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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DEPENDE DA RÉGUA

Pela paridade do poder compra a China já ultrapassou os EUA como maior economia do mundo.

Pelo mesmo índice a India passa a 3ª posição. Já pelo critério de PIB per capita ela vai pra última posição (do grupo de países selecionados da tabela abaixo)

O Japão que já foi a 2ª maior economia durante mais de 25 anos, só cai, por qualquer dos tradicionais parâmetros que se usam.

A Indonésia é o 3º em percentual de crescimento e o Brasil o antepenúltimo  aliás nosso desempenho é medíocre também no PIB per capita e mantemos o 7º lugar quando a medição é pelo poder de compra.

O quadro mostra o ranking (base 2014) de 13 países selecionados, retirado do world economic outlook database do FMI.







quarta-feira, 19 de junho de 2013

GRÁFICOS MACROECONOMIA

O QUE TINHAR QUE SUBIR ESTÁ DESCENDO E VICE-VERSA ...




Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress




sexta-feira, 31 de maio de 2013

DILMA FAZ FORÇA PARA NÃO SE REELEGER

Pelo visto a economia neste primeiro mandato da era Dilma será mesmo um horror.

Vamos começar pelo PIB. O economista do IPEA Mansueto de Almeida publicou este gráfico em seu Blog:


Crescimento do PIB por mandato presidencial – 1995-2014*
conjuntura02
OBS: Crescimento real projetado para o PIB em 2013 e 2014 de, respectivamente, 2,5% e 3,3%.
Em 4 anos, Dilma conseguirá crescer, na média, o mesmo que os 8 de FHC. Ocorre que FHC vinha de um Brasil destroçado pela inflação, enfrentou crises de dívida aqui e lá fora (México, Rússia, Asia) e em sua época o Brasil não gozava do status de país em desenvolvimento, queridinho dos investidores, nem tampouco de uma oposição omissa, como hoje usufrui o PT.
O gráfico abaixo mostra trajetória do superávit primário do Setor Público, nota-se que a turma do Mantega também vem detonando com este importante indicador. Vale ressaltar que desde a implantação em 2000 pelo governo FHC da Lei de Responsabilidade Fiscal, nunca tivemos números tão fracos.



Por último a inflação:
Não vamos nem mencionar a era FHC, já que foi ele como ministro da Fazenda que em 1994 implantou o Plano Real, que deu fim ao apocalipse da carestia. Seu governo foi uma espécie de plano estratégico de consolidação para a cicatrizarão das feridas provocadas por tanto tempo de hiperinflação e dos planos tresloucados para debelá-la. Na era Lula a inflação foi de 5,7% na média. Dilma nestes mais de 2 anos de governo apresenta uma média de 6,2%.
EPÍLOGO:
As contas externas vem se deteriorando com o saldo da balança projetando valores abaixo de U$10 bilhões (pior marca em 12 anos). Investimento anêmico e produção industrial pífio são mais alguns dos péssimos resultados trazidos pela turma do Mantega.
A última súbida da Selic em 0,5%, superando as expectativas do mercado, parece demonstrar que finalmente Mantega perde o poder supremo de condução da economia Dilminiana, em favor do pessoal mais técnico do BC.
A oposição, fosse ela mais agressiva e incisiva, acionava as trombetas pelos 4 cantos do país, denunciando a incompetência e esgotamento do modelo petista. Dados para provar é o que não faltam. Espero apenas que a popularidade da ex-guerrilheira se torne mais coerente com a realidade dos números da economia. Afinal de contas o povo, como dizem os populistas, entendem mais através do bolso...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

AUTOENGANO

Eles só podem estar de brincadeira. O orçamento foi sancionado hoje, quando simplesmente mais de 25% do ano já foi.
E dêem um olhada nas projeções que eles usaram como parâmetro:

"A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quinta-feira o Orçamento Geral da União de 2013, que será publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União. A proposta orçamentária, aprovada por deputados e senadores no mês passado, fixou em R$ 2,27 trilhões a receita total da União, sendo R$ 610,1 bilhões para rolagem de dívidas e R$ 83,3 bilhões destinados a investimentos; crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano; taxa básica de juros (Selic) em 7,25%; inflação de 4,91%; e superávit primário, de 3,1% do PIB."

