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sábado, 15 de fevereiro de 2014

O MEU DINHEIRO NO MEU BOLSO E BANDIDO NA CADEIA

Na economia temos governo de mais. Na segurança temos governo de menos.

Onde ele deveria estar não está e vice-versa.

A presença ostensiva do Estado nas coisas econômicas (seja subsidiando grandes empresas, seja tomando poupança do trabalhador, seja fechando as fronteiras à importação, seja esgarçando a máquina tributária para fazer assistencialismo) afasta a iniciativa privada, o empreendedorismo e a inovação.

Já na segurança, onde a intervenção estatal seria, mais do que bem vinda, muito necessária, o governo se omite. E, seguindo a mesma lógica aplicada á questão econômica, só que no sentido inverso, onde ele deixa de atuar, a sociedade civil preenche os espaços. São justiceiros, milicianos e grupos de extermínio que tomam as rédeas da aplicação institucional da lei e resolvem ser polícia, ministério público, juiz e carrasco, tudo ao mesmo tempo.

Temos enfim o pior dos mundos em ambos os cenários, pois estamos indo na contra-mão da história. Somos o país com um peso estatal entre os maiores do mundo (o estado sorve 40% do PIB) e com os piores índices de violência global (o Brasil possui 5 entre as 15 cidades mais violentas do mundo).

Em resumo, não precisamos de meia entrada no cinema, nem de universidade gratuita, precisamos sim de uma polícia bem equipada e motivada para prender o bandido. Não precisamos de Copa do Mundo, nem de portos em Cuba, precisamos sim de um sistema judicial célere e que bote o marginal na prisão. Não precisamos de bancos públicos, nem de gasolina subsidiada, mas sim de prisões estruturadas para manter o preso decentemente tratado e isolado do contato de bandidos soltos.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CASO DA VIOLÊNCIA (ABSURDA) NO BRASIL

Um dos mantras preferidos dos nossos diplomatas, governantes ou quem quer que vá discursar na ONU e outros fóruns mundiais é de que somos um país pacífico, que prefere o diálogo. Balela! Somos um dos 10 países mais violentos do mundo (clique aqui). São mais de 27 homicídios por 100 mil habitantes, no caso de jovens entre 14 e 25 anos o número de mortes aumenta para 54,8. Nem países em guerra declarada possui tal mortandade.
morte prematura  grafico do numero da violência contra jovens no brasil

O Brasil tem taxa mais de 500 vezes maior do que a de Hong Kong e 137 vezes maior que a da Alemanha e da Austria. Das 50 cidades mais violentas do mundo nós temos 14 (clique aqui) entre elas. Maceió com mais de 135 homicídios por 100 mil habitantes ocupa o 3º posto global. Em São Paulo, um dos únicos 3 estados que possuem estatísticas históricas, detalhadas e confiáveis, é registrado mais de um crime por minuto (veja tabela no fim do post).

Vejo muito pouca discussão aprofundada sobre o assunto nas pautas dos governantes, no meio acadêmico ou até mesmo na mídia em geral. Normalmente mostram-se os casos mais assustadores (relembre alguns aqui, aqui e aqui), reporta-se o despreparo da nossa força policial e as manifestações de protesto que se seguem geralmente após o ocorrido. Muito pouco para um fenômeno tão grave e não condizente com um país com a posição econômica e de história não beligerante como o Brasil.

A revista The Economist recentemente reporta o curioso caso da queda vertiginosa dos índices de criminalidade dos países desenvolvidos (alguns nem tanto como a Polonia, Estônia, Portugal e Espanha). O primeiro fato que a reportagem chama a atenção é que ninguém previa tais melhorias há 20 anos atrás, muito pelo contrário, especialistas como o americano John Dilulio diziam que o mundo seria aterrorizado por jovens que não demonstravam nenhum respeito pela vida humana e desprovidos de senso de futuro. Mas o quê ocorreu na verdade foi o oposto:

"Some crimes have all but died out. Last year there were just 69 armed robberies of banks, building societies and post offices in England and Wales, compared with 500 a year in the 1990s. In 1990 some 147,000 cars were stolen in New York. Last year fewer tham 10.000 were...In countries such as Lithuania and Poland the gangsters who trafficked people and drugs in the 1990s have moved into less violent activities such as fraud."

