terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

DEMOCRACIA É A ESTRADA PARA O SOCIALISMO

O título deste post não é de minha autoria mas de Marx. O filósofo alemão entendeu antes de todos que a democracia - governo do povo - era um dos passos na arena política para o que viria depois no campo econômico: A tomada da propriedade privada pelo proletariado, a coletivização do governo e da produção.

De lá para cá a democracia tomou ares de religião, tornou-se uma das vacas sagradas da cultura ocidental a ponto do sociólogo americano Francis Fukuyama declará-la como o nirvana definitivo, juntamente com a economia de livre mercado, para as nações que quiserem seguir o caminho do desenvolvimento pleno. A democracia política conjugada à economia liberal seriam a forma perfeita para o homem moderno alcançar a liberdade individual e o bem estar coletivo.

Mas talvez tenha sido precipitado demais este diagnóstico, afinal de contas o mundo acabava de sair da bipolaridade entre o modelo capitalista euro-americano e o socialismo sino-soviético. Comparado ao estatismo pleno dos marxistas o tripé do welfare state - saúde, educação e previdência públicas - até que parecia um perfeito arquétipo do estado mínimo friedmaniano.  

Longe disso, passados mais de duas décadas da queda da cortina de ferro a ficha começa a cair. O Estado nunca esteve tão amplo. A democracia concedeu aos amantes do poder a legitimidade que nenhum soberano antes sonhou em ter. O capitalismo tratou de multiplicar a riqueza apropriável e a tecnologia de arrecadação tributária fez o resto do serviço. Mais da metade da renda, na grande parte dos países democraticos, é hoje despendida pelo Leviatã.

A democracia concede a ilusão aos contribuintes de que eles possuem alguma ingerência sobre o orçamento estatal, este engano vem através do instituto mais homenageado dos últimos dois séculos, o voto. Este vem a ser o instrumento pelo qual o povo exerce seu direito de, supostamente, escolher quais políticas serão colocadas em prática através de seus representantes eleitos.

Mas o voto não é nada, individualmente é insignificante. As chances de um eleitor com seu voto influenciar o resultado de uma eleição é ínfima (no Brasil as chances são menores do que 1 em 100 milhões - ou seja é duas vezes mais fácil ganhar na mega sena do que vir algum dia ter o voto decisivo num escrutínio eleitoral). Com isso o governante eleito na prática esta se lixando para o que você possa pensar dele, você vale muito pouco na contabilidade de poder.

Por outro lado, o custo do voto é alto, ele representa a procuração concedida aos governantes para fazer o que quiserem, afinal de contas, eles representam agora a vontade do povo. Este arranjo mal enjambrado trouxe-nos a era do Estado total. Os burocratas avançam com avidez: Quão alto deve ser os impostos; quanto dinheiro precisa ser gasto no cuidado das crianças, dos idosos, dos deficientes; o que deve ser ensinado nas escolas; quanto os empregadores precisam pagar de aposentadoria para seus funcionários; quais informações precisam estar nos rótulos dos produtos; como uma casa deve ser construída; quão alta devem ser as taxas de juros; como deve ser repreendido seus filhos; a quem é permitido se intitular médico, advogado, contador, taxista; quanto deve ser gasto com saúde, com energias renováveis ou com financiamento de grandes empresas; qual carro você pode comprar…e a lista prossegue.

A democracia concedeu ao estado um exército permanente, um orçamento inigualável, um arsenal de convencimento e sedução nunca antes imaginado por qualquer monarca. Na escola, no rádio, na televisão, nas ruas, somos bombardeados o tempo todo com propaganda de que só a democracia salva.

A democracia é a imposição da vontade da maioria sobre os demais. Os exemplos abundam. Nos Estados Unidos a bebida alcóolica já foi totalmente proibida no início do século passado. Os cidadãos noruegueses não podem comprar sexo nem em seu país, onde a prostituição é ilegal e nem fora de seu país.  Na Holanda você precisa de uma autorização do governo para mudar a aparência de sua casa. No Brasil você não pode chamar um negro, ou um homossexual de apelidos "discriminatórios", se é que você pode chamá-los de algo sem ser alvo de um potencial processo.

