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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

BIG MAC É COISA SÉRIA

Medindo pela paridade de poder de compra, usando o índice BIG MAC como referência, o real esta 29,2% sobrevalorizado diante do dólar, conforme dados da revista The Economist de janeiro de 2013. É a 5ª moeda mais valorizada do mundo. Perdemos para Venezuela que esta com incríveis 107,9% de sobrevalorização, Noruega com 79,6%, Suécia com 74,5% e Suíca com 63,1%. 

A moeda Chinesa de acordo com o mesmo índice está subvalorizada em 41,1%. (Parece que o Mantega tem razão)

A novidade é que a The Economist passou a agregar mais algumas importantes informações ao já famoso indicador que foi inventado pela revista em 1986 como por exemplo a evolução histórica do índice e o ajuste do preço do Big Mac ao PIB per capita de cada país. Neste caso o Brasil passa a dianteira, ou seja, nós brasileiros pagamos pelo sanduíche o valor mais caro do mundo.

Trocando em miúdos, dado o nível de renda média do brasileiro, que é de R$2.120,84 por mês, deveríamos estar pagando pelo Big Mac R$5,85 entretanto pagamos R$11,25.

Quem quiser se aventurar para conhecer um pouco mais sobre o índice e também ver como andam os outros países é só acessar o link abaixo.

BIG MAC INDEX




terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FORA MANTEGA !!

A maior e mais prestigiada revista de economia do mundo - The Economist - fundada em 1843, lida por investidores, empresários e autoridades por todos os quatro cantos do planeta sugeriu a nossa dileta presidenta que trocasse o time que rege a economia em terra verde e amarela.


A sugestão veio logicamente com base em argumentação arguta, ácida e de certa forma cínica que já faz parte do DNA do periódico semanal inglês. As constantes opiniões super-otimistas do ministro e sua equipe, o ar arrogante e as reações pouco educadas às críticas recebidas, o excesso de políticas heterodoxas na condução da economia são algumas das falhas apontadas na reportagem que justificariam a demissão do comandante da pasta da fazenda, ministro Guido Mantega.

Sem entrar em querelas de cunho xenófobo ou discurso nacionalista de defesa à soberania brasileira, até porque seria ridículo e estéril enveredar por tal seara, precisamos analisar objetivamente a performance do ministro que esta tendo sua permanência contestada à luz dos resultados entregue versus o que foi prometido, diante da percepção dos agentes econômicos e da imprensa especializada qual deve ser o destino do nosso prezado Mantega ?

Temos que analisar, como em qualquer empresa de qualquer tamanho e de qualquer ramo de atividade, para que ele foi contratado e se tinha poderes suficientes para entregar o resultado pretendido.

Ficou claro, desde o início, que para o governo petista o foco é o crescimento, o investimento e a retomada do crescimento da "sofrida" indústria nacional. Ainda que para isso a inflação, o câmbio (outrora flutuante) e as metas de gastos fiquem em segundo plano. Permanecendo na questão de aferição do desempenho do nosso caro ministro, também é amplamente divulgado o imenso prestígio de que goza o referido dono do mais alto cargo da economia no Brasil. Ele encampou poder e influencia, quase que irrestrito, nas pastas da Fazenda, no Banco Central e até no Planejamento. Até porque sabe-se que o mesmo possui visão ideológica similar a da nossa presidenta no que tange ao funcionamento da economia - Nada melhor você dizer aquilo que seu chefe quer ouvir.

Bom então vamos agora a frieza dos números. O Brasil deve fechar o ano com um crescimento ao redor de 1% versus 4,5% que o Ministro declarou no inicio do ano. Com relação ao investimento o planejado até novembro era gastar 90,4 bilhões de reais sendo que o efetivado foi de 39,7 bilhões (nem nota 5 atingiu neste quesito). Já a produção industrial recuou 2,9% nos primeiros 10 meses do ano.

Como se vê nosso avaliado não se saiu bem nas provas, com o agravante que países vizinhos aqui do Brasil irão crescer a taxas superiores a 4%, pra piorar,  o nosso país terminará o ano ainda com uma inflação beirando os 6%, isto graças ao congelamento do preço da gasolina que ajudou a segurar o índice. Um outro ponto gravíssimo que conta contra é a inexistência de diálogo com o setor privado, ninguém do governo, muito menos Guido Mantega, goza de bom trânsito (tampouco fez questão disso até hoje) junto ao empresariado para passar confiança aos mesmos e despertar a credibilidade necessária para levá-los a investir, até porque o próprio governo não dá o seu exemplo neste particular.

Em artigo recente publicado no jornal paulista, Estadão, Mantega reconhece que o crescimento esta demorando mais que o esperado e desenvolve a tese de que a economia esta em processo de desintoxicação (no caso as drogas tóxicas seriam os juros altos que geravam retornos financeiros fartos e fáceis e o cambio artificialmente apreciado que facilitava a compra de maquinário e insumos a preços baixos). Como se vê precisou passar 360 dos 365 dias do ano para que o Ministro assumisse que os seus vaticínios estavam fora de rota em termos temporais. Para ele, no entanto, o remédio continua sendo o correto.

