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domingo, 15 de fevereiro de 2015

QUEBRA DE CONFIANÇA

Nenhum governo é mais forte do que o povo que lhe sustenta. Somos no Brasil 200 milhões de pessoas das quais, cerca de 170 ou 180 milhões vivem sob o governo de 20 ou 30 milhões. Este padrão se repete mundo afora, 10% detêm o monopólio da força, mas este arranjo não concede de forma absoluta a perpetuidade de qualquer sistema de governo pois a maioria pode, unida, facilmente depor o grupo que ocupa o poder.

O cimento que mantêm toda a engrenagem chama-se confiança. Na medida que os governados acreditam que o seus representantes farão uso da força que lhes foi delegada para a consecução de uma paz produtora de bem estar e prosperidade, mesmo passando por solavancos e até mesmo pro graves sobressaltos, se a crença na intenção que impera é positiva, o curso das coisas prossegue e todo o sistema se mantêm.

O último pleito presidencial rompeu de forma perigosa com este concerto. Ficou claro, mesmo para os menos atentos ou para os menos letrados, que a detentora do cargo mentiu de forma explícita e descarada para permanecer com o poder. A campanha desconstruiu não só a imagem dos adversários mas também a verdade que anima a boa vontade dos que trabalham para a construção do desenvolvimento do país.

Alguns dias após a vitória, ela deixou claro que tudo que dissera no meio da contenda foi tão somente exercício de marketing ilusionista - a dissonância cognitiva e os interesses espúrios tratou do resto - pois desembestou uma série de medidas que não só negou que fosse fazer mas que criticou severamente a oposição que, se ganhasse, o fizesse.

Pois bem, agora vivemos numa encruzilhada institucional cuja hipótese que esta sendo testada é a de que para seguir no poder vale realmente tudo, inclusive a mentira ou, de que o povo, desprovido daquele cimento imprescindível ejetará do poder àquela que lançou mão deste artifício para ganhar as eleições. O caminho que iremos percorrer certamente marcará de forma profunda e trará conseqüências duradouras para as relações de todas as ordens no seio de nossa sociedade. 

Por quê não posso sonegar impostos ou pagar um suborno ao policial para me aliviar se a representante maior da nação procedeu com este mesmo modus operandi quando precisou e ao final não só ficou impune mas foi recompensada ? 

É este julgamento, moral acima de tudo, que está em curso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

POR QUE GANÂNCIA FAZ MELHOR QUE O AMOR

Aqui não me refiro ao roubo, a fraude ou a qualquer outra ação que produza vítimas.
A ganância ora explicitada é sobre àquele sentimento que move os indivíduos ambiciosos, àquela que leva-nos a querer cada vez mais e melhor para nós mesmos.
Quando o sujeito levanta às 3h da manhã, percorre quilômetros de ônibus para chegar ao trabalho, amassa quilos e quilos de farinha e leva por diversas vezes àquela massa a um forno quente, num calor de 40º para... que o pãozinho quente chegue à mesa do advogado, residente nos Jardins, se refestelar pra mais um dia de escritório, qual sentimento você acha que o move ? Amor ? Pena ?
Entre as alternativas que o padeiro tinha para dispor de seu capital humano, entendeu ele que àquela que mais lhe traria resultados seria produzindo pães. Ninguém o coagiu a fazê-lo, ninguém o proibiu de fazê-lo, ele pode mudar de atividade quando quiser e ele será remunerado por isto enquanto o negócio for lucrativo.

A maioria das pessoas definem ganância como sendo uma atitude cujo portador preocupa-se única e exclusivamente com seu bem estar e não está nem aí pro resto. A mágica do capitalismo de livre-mercado é que não importa qual o sentimento do padeiro para com o advogado dos Jardins, ou para com qualquer outro e sim para consigo mesmo. Pois se a finalidade é para ser promovido e um dia virar gerente da padaria, ou se é para conseguir fundos suficientes para terminar sua faculdade, ou se é para sair no fim de semana e encher a cara de cachaça,  o que importa é que, ao querer o melhor para si mesmo, ele mesmo sem pretender já está produzindo algo de valor para a sociedade, produzindo o, famoso, bem comum.

A sociedade é heterogênea, cada indivíduo enxerga e percebe a realidade a sua maneira, as pessoas possuem diferentes objetivos e visões particulares do que é bom para si. Esta multiplicidade de desejos e a busca dos meios para atingi-los precisava de um catalisador. A evolução natural escolheu a ganância.