Será que eles acreditam realmente nestes números ou é um fenômeno coletivo de auto-engano ?

quarta-feira, 27 de março de 2013

O PROBLEMA DA MEDIÇÃO DO MAMUTE


O Estado brasileiro é um mamute. Pesado, burro, preguiçoso e sempre a procure de alimentação farta e fácil.

O peso do governo cresce ano após ano drenando recursos das famílias e das empresas para financiar seus gastos.

A justificativa apresentada é que ele precisa distribuir renda, diminuir desigualdades, corrigir as falhas do mercado, além é claro de ter dinheiro para pagar por suas funções primordiais tradicionais - segurança, saúde e educação.

Como o governo atua num ambiente fora do mercado fica difícil avaliar se cada R$ 1,00 adicional que ele retira da economia será retornado, pelo menos na mesma proporção do valor original.

No ambiente de mercado fica fácil de medir. Se uma padaria de bairro por exemplo, produz 500 pãezinhos francês, digamos para uma população ao redor de 200 casas, o dono poderá cobrar, vamos supor, R$0,50 por unidade. Entretanto se ele produzir 600, muito provavelmente os 100 adicionais terão que baixar o preço para não encalhar na prateleira. É o mercado dizendo pro dono da padaria que o retorno da 501ª unidade é menor do que o da 500ª e que a partir daquele ponto o lucro por pãozinho adicional se torna decrescente.

Mas e no no governo como mede ?

R$ 1,00 a mais de imposto poderia servir para:

- Pagar juros;
- Aumento salarial dos servidores públicos;
- Consertar a obra mal feita do antigo dono do cargo;
- Modernizar aeroporto ou porto ou rodovia ou ferrovia;
- Construir um novo hospital;

Não é preciso ser nenhum especialista para constatar que os três primeiros exemplos de destinação que apresentamos nas opções acima do imposto adicional não contribui em nada para o desenvolvimento do país.

Alguém poderia dizer. Mas e o PIB ?

Para efeito de PIB, se o dono da padaria gastou mal o R$ 1,00 e ficou com os pãezinhos encalhados, sem conseguir vendê-lo o valor acrescentado no PIB é zero. Já o governo, não interessa onde ele usou o R$1,00 adicional. Será contabilizado um aumento do PIB de R$1,00.

Aumento no PIB por meio de aumento do gasto do governo não necessariamente portanto é uma coisa boa. Aliás pelo histórico que temos no mundo todo e especialmente aqui no Brasil é péssimo negócio. 

Meu sonho como economista era possuir um instrumento tão eficaz quanto o mercado - inapelável - para mensurar com alguma exatidão o retorno de cada real   que o Governo drena da economia ano a ano.

segunda-feira, 11 de março de 2013

PIB 2011 e 2012 E PROJEÇÕES PARA 2012 E 2014

Números do último World Economic Outlook do FMI.

