma contabilidade fictícia do capital humano, cujo lado esquerdo - o do ativo - fosse compostos pelos que produzem riqueza e o lado direito - o do passivo - fossem aqueles que se apropriam do produto dos primeiros.

O empresário segurando gasto e os ilustre congressista votando aumento de salário para si próprio de 27%;

O jovem largando a escola para procurar emprego e ajudar na reposição da renda familiar e o servidor do tribunal de contas aprovando auxílio moradia de R$ 4,3 mil reais.

O trabalhador cancelando o cartão de crédito e a assinatura da TV paga e o servidor público entrando em greve para manter aumentos anuais, prêmios qüinqüenais e diversas outras mordomias desvinculadas do mérito e da produtividade. 

Os exemplos abundam e a realidade se torna clara: No mesmo momento em que os acomodados, que foram a causa da crise em primeiro lugar, brigam desavergonhadamente para manter ou aumentar seus privilégios e abocanhar nacos ainda maiores da turma que produz.

A crise não seria problema tão desequilibrado se a ela fosse dada os verdadeiros remédios: Mercado livre, direito de propriedade inviolável, demolição de qualquer barreira comercial, desregulamentação, supressão de todos os cargos públicos (exceto aqueles desempenhados pelos agentes encarregados pelas funções clássicas do Estado, quais sejam: defesa e administração da justiça).

A partir deste momento teríamos uma planificação da arena econômica, com todos concorrendo em condições iguais buscando um só objetivo: produtividade.

Os frutos deste novo enredo seriam: mais inovação, mais educação, mais tecnologia, mais investimento e… maior intolerância com os trapaceiros.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ALGUMAS LINHAS SOBRE A GREVE DE PROFESSORES NO PR


Na volta as aulas os alunos da rede pública do estado do Paraná receberam a primeira lição do ano: "Seus professores não são lá estas coisas quando o assunto é ensinar, mas na hora de defender a perda de seus privilégios eles vão pra guerra (também conhecido neste contexto como greve)

A educação é a única saída para igualar o páreo entre ricos e pobres, existe uma farta literatura a este respeito. Àqueles que recebem ensino de qualidade apresentarão maior produtividade no futuro e terão acesso a melhores empregos.

A contar pelos pífios resultados apresentados pelos nossos alunos - desde os índices de reprovação, de progressão nas séries, do comportamento dentro da sala de aula, até o desempenho nos testes escolares - nosso corpo docente entrega um produto muito aquém do mínimo necessário para capacitar o nosso capital humano. Àqueles que estarão nas fileiras do mercado de trabalho (global) de amanhã chegarão desprovidos desta ferramenta que George Washington uma vez chamou de "chave para destrancar a porta dourada da liberdade."

Ao longo dos anos, no Brasil o ensino público impera desde os tempos da colônia, a classe dos professores foram acumulando uma série de privilégios irreconciliáveis com a realidade. Aumentos anuais, prêmios qüinqüenais, garantia de emprego, licenças remuneradas e - quase ninguém fala disso - clientes nada exigentes (os pais dos alunos das escolas públicas não têm vontade e/ou tempo e/ou condição cognitiva de sequer avaliar o péssimo serviço que estão entregando a seus filhos).

O resultado desse arranjo é o clássico "privilégios concentrados x custos difusos" ou seja, professores da rede pública recebem, na média, mais do que produzem e quem paga a conta é o resto dos contribuintes, que, por ser em maior número, nem percebem que estão sendo extorquidos. É o mesmo "modus operandi" dos outros rent seekings que abundam pelo nosso modelo de Estado.

Fosse uma pura e simples relação privada de troca voluntária num ambiente de livre mercado, aqueles que não entregassem a seus clientes o produto de qualidade (sim educação também é um bem transacionado e sujeito ao mesmo escrutínio) seria naturalmente alijado do jogo. Ora, mas e aqueles que não possuem capacidade de pagar? Neste caso, por uma ínfima fração do que hoje é gasto com a educação pública, seria concedido um "ticket de ingresso"  (também conhecido como vaucher) patrocinado pelo Estado. Algo muito mais focado e "customizado" para os realmente necessitados - na linha do que um dia foi o bolsa família.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CORRENDO PELO RALO

Parte substancial da nossa mão de obra mais produtiva escoa pelo ralo. Ocupando posições que nada acrescentam ao desenvolvimento do país. 

Funcionários públicos é uma das profissões mais procuradas, existe até um novo profissional surgido na esteira desta realidade: o "concurseiro". Pessoas que emendam o término da faculdade com a entrada num cursinho preparatório com vistas a entrar nas fileiras do serviço público. Também tem o pessoal que cansou da  concorrência "selvagem" do mundo corporativo e resolveu pegar o dinheiro da demissão (FGTS, Indenização, seguro desemprego, etc) para patrocinar o período de reclusão nos estudos e tentar uma carreira como fiscal, analista judiciário, agente da Anvisa, guarda rodoviário, técnico do banco central, cozinheiro da câmara ou qualquer outro da longa lista de cargos providos pelo Estado.




















Uma outra raça que se alimenta de improdutividade é o pessoal das consultorias e escritórios de advocacia na área tributária. O intrincado e absurdo emaranhado de regras, leis, portarias, códigos, acórdãos e sentenças que versam sobre impostos, taxas, benefícios fiscais, precatórios, multas e planejamentos tributário são de tal ordem que existe profissionais com especialização e muitas vezes até mestrado em apenas um tipo de imposto. O sujeito é mestre em IPI, ou pós-graduado em IR/CSLL ou possui MBA em ICMS.