Existem essencialmente 3 formas de conseguir que alguém faça alguma coisa por você: Pelo amor, pelo comercio ou pela força. O amor é muito restrito, pois para amar precisa conhecer, precisa estar perto para querer as mesmas coisas. Com o amor as trocas ficariam intra-familiares ou circunscritas a um pequeno grupo, a um bairro.

Pelo comércio a idéia central é que para que eu faça algum bem para você, você precisa fazer um bem para mim, esta é a regra de ouro do capitalismo de livre mercado, de livre iniciativa – a reciprocidade pacífica, uma troca voluntária de favores: Eu lhe dou pãozinho quente e você paga a mensalidade da minha faculdade (o dinheiro na forma de salario é o meio).
A última forma, pela força, é basicamente como os bandidos e....o governo faz. 
A ganância é o motor do desenvolvimento, é o alimento do ego, é a insatisfação com o presente e o remédio para a inércia. Ela impulsiona a transformação de coisas sem nenhum ou pouco valor em coisas de algum ou maior valor.

Se faltasse ganância no mundo, estaríamos todos mortos. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

FÁBRICA DE CRIMES, EXTERMINADOR DA MORAL

A mesma pessoa, a mesma atividade, recebe em lugares diferentes, em épocas diferentes ou em  circunstâncias diferentes entendimento oposto em vista da lei. Em uma o sujeito vai pra trás das grades ou até mesmo pro corredor da morte, na outra ele será no máximo, vítima de um olhar atravessado.

- Jogar num cassino em Monte Carlo ou em Las Vegas é diversão, no Brasil ou no Canadá é crime.

- Fumar maconha no Uruguai ou na Holanda é um ato de rebeldia, na Austria ou no Brasil é crime.

- Trair o marido no Irã ou na Arábia Saudita é crime (punido com morte por apedrejamento), nos EUA ou no Brasil é, no máximo, safadeza.

- Comprar vinho ou Vodka nos EUA é promessa de festa animada hoje em dia, na década de 1920 era pedir pra ir pra cadeia.

- Comprar drogas na farmácia você é um doente, comprar no morro você é um bandido.

- Tirar a própria vida pulando do 20º andar ou dando um tiro na cabeça é um lamentável suicídio, mas se matar de forma involuntária dirigindo sem cinto de segurança não pode, é crime aqui no Brasil

- O empresário dono de posto de gasolina que adiciona álcool no combustível quando está caro para Petrobrás importar gasolina é um criminoso, no cenário contrário ele é um zeloso cumpridor da lei.

Diz-se que a cadeia é uma escola do crime, pode ser. Mas certamente o Estado hoje é o seu preceptor. Quais as conseqüências desta intromissão? Que transformou o ato de recriminar, de uma função social e moral dos integrantes de uma cidade para uma tarefa burocrática de um "iluminado" sentado na cadeira de deputado ?

1º) O judiciário atolado de processos, que levam décadas para serem concluídos e o juiz como um memorizador de códigos e de milhares de leis ao invés de um árbitro imparcial e experiente conhecedor dos costumes.

2º) Determinadas condutas se transformaram em empreendimentos altamente lucrativos. Al Capone não ficou milionário quando vender bebida alcoólica era legal, seu apetite ao risco era acima da média e incluía a possibilidade de ser preso como uma conseqüência tolerável para a obtenção de riqueza. A diferença entre um vendedor de coisas ilegais e o vendedor de coisas legais é que a margem de lucro do primeiro é tão alta que a possibilidade, incerta, de ir para cadeia também entra na sua contabilidade gerencial. Traficantes de drogas preferem vender cocaína e maconha do que prozac e antibiótico.

3º) Antes tudo era permitido exceto o que os olhares recriminatórios dos pares, a contrariedade da família ou a reprovação dos amigos não permitia, hoje nada é permitido sem antes uma consulta pormenorizada nas milhões de leis (de abrir uma empresa à dirigir um automóvel). Será que somos tão superiores assim aos nossos antepassados ? Ou somos só mais arrogantes ?

"Quando a lei e a moral contradizem uma a outra, o cidadão tem a escolha cruel de ou perder seu senso moral ou seu perder o respeito pela lei" Frederic Bastat

É isso. Estamos perdendo o senso moral.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A TOLA ILUSÃO

Não é porque esta entalhado em ouro na rocha mais dura encontrada na natureza, ou por estar escrito num documento chamado constituição que o governo "protegerá o direito de seus cidadãos" que automaticamente esta assegurado tal objetivo.