Table 1. Overview of the World Economic Outlook Projections
(Percent change unless noted otherwise)
Year over Year
ProjectionsDifference from October 2012 WEO ProjectionsQ4 over Q4
EstimatesProjections
201120122013201420132014201220132014
World Output 1/3.93.23.54.1–0.1–0.12.93.84.0
Advanced Economies1.61.31.42.2–0.2–0.10.92.02.1
United States1.82.32.03.0–0.10.11.92.43.2
Euro Area1.4–0.4–0.21.0–0.3–0.1–0.70.51.0
    Germany3.10.90.61.4–0.30.10.61.31.1
    France1.70.20.30.9–0.1–0.20.30.31.2
    Italy0.4–2.1–1.00.5–0.30.0–2.40.10.4
    Spain0.4–1.4–1.50.8–0.1–0.2–1.9–0.30.8
Japan–0.62.01.20.70.0–0.40.22.6–0.1
United Kingdom0.9–0.21.01.9–0.1–0.30.01.42.0
Canada2.62.01.82.3–0.2–0.11.32.22.3
Other Advanced Economies 2/3.31.92.73.3–0.3–0.12.03.53.2
    Newly Industrialized Asian Economies4.01.83.23.9–0.4–0.22.43.93.8
Emerging Market and Developing Economies 3/6.35.15.55.9–0.10.05.55.96.2
Central and Eastern Europe5.31.82.43.1–0.10.01.63.23.1
Commonwealth of Independent States4.93.63.84.1–0.3–0.12.44.33.4
    Russia4.33.63.73.8–0.2–0.12.44.43.4
    Excluding Russia6.23.94.34.7–0.5–0.1. . .. . .. . .
Developing Asia8.06.67.17.5–0.10.07.37.17.8
    China9.37.88.28.50.00.08.17.98.8
    India7.94.55.96.4–0.10.05.46.06.4
    ASEAN-5 4/4.55.75.55.7–0.20.07.75.85.5
Latin America and the Caribbean4.53.03.63.9–0.3–0.13.14.23.6
    Brazil2.71.03.54.0–0.4–0.22.14.04.1
    Mexico3.93.83.53.50.00.02.84.92.5
Middle East and North Africa3.55.23.43.8–0.20.0. . .. . .. . .
Sub-Saharan Africa 5/5.34.85.85.70.00.1. . .. . .. . .
    South Africa3.52.32.84.1–0.20.31.54.24.1
Memorandum

sexta-feira, 1 de março de 2013

LULA EVITA COMENTAR PIIBINHO

Notícia boa todo mundo quer dar, quero ver agora. Como diz aquele velho ditado: "Filho feio é órfão !"

Lula evita comentar PIB baixo

veja detalhes no link abaixo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PIB PÍFIO E INVESTIMENTO DESAPARECENDO.

Fecharemos 2012 com um PIB  crescendo entre 0,9% e 1,2% e como a taxa de crescimento populacional no Brasil gira na casa de 1,1%, obteremos, portanto, um crescimento per capita nulo neste ano que esta se encerrando.

Não adianta culpar a crise internacional pois ela já estava dada antes mesmo de 2010 quando o Brasil cresceu 7,5% e 2011 quando o PIB aumentou em 2,7%. A fase mais aguda da crise foi em 2009 quando a zona do Euro despencou 4,4% e o Estados Unidos 3,1%. De lá pra cá nenhuma queda desta magnitude se repetiu, pelo contrário, os EUA vem se recuperando e a Europa anda de lado sem, no entanto, apresentar um declínio daquela natureza. Vale ainda ressaltar que outros países aqui da vizinhança que se encontram no mesmo planeta apresentarão taxas quatro vezes maiores que a nossa. (Chile, Peru, Colombia, México e até a Argentina)

Não adianta culpar os juros altos, a Selic só fez diminuir e irá fechar 2012 em seu volume mais baixo de todos os tempos, 7,25%. Se antes ocupávamos o primeiro lugar no ranking mundial dos juros reais (Selic descontada a inflação), atualmente estamos em quarto, atrás da China, Chile e Austrália. Em novembro este número (juros reais) no Brasil era de 1,7%. A bengala exaustivamente usada como desculpa por sindicatos, FIESP e toda sorte de populistas parece, portanto, estar deixando de existir.

Não adianta culpar a falta de crédito, o nosso querido BNDES recebeu do Tesouro mais de de 350 bilhões de reais desde 2007 para financiar projetos (se estes apresentam taxas de retorno eficientes e fatores multiplicadores desejáveis para o resto da economia, daí já é assunto para um outro texto) e os demais bancos públicos alavancaram seus volumes de empréstimos batendo recordes  históricos. Atualmente nosso estoque de crédito já supera metade do PIB, algo inimaginável no passado recente do nosso país. Em parte é o que provoca no cidadão comum, juntamente com o aumento da renda, uma sensação de bem estar e a cegueira com relação ao restante dos problemas nacionais.