Em nenhuma seara a presença estatal é tão acintosa como na economia. Os gastos governamentais avançam e avançam e não poderia deixar de ser diferente porque todos os incentivos estão armados para que isso aconteça - Se você vai num restaurante com 20 amigos e todos combinam de antemão em "rachar" a conta de forma igual, que incentivo você tem para pedir o prato mais barato se você só será cobrado de 5% do valor ?  Por outro lado aquilo que você economizar só lhe trará 1/20 do benefício. Neste arranjo conhecido em economia como "tragédia dos comuns" o resultado é uma gastança maior do que se cada um fosse responsável apenas por sua parte. Esta configuração, em escala infinitamente maior, é como a democracia esta armada.

O tecido moral também é desgastado na medida em que na democracia a formação de grupos de pressão é uma forma eficaz de se conseguir privilégios. Privilégios estes que, aos serem conseguidos, não são pagos por àqueles que o recebem mas por todos os outros. Dessa forma os jovens pagam pelas aposentadorias deficitárias dos idosos; os desempregados e empresários pagam pela montanha de proteção dos trabalhadores empregados; os estudantes pobres pagando pela universidade dos mais abastados e assim esta armado um cenário de tensão permanente no seio da sociedade.

É curioso que os chamados foundings fathers, os pais fundadores dos Estados Unidos, considerado o berço moderno da democracia tinham aversão por este sistema de governo, tanto que em nenhum momento na constituição americana se encontra qualquer menção a ela. Eles pretendiam a criação de uma República. Thomas Jefferson chegou a declarar que a ela nada mais era do que "a tirania da multidão, onde 51% das pessoas podem tirar os direitos dos outros 49%.

A mais eficiente forma que a democracia encontrou para inibir que, sequer se inicie uma discussão contestando suas virtudes, é de incutir que as únicas alternativas à ela são os regimes totalitários, tirânicos. Não é verdade. No mundo dos negócios é sempre possível iniciar um novo que proponha melhores métodos e crie novos produtos para conquistar espaço e o "voto" dos consumidores. Por quê tal ideal não pode ser alcançado quando o assunto é governo ? Afinal de contas se vocês esta descontente com o seu, pra onde você pode ir ? Embora do país ?
Portanto o primeiro passo deve ser na direção de deixar que cada pequena associação, cada pequena cidade ou vila experimente sua forma de administração política. Mais desconcentração, mais diversidade é igual a mais liberdade.  A Suíça que não é nem membro da União Européia nem membro da Otan prova que este caminho é possível. Com apenas 8 milhões de habitantes ela têm 26 Cantões, como são chamadas as unidades federativas, (o Brasil com mais de 200 milhões tem o mesmo número de estados) e 2.300 municípios, onde cada um concorre com o outro, com total liberdade de implantar seu sistema tributário e regulatório, brigando entre eles pela preferência dos cidadãos e das empresas. Lá o voto é dado com o pé. Os insatisfeitos têm opções de se mudar.

O primeiro passo é reconhecer que o homem possui a soberania sobre sua vontade, seu corpo físico e tudo que ele consegue produzir com ele (sem violar o direito alheio) é sua propriedade privada, que é inviolável. Nada pode ser lhe imposto, as interações devem ser voluntárias sob o risco de violação desta propriedade.

Liechtenstein, Mônaco, Dubai, Hong Kong e Cingapura não são democracias e são bem sucedidos. É esclarecedor que muitas experiências altamente positivas no campo economico tenham ocorrido em ambiente de liberdade quse total, através da criação de zonas especiais, onde o comércio e o investimento são abertos e os impostos são baixíssimos, com pouca ou nenhuma burocracia. Precisamos agora de zonas políticas livres para demonstrar que as alternativas ao combalido modelo democrático não é sinônimo de ditaduras ou bagunça.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

SOBRE TEMPOS DE "AJUSTES"

Em tempos de recessão e crises em países pelo mundo afora muito se ouve e se lê dos sofrimentos que o povo tem que passar até a economia se ajustar e entrar no rumo novamente.

Desemprego, salários estagnados, retração do consumo, restrição de crédito e contenção de gastos são implantados e acabam por atingir em cheio a sensação de bem estar e a percepção de prosperidade da população. 

Tal arranjo é perigoso inclusive porque o mau humor se retroalimenta, o que desemboca num ambiente de cada vez menos investimento e mergulha a todos num ciclo vicioso ainda mais custoso de se livrar.