Afinal de contas estamos falando de seres humanos aqui, estejam eles trancafiados numa prisão, isolados numa ilha deserta, sentados numa cadeira presidencial de uma empresa ou num gabinete do congresso nacional, todos estão sujeitos aos vícios e virtudes inerentes à raça humana.

É melhor portanto prender-se ao "como será" dado aos incentivos postos do que ao "como deveria ser" dado à intenção, pompa e todo cerimonial emprestado ao cargo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A OBRIGAÇÃO QUE NOS CABE

Se temos alguma obrigação importante como indivíduos, esta é a de não ter uma visão tola (e romântica)  acerca dos homens da política.

Vê-los como sendo diferentes do homem biológico (e portanto suscetíveis a todos os tipos de incentivos, fraquezas, ambições e receios deste espécime) esta no cerne de todos os males das sociedades subdesenvolvidas.

O tempo do despotismo, do mandato divino, da superioridade de determinada linhagem já deveria ter sido supostamente superada pela era da razão, desde Decartes, e não caberia, portanto, qualquer dúvida quanto a falibilidade dos que governam.

A democracia enjambrada pelo gregos e a divisão dos poderes conforme receitada por Montesquieu não foram suficientes para por a turma que desempenha a nobre missão de governar "on tracks". 

Poder de escolher o próprio salário, fórum privilegiado, estabilidade de emprego, instituição de monopólios, obtenção de financiamentos subsidiados,perpetuar parentes e apadrinhados na sucessão, poder de tributar, poder de conceder privilégios (nacos do imenso orçamento) a grupos que lhe interesse, plano de saúde diferenciado, plano previdenciário diferenciado, são alguns dos benefícios que a casta "iluminada" roga pra si às expensas de "nosotros", o povo. 

As leis da torpeza humana são aplicáveis a toda espécie…...humana. Deveríamos impor a classe política, pelo menos, o mesmo escrutínio dos demais trabalhadores (porque é isso que eles são, não me venha com a balela de servidores missionários públicos). Demissão em caso de incompetência, salário determinado pela produtividade, currículo compatível com a função desempenhada, código penal, crininal, tributário e todos os outros aplicados da mesma forma e... Concorrência (exceto para as funções fundamentais de aplicação da justiça e da segurança). 

Como iremos saber se um hospital, um banco, uma escola ou uma petroleira é melhor administrada pelo Estado ou pela iniciativa privada se não temos concorrência ?

Já passou da hora de tirarmos a venda dos olhos e deixar que a razão seja realmente plena. Ideologia ou a crença em seres superiores destinados à administração e condução de um país não coaduna com a realidade, nem tampouco com o que a história e o cotidiano (todo dia) nos ensina. Basta ler os jornais.


sábado, 20 de dezembro de 2014

PENSAMENTOS SOLTOS

A reivindicação dos "loosers" geralmente vai em direção dos símbolos, dos sinais exteriores, das conquistas explícitas e tangíveis dos bem sucedidos.

O capitalismo premia o mérito, quanto mais desejado é o produto do seu esforço, mais rico você fica. Naturalmente suas posses, seus bem materiais seu acesso às coisas boas que a vida oferece se expandirão; assim como a inveja dos desprovidos.

Os "loosers" vão xingar o mundo de injusto, vão se apoiar em ideologias que pregam igualdade de resultados e vão querer, em última instância, tomar o que é fruto do trabalho alheio.

O quê talvez a maioria não perceba é que o foco deste sentimento de "justiça" (que nada mais é do que inveja disfarçada de nobreza) ataca a conseqüência e não a causa do sucesso dos outros.

Se quer tirar algo de alguém mais bem posicionado patrimonialmente do que você, tire o conhecimento, tire o exemplo, tire a atitude, o comportamento, o mesmo grau de esforço. Desta forma, sim, você provavelmente estará emulando as coisas certas para se alcançar o mesmo bem estar.
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Se alguém tem dúvidas do quanto o Estado (fora das suas atribuições clássicas) é prejudicial a economia basta dar uma olhada na rua 25 de março em São Paulo, especialmente nesta época do ano.

Ali é o retrato de uma vasta parcela da economia (algo em torno de metade das empresas do país) que se move pelas sombras. Não tem condições de contratar empregados e pagar por eles pelo menos R$ 1.500 (salário mínimo oficial mais encargos), nem de cumprir com todas as complexas obrigações acessórias e principais demandas da Receita estadual, municipal, federal, do inmetro, da anvisa, do ministério do trabalho, da junta comercial,...