A revista aponta ainda as diversas causas da queda nos índices: Envelhecimento da população (pois um ponto em comum em qualquer país é que os crimes são majoritariamente praticados por jovens); Aperfeiçoamento tecnológico da indústria anti-crime (exames de DNA, computadores, técnicas de   medicina legal); automóveis com dispositivos anti-roubos e que simplesmente não funcionam sem códigos específicos que só o dono possui; melhoria das estatísticas e registros que possibilitam a prevenção; câmeras, alarmes e outros aparatos de segurança. A certeza da punição e a diminuição da recompensa por roubar (aparelhos eletrônicos cada vez mais baratos) também são interessantes causas apontadas.

O economista prêmio nobel Gary Becker desenvolveu na década de 60 um modelo econométrico do crime. Ao analisá-lo como uma atividade racional Becker chegou a importantes insights. Existem custos e benefícios associados ao ato: a possibilidade de ser pego, o risco de morte, de ser condenado e de ser execrado pelos pares são exemplos de custos. Já as recompensas econômicas são mais evidentes. Neste contexto, pôde-se derivar uma equação que descreve a quantidade de tempo gasto na atividade criminosa, por exemplo, como uma função de vários fatores:
y = f ( x1, x2, x3, x4, x5, x6, x7), onde:
              y= horas gastas em atividades criminosas
             x1= "salário" por hora ocupada em atividade criminosa
             x2 = salário-hora em emprego legal
             x3= renda de outras atividades que não o crime ou um emprego legal
             x4= probabilidade de ser capturado
             x5= probabilidade de ser condenado se for capturado
             x6= sentença esperada se condenado
             x7= idade

O mais importante é que ao encarar a questão sob o prisma científico, aplicando uma metodologia racional de análise é possível melhorar os diagnósticos, estabelecer hipóteses de ação, implantar políticas condizentes com as melhores práticas e, medindo os resultados alcançados, entender os pesos e relações de causa e efeito de forma mais precisa e eficiente. Foi isso que Becker fez e revolucionou o modo de se entender e combater o problema do crime nos EUA.

O certo é que para combater a violência, assim como na questão da educação, não existe uma bala de prata única que produzirá resultados instantâneos. Polícia, judiciário, sistema prisional e a sociedade como um todo, podem e devem fazer muito mais, a começar por melhorar o registro e a coleta dos dados para que se diagnostique o tamanho do problema e a necessidade de recursos a ser alocado na empreitada. De outra forma, estaremos cada vez mais ilhados em condomínios fechados e assistindo pela televisão cenários de guerra cada vez mais parecidos com aqueles mais comuns no oriente médio. É o Brasil se "Afeganistando".





sexta-feira, 8 de março de 2013

AS CIDADES MAIS VIOLENTAS DO BRASIL

Esta é para se refletir o quanto a nossa percepção sobre determinados temas  (paradigmas) estão totalmente desalinhados com a realidade dos fatos. Esta semana o site da revista exame publicou os números das cidades brasileiras onde ocorrem maior número de mortes por tiro.

Para minha surpresa Curitiba, Brasília e Rio Grande do Sul estão na frente (piores) do que o tão mal afamado Rio de Janeiro. Florianópolis está na frente de São Paulo (do temido PCC). Eu que sou carioca e optei por viver em Curitiba confesso ter ficado surpreso com os dados.

Abaixo as 27 primeiras do ranking:

Cidade - nr de mortes por 100 mil hab - evolução do índice de 2000/10.
Quando o percentual estiver entre parênteses é sinal de negativo, ou seja, houve melhora no índice

1) Maceió - 94,5 - 249,6%
2) João Pessoa - 71,6 - 174,1%
3) Vitória - 607 - 4,7%
4) Salvador - 59,6 - 157,8%
5) Recife - 47,8 - (41,4%)  
6) Fortaleza - 47,3 - 235%
7) Curitiba - 46,9 - 138%
8) Belém - 45,5 - 215,4%
9) Porto Velho - 33,4 - 20,2%
10) Porto Alegre - 32,8 - (11,2%)
11) Natal - 32,6 - 109,6%
12) Manaus - 31,5 - 154,3%
13) São Luiz - 31,1 - 267,4%
14) Goiania - 30,2 - 57,2%
15) Belo Horizonte - 30,1 - 7,3%
16) Cuiabá - 28,7 - (41,5%)
17) Aracajú - 27,3 - (4,7%)
18) Brasilia - 25,3 - 10,2%
19) Rio de Janeiro - 23,5 - (52,7%)
20) Macapá - 21,8 - 171,9%
21) Teresina - 18,9 - 94,9%
22) Florianopolis - 18,5 - 212%
23) Campo Grande - 13,2 - (54,4%)
24) Rio Branco - 11,3 - (7,3%)
25) São Paulo - 10,4 - (71,4%)
26) Palmas - 9,6 - 4,8%
27) Boa Vista - 7,4 - (25%)

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