Em frase famosa, Albert Einstein, um dos cérebros mais brilhantes que já existiu deu sua definição para insanidade: "Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes."

Entre manter o atual ministro e correr o risco de ver mais um ano (ou mesmo semestre) da mesma pasmaceira (antipatia e descrédito são coisas que demandam tempo para serem curadas) e colocar um outro que ao menos dialogue com os descrentes e pense ligeiramente diferente (afinal o governo esta impregnado com uma pletora de economistas desenvolvementistas. Na era Lula pelo menos tinha o Henrique Meireles) para gerar renovadas expectativas ao mercado, parece mais eficaz a segunda alternativa. Por isto a conclusão exposta no título desta postagem: Fora Mantega !!

domingo, 9 de dezembro de 2012

FECHADO PARA O COMÉRCIO, FECHADO PARA O FUTURO

O Brasil é um país "ultramegasuper" fechado, seu coeficiente de importação (volume importado  sobre o PIB, tendo o ano de 2011 como referência) é o menor do mundo. (Pelo menos entre os países de que se tem dados disponíveis). É sabido que o país se industrializou utilizando o modelo de substituição de importações onde o governo protegia determinados setores, fechando seu mercado a concorrência estrangeira e fornecendo subsídios para que grupos internos desenvolvessem sua produção dentro do país. Ok, até que este expediente funcionou com algum sucesso até meados da década de 70, mas atualmente a história é bem outra.


É lamentável que após mais de 200 anos da teoria das vantagens comparativas, em que o economista inglês David Ricardo comprovou que a melhor forma de uma nação prover produtos de qualidade e baratos para seu povo é se especializando em determinadas atividades na qual possui uma vantagem, comparativa aos demais países concorrentes, e comercializando-as em troca daqueles bens produzidos, seguindo a mesma ótica, em países estrangeiros. 


Por aqui nossos governantes têm a pretensão de que sejamos auto-suficientes em tudo, de A a Z. Fica mais eficiente, portanto, ao empresário nacional ir chorar pro governo por um aumento do imposto de importação aqui, uma cota de importados ali, uma barreira sanitária mais acolá do que investir em inovação, modernizar a gestão ou criar alternativas que aumentem a qualidade de seus produtos e melhorem a sua competitividade.

Ao final desse jogo, em que o Governo se dispõe a ouvir e atender ao loby das empresas ineficientes e do empresário que recorre a esse expediente sempre que esta perdendo mercado à concorrência estrangeira, só temos um perdedor: O consumidor brasileiro. Ele vai pagar mais caro por um produto de pior qualidade. É um ciclo vicioso que impõe pressão sobre a inflação e amarras à produtividade.

É preciso visão estratégica e muito poder de oratória os políticos (sem falar em   desapego a ideologias e dogmas esquerdistas) para convencer as massas eleitorais de que no curto prazo haverá empresas quebrando e desemprego subindo no processo de abertura das barreiras protecionistas, mas ao final sairemos com maior capacidade competitiva, mais crescimento e um mercado consumidor mais exigente e bem atendido.

Em recente matéria a conceituada revista The Economist reporta o novo bom momento por que passa o México e com futuro ainda mais alvissareiro. Na última década o México se abriu para o comércio internacional fazendo mais de 44 acordos de livre comércio mundo afora, além de já ser parte do Nafta. (o bloco econômico composto pelo México, EUA e Canada). Amargou a concorrência chinesa que desde a entrada do país asiático na OMC tirou mercado da indústria mexicana e jogou o país, nos primeiros dez anos do século XXI, numa onda de crescimento fraco, média 1,6% (menos da metade do Brasil no mesmo período). 

Após o choque de competitividade a indústria mexicana passou pela famosa "destruição criativa" (termo cunhado pelo célebre economista austríaco Joseph Schumpeter para descrever o processo de inovação nas economias de mercado onde o novo e mais eficiente dá lugar ao velho e atrasado) e hoje produzir no México (quando você coloca custo de salário, logística e flutuação do cambio) passou a ser mais barato, para os norte americanos, do que na China, na India ou mesmo no Vietnã. O México passou pela forja dos guerreiros, saindo mais forte e mais competitivo para lutar na batalha contínua e cada vez mais árdua pelo mercado global. O país já forma anualmente mais engenheiros do na Alemanha. Honda, Nissan, Mazda, Audi e diversas outras empresas automobilísticas estão ampliando ou instalando parques fabris onde mais de 80% dos componente serão produzidos no interior das fronteiras mexicanas.

Agora o que é mais assustador. Já existem não pouco especialistas apontando o México como a maior economia da América Latina, destinada a tirar o Brasil deste posto nos tempos que virão. Este ano eles deverão crescer acima de 4%, enquanto aqui ficaremos no máximo em 1,5% e para os próximos o novo presidente eleito, Enrique Peña Nieto, espera alcançar taxas de crescimento superior a 6% até o fim de seu mandato. 

Enquanto isso vamos nos contentando em assistir na televisão o tempo todo comerciais das concessionárias trombeteando : Venham, venham, não percam a promoção deste último final de semana com IPI reduzido !!!  Pelo Amor de Deus ...


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