Mas se for levado em conta apenas o esforço individual, a iniciativa, a criatividade e a disposição para o trabalho duro, sem as amarras e custos de pesadas regulamentações e ingerência estatal, o empreendimento não só sobrevive como prospera.

Mas como por aqui se pune como em pouquíssimos lugares a ousadia de se ter um negócio, basta o empresário enquadrar sua firma nos parâmetros da formalidade brasileira e pronto…é o começo do fim para muitas. O desvio de foco e energia para atividades exigidas pelo aparato burocrático nacional sufoca todo o empreendimento.

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O Capitalismo é o nome que se dá a algo difícil de expressar em palavras. Nele, os homens são livres, para espontânea e voluntariamente perseguirem o atendimento de suas necessidades básicas e (muito importante) suas necessidades supérfluas através do fruto do seu próprio esforço. 

No Capitalismo, a especialização promove a maior produtividade, as trocas ocorrem em reconhecimento de que ninguém é muito bom em tudo e que, se você focar na produção daquilo em que você é melhor, poderá obter as outras coisas de que você necessita sem se preocupar em ter que produzi-las, como conseqüência deste sistema o desenvolvimento geral nasce e cresce, como uma mágica.

Ele não foi inventado, planejado ou desenhado por ninguém (se fosse, todos os prêmios nobel deveriam ser concedidos ao seu criador). É fruto da iteratividade e das lutas seculares por liberdade e pela propriedade privada travada entre homens livres e senhores feudais, nobres ou ditadores.

A distinção deixou de ser pelo sangue, nome da família, raça ou pelo credo que você comunga para ser pela quantidade de dinheiro que você tem no bolso. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

UMA NOTA SOBRE A VENDA DO WATSAPP PARA O FACEBOOK

O Facebook adquiriu o Watsapp por U$19 bilhões de dólares na última semana. Pipocaram críticas entre leigos, mídia e especialistas de que o valor estava muito acima do que realmente a empresa valia.

Não vou entrar nos detalhes do negócio em si aqui, apenas chamarei atenção para a questão que mais parece ter intrigado o publico em geral: o PREÇO.

Desde Adam Smith a questão do valor em economia esta longe de ser uma matéria de simples mensuração.

Teorias das mais variadas foram lançadas. Marx por exemplo achava que o valor das coisas encontrava-se na quantidade de trabalho colocado nela. Neste caso a dificuldade está em diferenciar os diversos tipos de trabalho. Além disso não se pode esquecer que o capitalista foi quem em primeiro lugar vislumbrou o empreemdimento, alocou recursos, criou empregos, portanto não é razoável atribuir todo crédito à classe proletária.

A revolução marginalista foi quem chegou mais próximo de explicar onde se econtra o valor. Sua base está na questão de quanto uma unidade adicional de um determinado bem gera de utilidade para o agente que o adquire. Ora se você comprou 1 celular por R$1.000,00, um eventual segundo aparelho (de configurações similares) não lhe trará o mesmo grau de satisfação (utilidade). Possivelmente para um vendedor lhe convencer a levá-lo terá que praticar algum desconto. A teoria então diz que na medida que mais unidades forem consumidas menor será sua utilidade e portanto, seu valor será decrescente.

O preço porém não guarda uma relação direta e estável com o valor. Quando a demanda encontra a oferta, num mercado livre, o preço é dado pela interseção entre os dois.

No mercado de fusões e aquisições corporativas, cada empresa é um produto único em todas as suas dimensões. Por exemplo: Vamos imaginar que Google e o Yahoo tenham o mesmo faturamento e as mesmas margens. Ainda que estejam na mesma área de atividade, tenho certeza que os valores seriam diferentes por uma série de outras razões, algumas de caráter bem subjetivos e variável dependendo de quem esteja se propondo a compra.

O Watsapp é uma empresa com 55 funcionários, dos quais 32 são engenheiros com um perfil e potencial profissional que não se encontra em qualquer esquina. A base de clientes dela, diga-se de passagem é maior do que a do facebook e pesquisas nos EUA apontavam que entre os jovens a preferência para o aplicativo de celulares já era maior do que o do Facebook.

Os motivos que levaram Mark Zuckerberg a fechar o negócio e a estratégia para otimizar o ativo não são divulgados. A maior parte do valor (U$ 15 bilhões) foram adquiridos por troca de ações.  As bolsas precificaram o negócio positivo, haja vista o aumento nos papeis do Facebook desde a concretização da compra.