Mas será que estamos realmente nestes momentos fazendo tudo que precisa ser feito ? Economistas se dividem nestes momentos entre aqueles que receitam austeridade e entre aqueles que receitam mais gastos (aqui um exemplo deste script, no caso para a questão grega).

O ponto crucial para mim, no entanto, não diz respeito tão somente as políticas de governo que são implementadas nestes momentos, mas no governo em si.

Neste contexto é curioso (senão revoltante) constatar que, nestes momentos agudos, aperta para todo mundo exceto para aquela camada da população que parece viver em outro planeta: chamarei-os aqui de os acomodados.

Quem são estes ?

Em sua maioria são compostos daqueles que estão na folha de pagamento do Estado. É como se tivéssemos uma contabilidade fictícia do capital humano, cujo lado esquerdo - o do ativo - fosse compostos pelos que produzem riqueza e o lado direito - o do passivo - fossem aqueles que se apropriam do produto dos primeiros.

O empresário segurando gasto e os ilustre congressista votando aumento de salário para si próprio de 27%;

O jovem largando a escola para procurar emprego e ajudar na reposição da renda familiar e o servidor do tribunal de contas aprovando auxílio moradia de R$ 4,3 mil reais.

O trabalhador cancelando o cartão de crédito e a assinatura da TV paga e o servidor público entrando em greve para manter aumentos anuais, prêmios qüinqüenais e diversas outras mordomias desvinculadas do mérito e da produtividade. 

Os exemplos abundam e a realidade se torna clara: No mesmo momento em que os acomodados, que foram a causa da crise em primeiro lugar, brigam desavergonhadamente para manter ou aumentar seus privilégios e abocanhar nacos ainda maiores da turma que produz.

A crise não seria problema tão desequilibrado se a ela fosse dada os verdadeiros remédios: Mercado livre, direito de propriedade inviolável, demolição de qualquer barreira comercial, desregulamentação, supressão de todos os cargos públicos (exceto aqueles desempenhados pelos agentes encarregados pelas funções clássicas do Estado, quais sejam: defesa e administração da justiça).

A partir deste momento teríamos uma planificação da arena econômica, com todos concorrendo em condições iguais buscando um só objetivo: produtividade.

Os frutos deste novo enredo seriam: mais inovação, mais educação, mais tecnologia, mais investimento e… maior intolerância com os trapaceiros.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CORRUPÇÃO

É intuitivo que a corrupção é algo extremamente negativo. Diferentemente de muitos assuntos no campo das ciências sociais que surpreendem pelas inesperadas conseqüências, com a corrupção não existe tal engano. Todos sabem que se trata, enfim, de algo péssimo para se ter por perto.

O que não se sabe na maioria das vezes é o tamanho do dano. Não é só em termos financeiros que a corrupção causa prejuízo, nem tão somente no aspecto moral. Ela traz também devastação na área da inovação. Países com maiores falhas no controle da corrupção investem menos em pesquisa e desenvolvimento, possuem maior fuga de cérebros e inovam menos.
É o que aponta estudo da pesquisadora romena e professora de democracia na Hertie School of Governance em Berlim - Alemanha, Alina Mungiu-Pippidi, publicado na revista Nature.

"Inovação é chave para a prosperidade. Mas a corrupção é inimiga da inovação. Se empresas e indivíduos aspiram ser criativos, e se as sociedades a que pertencem querem fazer o melhor uso desta qualidade, competição e trabalho duro precisam ser mais valorizados do que conexões e indicações pessoais. Minhas análises mostram que a governança necessária para produzir tais sociedades virtuosas são mais raras do que se imagina". Relata Aina. 

Países ranqueados abaixo do primeiro terço na escala de controle de corrupção do Worldwide Government Indicators terão pouca inovação. Das 114 democracias, apenas 35 estão acima daquela linha. Na união européia Romenia, Bulgaria, Grecia e Itália são os piores, onde os países nórdicos seguidos por Holanda, Reino Unido e Alemanha apresentam as melhores marcas de controle da corrupção. Fora da Europa se destacam Austrália, Canadá e Nova Zelandia. Estados Unidos é o país mais populoso entre os que apresentam boas políticas de governança e controle desta praga.

É impressionante a correlação entre inovação e corrupção. Veja no gráfico abaixo.



Para quem quiser ler na íntegra o excelente artigo. o link se encontra aqui.

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