Já sabemos que a produtividade é um ponto importante e que certamente contribuiu para o número pífio do PIB, mas o que realmente vem surpreendendo negativamente e apresentando uma parcela maior da culpa é o investimento (ou formação bruta de capital fixo no jargão economês). Há 5 trimestres consecutivos esta sigla anda pra trás. A despeito do declarado foco oficial que o governo vêm dando ao assunto, parece que o espírito animal do empresariado não engrena. A pergunta de U$ 1 bilhão é: Por quê o tal do investimento não dá o ar do graça e vem diminuindo há quase 1 ano e meio ?

Sem estudos empíricos só podemos, no momento, especular. Mas vamos ainda  a alguns fatos: É a partir do terceiro trimestre de 2011 que se inicia a série negativa do investimento (lembrando que as projeções para o quarto trimestre  deste ano também é de queda, o que levaria a um recorde de baixas que só ocorreu uma  única vez no período do segundo trimestre de 1998 ao terceiro de 1999). Nos 8 anos de governo Lula, o Governo Central investiu em média 0,8% do PIB (mesmo número da administração FHC), sendo que no último ano - eleitoral - este número subiu (como é de costume), fechando 2010, portanto com 2,9% do PIB. O primeiro ano de Dilma teve um volume de 2,5% de investimento.

Trocando em miúdos, 3% parece ser o limite que o Governo Central pode atingir no curto prazo em termos de investimento e já que o país precisa contar com um volume de pelo menos 20% para seguir crescendo a taxas saudáveis ao redor de 4%, sem pressão inflacionária e mantendo o atual nível de desemprego, a chave para o segredo é óbvia: SETOR PRIVADO.

O setor privado é que vem sistematicamente reduzindo o investimento nestes últimos 15 meses e sem dar sinais que vá mudar no futuro próximo. (O IBRE da FGV já projetou que para o quarto trimestre o investimento continuará sua trajetória de queda).

Existe uma vasta literatura em economia que investiga e tenta explicar os determinantes para o investimento. Poupança, ambiente institucional seguro, taxas de retorno atraentes (portanto custos de capital competitivos) e expectativa de crescimento. Parece que, dentre estes, resolvemos apenas a questão do capital, entretanto ainda que os outros não estejam 100% sanados, chegamos a uma taxa de investimento ao redor de 20% há bem pouco tempo, o que aconteceu então no passado recente ?

A percepção dos agentes econômicos parece estar na linha de descrédito com o crescimento e também há uma desconfiança com relação ao ambiente institucional que recentemente andou sofrendo abalos nos casos das renovações das concessões do setor elétrico (a truculência do governo levou a perdas recordes do valor de mercado das empresas do setor elétrico, está claro que o mercado viu com maus olhos a forma como se deu a atuação do governo para reduzir a conta de energia), na petrobrás e no formato dos modelos de concessões para a privatização dos aeroportos, rodovias e ferrovias.

A hiperatividade do governo nas questões micro-economicas também causa desconforto. É postergação da redução do IPI aqui, aumento das tarifas de importação acolá, reuniões com empresários resmungões e liberação de verbas via BNDES mais ali na frente e assim vai, num ritmo frenético de curativos pontuais sem atuar efetivamente de forma horizontal e ampla nas verdadeiras causas estruturais dos problemas já conhecidos, principalmente no que tange a infra-estrutura e àquelas que elevam o chamado custo Brasil.

A visão da equipe econômica atual é homogênea e falta discordância. Como já dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, e no governo Dilma ela é, infelizmente flagrante.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FORA MANTEGA !!

A maior e mais prestigiada revista de economia do mundo - The Economist - fundada em 1843, lida por investidores, empresários e autoridades por todos os quatro cantos do planeta sugeriu a nossa dileta presidenta que trocasse o time que rege a economia em terra verde e amarela.