Finalizando: Preço não é uma questão de moral, não é sequer uma questão puramente objetiva. Ele apenas é o sinal que - numa economia livre, sem coações - vendedor e comprador após fecharem negócio vão para casa mais felizes do que antes.

domingo, 2 de junho de 2013

POR QUE O BRASILEIRO É OMISSO, PACATO, CONFORMADO ?

Muitas vezes já me perguntaram do porque do brasileiro - diante de tanto desgoverno, episódios de corrupção, roubalheira do dinheiro público, aumento de impostos, burocracia asfixiante, serviços públicos horrendos, insegurança, má gestão econômica - aceitar tudo tão pacatamente, sem protesto, calado, conformado.

Onde estaria a sociedade civil para se levantar contra tais desmandos para cobrar mais competência e eficiência do servidor público, do político ?

Em uma das obras mais lidas e prestigiadas - A Democracia na América -  o pensador político e historiador francês Alexis de Toqueville que admirava a pulsante democracia dos EUA fazia já no século XIX uma severa previsão e alertava:

"Vejo uma multidão infinita de homens iguais e afins que se voltam sobre si mesmos sem descanso, procurando os prazeres pequenos e vulgares com que alimentam a alma. Cada um deles, retraído e solitário, é como um estranho para o destino de todos os demais: seus filhos e seus amigos particulares formam toda a espécie humana para ele; quanto a seus concidadãos, ele está ao lado deles, mas não os vê; ele os toca e não os sente; só existe em si mesmo e para si mesmo ...

Acima deles, paira um imenso poder tutelar, que, sozinho, se encarrega de assegurar seus prazeres e tomar conta de seu destino. É absoluto, detalhado, metódico, sagaz e moderado. Lembraria o poder paternal se, como este, tivesse por objetivo preparar os homens para a vida adulta; mas, ao contrário, só trata de mantê-los irrevogavelmente atados à infância ...

Assim, após tomar um indivíduo por vez em suas mãos poderosas e trabalhá-lo a seu bel-prazer, o soberano estende os braços sobre a sociedade como um todo; abarca toda a sua extensão com uma rede de regras triviais, complicadas, meticulosas e uniformes por meio das quais as mentes mais originais e as almas mais vigorosas são incapazes de abrir caminho para sobrepujar a multidão; não corrompe vontades, mas as abranda, molda e conduz; raras vezes força alguém a agir, mas com frequência se opõe à ação; não destrói, mas impede as coisas de nascerem; não tiraniza, mas tolhe, compromete, enfraquece, extingue, atordoa e, finalmente, reduz cada nação a nada mais do que uma horda de animais tímidos e diligentes dos quais o governo é o pastor."

Toqueville não poderia ser mais preciso em sua análise. O Brasil é exatamente o retrato deste quadro pintado pelo historiador francês. Em sua faina de cobrir todos os espaços, chamar para si a resolução de todos os problemas, cooptar a ação coletiva,  o poder estatal não deixa maiores brechas para a formação e/ou perpetuação de entidades particulares da sociedade que se formam muitas vezes para cuidar de um problema menor: Um alagamento recorrente de uma rua, uma limpeza de um bairro, a alimentação de desabrigados, uma associação para alfabetização de adultos e assim por diante.

Geralmente o que ocorre é o encampamento da ação, mesmo que num segundo momento, pela mão do Estado. Lá vêm o prefeito ou funcionário público na melhor da boas intenções "ceder" uma verba, ou alocar servidores para ajudar no início e depois tomar pra si a condução da empreitada. É a estatização da sociedade civil e suas organizações. 

Como escreveu o historiador de Harvard em seu livro A Grande Degeneração (de onde eu retirei o trecho do texto traduzido de Toqueville),  "...acredito que o ativismo local espontâneo por parte dos cidadãos é melhor que a ação estatal centralizada não só pelos resultados, mas - o que é mais importante - pelo efeito que isso tem sobre nós como cidadãos. Pois a verdadeira cidadania não se resume a votar, garantir o sustento e andar dentro da lei. Também consiste em participar do "bando"- o grupo que vai além de nossas famílias -, que é precisamente onde aprendemos a desenvolver e implementar regras de conduta: em suma, a governar a nós mesmos. A educar nossos filhos. A cuidar dos indefesos. A combater o crime. A manter as ruas limpas." 
E aqui eu adicionaria: A criar senso crítico e capacidade de se indignar com os desmandos do governante eleito para, aproveitando a associação a que pertence, externar e cobrar ativamente dos responsáveis.

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