Os últimos que nos afogam neste mar de subdesenvolvimento é o pessoal que recebe um ou mais dos inúmeros benefícios concedidos pela pátria querida. 
Filhas de funcionários públicos que recebem pensão integral do pai falecido pro resto da vida. Professores que mantêm até 5 matrículas (o máximo são 2) para ganhar salários sem trabalhar de 3 delas. Meninas casando com funcionários públicos prestes a morrer pra receber pensão como viúva por 30, 40, 50 anos. Um exército de cadastrados nos programas do governo - Bolsa Família, seguro desemprego, pensão por invalidez, etc,… - sem serem elegíveis. E aposentados com apenas 52 anos de vida.
A Constituição de 1988 (a mais socialista já redigida na face da terra) determina que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, basta ler um jornal ou passar em frente a um hospital público para constatar que na prática a lei é outra. Ainda assim tem gente (com recursos porque contratar advogado custa caro) que entra com ação exigindo que o Estado pague tratamentos caríssimos (pasmem, alguns até no exterior) por conta da garantia assegurada no texto constitucional.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SERVIDOR PÚBLICO - NÚMEROS MAIÚSCULOS

No ano passado mais de 12 milhões de brasileiros prestaram concurso público para cerca de 180 mil vagas.

Uma das áreas que mais crescem no país - 40% ao ano - é a de cursinhos preparatórios para quem quer concorrer a uma vaga no serviço público. É comum encontrar "concurseiros" que estão há 4 ou 5 anos tentando aqui e ali passar para o tão sonhado emprego estável, fazendo disso uma profissão.

O salário médio de um funcionário público é cerca de 50% maior do que o da iniciativa privada, dados os mesmos níveis de qualificação e exigência.

Mais de 8% da população ocupada no país é de funcionários públicos. (aqui)

Exemplos obscenos são encontrados todos os dias desde a promulgação da lei que obriga a publicação de salários dos servidores públicos. Em São Paulo foi encontrado um juiz que ganhava R$711.170 por mês. E este está longe de ser um caso isolado.

Pelas vantagens e privilégios que a carreira estatal oferece, muita gente talentosa e de alto QI são atraídas para estes cargos. O que obviamente num pais de escassa mão-de-obra qualificada provoca um dano grave na produtividade da nossa economia. Tão logo um cérebro destes adentra o serviço público a única função que dele se exigirá é a de prover o Estado com maior burocracia e melhores tecnologias de extração do dinheiro alheio em forma de tributos. Isto não gera riqueza.

Num país onde o sonho da maioria dos jovens é se tornar um juiz, ou um auditor fiscal, ou um conselheiro do tribunal de contas, o capitalismo deixa de seu um sistema econômico para se tornar um método eventual de geração de rendas a serviço de quem deveria servir.






terça-feira, 30 de julho de 2013

O PAÍS DA CHORADEIRA

O presidente Getúlio Vargas era chamado de "pai do pobres"; já Lula é adorado por ser um presidente que mais entende e fala a língua do povo.

Faz parte da cultura brasileira desde o período colonial, passando pela monarquia, pela república velha, pelo estado novo e ditadura ver no Estado um ente interventor, onipresente, fonte de soluções e também bode expiatório de todas as culpas e erros particulares.

Nietzsche já apontava a conveniência de ter outros para expiar problemas que são na verdade nossos. Além de alívio para a consciência também nos exime de trabalhar para encontrar saídas. Se estou ganhando pouco porque o Estado não valoriza minha profissão o que mais posso fazer a não ser me resignar e aceitar meu destino ?

No Brasil este modelo de pensamento - que também é fruto de uma cultura católico-cristã - deposita no Estado grande responsabilidade. A todo momento grupos de interesse vão até o grande Leviatã para pedir providências.

Tal multiplicidade de demandas provoca o inchaço do Estado e uma série de políticas pontuais com vistas a agradar toda sorte de grupos com poder organizacional e capacidade de grito.

Pega-se a categoria dos professores por exemplo. A choradeira é contumaz. Reclamam que ganham pouco, são desvalorizados pela sociedade (seja lá o quê isso significa), trabalham sob condições difíceis e tem que lidar com a insegurança e ameaça de alunos marginais. Os dados empíricos simplesmente não sustentam a choradeira (clique aqui). Em suma, professores possuem uma carga horária flexível, férias mais amplas, ganham mais do que outras profissões com mesmo grau de exigibilidade e gozam de um ambiente de trabalho seguro.

A liberdade de associação é salutar e um traço importante que fortalece a democracia, entretanto as soluções devem ser procuradas no seio das próprias organizações, entre particulares. Quanto menor a choradeira melhor a capacidade de diagnóstico, quanto menor a dependência do Estado, menos ingerência ele terá em nossas vidas e menos justificativas ele terá para inflar, mais eficiente e ágil serão as soluções e mais desenvolvido será o país.


terça-feira, 23 de julho de 2013

QUEM GRITAR LEVA

Um trabalhador brasileiro comum, que paga seus impostos em dia e trabalha na iniciativa privada carrega uma turma da pesada nas costas. São àqueles grupos agraciados com alguma forma de subsídio intermediada pelo governo. Do exercício simples de nominar alguns destes privilegiados saiu a listagem abaixo. Podemos chamá-los de "pagadores de meia-entrada".

Sindicatos
Empresas Estatais
Estudantes
Idosos
Aposentados e pensionistas do setor público
Empresas financiadas pelo BNDES
Doadores de Sangue
Indústrias Nacionais
Universidades públicas
Senae/ Sesc / Sesi  Sest e demais empresas do sistema S
Beneficiários do bolsa família
Corinthias
Usuário do transporte público
Cartórios
Partidos Políticos
Taxistas
Zona Franca de Manaus
Filmes nacionais
UNE




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