A sugestão veio logicamente com base em argumentação arguta, ácida e de certa forma cínica que já faz parte do DNA do periódico semanal inglês. As constantes opiniões super-otimistas do ministro e sua equipe, o ar arrogante e as reações pouco educadas às críticas recebidas, o excesso de políticas heterodoxas na condução da economia são algumas das falhas apontadas na reportagem que justificariam a demissão do comandante da pasta da fazenda, ministro Guido Mantega.

Sem entrar em querelas de cunho xenófobo ou discurso nacionalista de defesa à soberania brasileira, até porque seria ridículo e estéril enveredar por tal seara, precisamos analisar objetivamente a performance do ministro que esta tendo sua permanência contestada à luz dos resultados entregue versus o que foi prometido, diante da percepção dos agentes econômicos e da imprensa especializada qual deve ser o destino do nosso prezado Mantega ?

Temos que analisar, como em qualquer empresa de qualquer tamanho e de qualquer ramo de atividade, para que ele foi contratado e se tinha poderes suficientes para entregar o resultado pretendido.

Ficou claro, desde o início, que para o governo petista o foco é o crescimento, o investimento e a retomada do crescimento da "sofrida" indústria nacional. Ainda que para isso a inflação, o câmbio (outrora flutuante) e as metas de gastos fiquem em segundo plano. Permanecendo na questão de aferição do desempenho do nosso caro ministro, também é amplamente divulgado o imenso prestígio de que goza o referido dono do mais alto cargo da economia no Brasil. Ele encampou poder e influencia, quase que irrestrito, nas pastas da Fazenda, no Banco Central e até no Planejamento. Até porque sabe-se que o mesmo possui visão ideológica similar a da nossa presidenta no que tange ao funcionamento da economia - Nada melhor você dizer aquilo que seu chefe quer ouvir.

Bom então vamos agora a frieza dos números. O Brasil deve fechar o ano com um crescimento ao redor de 1% versus 4,5% que o Ministro declarou no inicio do ano. Com relação ao investimento o planejado até novembro era gastar 90,4 bilhões de reais sendo que o efetivado foi de 39,7 bilhões (nem nota 5 atingiu neste quesito). Já a produção industrial recuou 2,9% nos primeiros 10 meses do ano.

Como se vê nosso avaliado não se saiu bem nas provas, com o agravante que países vizinhos aqui do Brasil irão crescer a taxas superiores a 4%, pra piorar,  o nosso país terminará o ano ainda com uma inflação beirando os 6%, isto graças ao congelamento do preço da gasolina que ajudou a segurar o índice. Um outro ponto gravíssimo que conta contra é a inexistência de diálogo com o setor privado, ninguém do governo, muito menos Guido Mantega, goza de bom trânsito (tampouco fez questão disso até hoje) junto ao empresariado para passar confiança aos mesmos e despertar a credibilidade necessária para levá-los a investir, até porque o próprio governo não dá o seu exemplo neste particular.

Em artigo recente publicado no jornal paulista, Estadão, Mantega reconhece que o crescimento esta demorando mais que o esperado e desenvolve a tese de que a economia esta em processo de desintoxicação (no caso as drogas tóxicas seriam os juros altos que geravam retornos financeiros fartos e fáceis e o cambio artificialmente apreciado que facilitava a compra de maquinário e insumos a preços baixos). Como se vê precisou passar 360 dos 365 dias do ano para que o Ministro assumisse que os seus vaticínios estavam fora de rota em termos temporais. Para ele, no entanto, o remédio continua sendo o correto.

Em frase famosa, Albert Einstein, um dos cérebros mais brilhantes que já existiu deu sua definição para insanidade: "Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes."

Entre manter o atual ministro e correr o risco de ver mais um ano (ou mesmo semestre) da mesma pasmaceira (antipatia e descrédito são coisas que demandam tempo para serem curadas) e colocar um outro que ao menos dialogue com os descrentes e pense ligeiramente diferente (afinal o governo esta impregnado com uma pletora de economistas desenvolvementistas. Na era Lula pelo menos tinha o Henrique Meireles) para gerar renovadas expectativas ao mercado, parece mais eficaz a segunda alternativa. Por isto a conclusão exposta no título desta postagem: Fora Mantega !!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PREVISÕES ECONÔMICAS - FUTUROLOGIA OU CIÊNCIA

Em audiência no Senado Federal em junho deste ano o Ministro da Fazenda Guido Mantega, ajustou a estimativa para o crescimento do PIB de 4,5% para 4%. O IBGE publicou no fim de novembro o crescimento do terceiro trimestre deste ano, 0,6%. Depois deste número pífio, o Boletim Focus do Banco Central aponta para um crescimento da economia em 2012 de 1,5%, no máximo. O curioso é que quando o Banco Credit Suisse em junho deste ano através de seu report trimestral estimou que o Brasil cresceria 1,5% em 2012, Mantega disse que só poderia se tratar de uma piada.

Os economistas são constantemente incitados a fornecer previsões acerca do crescimento do PIB, inflação, câmbio, emprego, bolsas de valores e toda sorte de números da economia. Através de cálculos estatísticos sofisticados, com base em premissas rígidas (uma bastante utilizada é a "coeteris paribus" expressão em latim que pode ser entendida como tudo o mais é constante)  e usando dados amostrais do passado os economistas procuram projetar, com a menor margem de erro possível, qual seria o provável resultado da variável a ser explicada. A disciplina em economia responsável por aplicar esta sistemática chama-se econometria.

É possível efetuar previsões bem precisas através desta ferramenta. O setor de telecomunicações consegue prever com bastante sucesso o perfil de uso de um determinado novo cliente (horas de acesso a internet e minutos com ligação de longa distancia, por exemplo). Empresas de seguro usam com extrema acurácia a probabilidade de um novo segurado vir a sofrer um sinistro. Companhias de varejo acertam com margem de erro inferior a 2% o volume de vendas anual. Até mesmo a qualidade do vinho pode ser (e vem sendo) predita usando técnicas estatísticas que levam em consideração o índice de umidade do solo e o tempo na época da colheita.

O planejamento estratégico das empresas geralmente é feito para um horizonte de 5 a 10 anos no máximo. Projeções de vendas, receita, custos e investimentos são feitas com base em performances passadas e considerando determinadas alterações no ambiente de negócios. Este tipo de exercício  nas empresas geralmente já contem uma base maior de subjetivismo do que de ciência. Mas as boas práticas administrativas propõe não abrir mão desta tarefa importante de planejamento.

Entretanto existe uma seara bem ampla da economia que simplesmente é impossível (pelo menos com os recursos humanos e tecnológicos atuais) de ser alvo de previsão com boa precisão. Envolvem um volume imenso de variáveis e sofrem de viéses absolutamente incontroláveis que tornam qualquer modelagem estatística fora do alcance do mais hábil analista. Outro ponto importante é que muitas destas variáveis são influenciadas pela própria previsão. (Caso a maioria dos analistas informem que o investimento será baixo, mesmo investidores que antes estavam dispostos a gastar passarão a  pensar duas vezes) São as chamadas profecias alto-realizáveis. Outro complicador é o horizonte a que se dispõe prever. Alguns  especialistas prevêem que a Nigéria será uma das 10 maiores economias em 2050 !!!! Qualquer coisa pode acontecer em tão longo prazo. O Brasil pode ser a próxima potência no Rugbi e o Madureira campeão da Libertadores.

Taxa de câmbio, índice de inflação, índice de desemprego, crescimento do PIB são domínios da macro-economia e envolvem grande volume de dados agregados, muitos dos quais fora de qualquer esfera de influência do governo ou de qualquer ente isolado. Nosso prezado ministro deveria ter mais esmero para vir a público dizer quanto será o crescimento do PIB. Ele ocupa uma pasta eminentemente técnica e não deveria se expor ao ridículo ao anunciar um índice tão importante para a tomada de decisões dos agente econômicos com tamanha margem de erro. O que ele usa para projetar tais números? Magia, macumba ou é simplesmente um torcedor apaixonado do PIB que age no calor das emoções ?

"É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida".  (Abraham Lincoln).

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